Jardins suspensos não pertenciam à Babilônia

Foto: iStockphotos.com

Uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, os Jardins Suspensos da Babilônia sempre estiveram envolvidos em mistérios e histórias; e arqueólogos nunca descobriram de fato, evidências de sua localização, levando estudiosos a continuarem questionando sua existência. Entretanto, um pesquisador da Universidade de Oxford descobriu porque ninguém encontrou evidencias ou vestígios dos Jardins Suspensos da Babilônia... Porque eles não existiram na Babilônia. 

Os textos gregos, e romanos, pintaram imagens vívidas dos Jardins Suspensos da Babilônia, de forma luxuosa, em meio ao calor, com uma paisagem árida da antiga Babilônia, cuja vegetação exuberante, e cascatas como cachoeiras, desciam abaixo dos terraços, de 75 metros de altura, do célebre jardim. Um lugar rico em plantas exóticas, onde as ervas e flores deslumbravam os olhos, e onde suas fragrâncias flutuavam no oásis botânico imponente, repleto de grandes estátuas, e colunas, de pedra.

O rei babilônico, Nabucodonosor II, foi apontado como o responsável pela construção, e é dito que ele mandou que construíssem os jardins de luxo, para presentear sua esposa, Amytis, que sentia saudades da bela vegetação, e das montanhas de sua terra natal, localizada a noroeste do atual Irã. Para que o deserto florescesse, foi necessária uma maravilha da engenharia, possibilitando assim toda a irrigação dos jardins. Os cientistas supuseram que teria sido usado, um sistema de bombas, com rodas d'água, e cisternas, para levantar e conduzir a água do Rio Eufrates, ao topo dos jardins. 

As múltiplas despesas gregas e romanas dos Jardins Suspensos, no entanto, foram durante séculos escritas, após a sua suposta destruição. Mas não existem relatos em primeira mão que detalhe essa construção, e durante séculos, os arqueólogos estiveram caçando, em vão, os restos dos jardins. Um grupo de arqueólogos alemães passou os últimos 20 anos do século XX, tentando desenterrar sinais dessa antiga maravilha, sem qualquer sorte. A ausência de quaisquer relíquias, ou vestígios dos jardins, levaram os céticos a questionarem, se a suposta maravilha do deserto, não se tratava, apenas de uma "miragem histórica".

No entanto, uma pesquisadora honorária, e parte do Instituto Oriental da Universidade de Oxford, a Dra. Stephanie Dalley, acredita ter encontrado provas da existência da lendária Maravilha do Mundo Antigo. Em seu livro, "The Mystery of the Hanging Garden of Babylon: An Elusive World Wonder Traced", Dalley afirma que a razão pela qual nenhum vestígio dos Jardins Suspensos já ter sido encontrado na Babilônia, se dá pelo fato, de que eles nunca foram construídos lá. 

Dalley pesquisa os Jardins Suspensos há 20 anos, através de estudos antigos textos cuneiformes, ela acredita que eles foram construídos a 300 milhas ao norte da Babilônia, em Nínive, a capital do império assírio rival. E que o rei assírio, Senaqueribe, e não Nabucodonosor II, foi o responsável pela construção dessa maravilha, no início do século 7, A.C., um século mais cedo, do que os estudiosos haviam se pensado anteriormente.

De acordo com a Universidade de Oxford, Dalley, que é uma estudiosa em línguas antigas da Mesopotâmia, encontrou evidências de novas traduções dos textos antigos do Rei Senaqueribe, que descrevem o seu próprio "palácio sem rival", e uma "maravilha para todos os povos." Ele também mencionou a captação de água por um parafuso de bronze, semelhante ao parafuso que Arquimedes desenvolveu quatro séculos mais tarde, e que poderia ter sido usado para irrigar os jardins.

Escavações recentes em torno de Nínive, perto da cidade iraquiana moderna de Mosul, descobriram evidências de um extenso sistema de aquedutos, onde a água era levada a partir das montanhas, com a inscrição: "Senaqueribe, rei do mundo... A uma grande distância, eu tive um curso de água direcionado para os arredores da cidade de Nínive". 

Os baixos relevos do palácio real em Nínive retrataram um exuberante jardim, regado por um aqueduto, e ao contrário do ambiente plano da Babilônia, a topografia mais robusta em torno da capital da Assíria, teria feito os desafios logísticos, de levar água para os jardins, muito mais fáceis de serem superados, por uma civilização antiga.

Dalley explica ainda, que a razão para a confusão da localização dos jardins, poderia ser devido à Assíria ter conquistado a Babilônia em 689 AC. Após a aquisição, Nínive foi referida como a "Nova Babilônia", e Senaqueribe renomeou os portões da cidade, depois de renomear os de entrada da Babilônia. 

As afirmações de Dalley poderiam derrubar os pensamentos que a maravilha antiga indescritível, era uma "miragem histórica", mas também podem provar que os Jardins Suspensos, são erroneamente da Babilônia, e deve ser verdadeiramente chamados de os Jardins Suspensos de Nínive.


Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute

Fonte: History.com
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