Moradores de Ashrafieh aflitos com a desapropriação


Foto: Joseph Eid/AFP

Moradores de Ashrafieh, que serão desapropriados dos imóveis da região onde será construída a nova Rodovia Butrous Fouad, estão preocupados para onde deverão se mudar, assim que iniciar a operação de desapropriação. Segundo uma moradora, imóveis em Karm Al-Zeitoun, a leste de Beirute,região cujos imóveis são considerados mais baratos, os apartamentos são menores que os de Ashrafieh e os aluguel começa a partir de US$500,00. 

Muitos moradores alegam também que nenhum comunicado oficial foi feito pela Prefeitura de Beirute ou pelo Conselho de Desenvolvimento e Reconstrução, e muitos deles vivem nessa região há 40/50 anos, e agora estão aflitos, pois grande parte desses moradores, já é de idosos, que não tem como pagar para morar em imóveis mais caros, sem mencionar a falta de imóveis disponíveis na área, e dizem também, que a construção da rodovia não solucionará o problema do trânsito como se pensa.

 Um dos Engenheiros da CDR, responsável pelo projeto, Elie Helou, disse que os inquilinos, cujos contratos de aluguel são legais, ou seja, registrados na Prefeitura de Beirute serão compensados, para poderem se mudar dos imóveis, porém, os que não possuem contratos legais, registrados na Prefeitura, infelizmente são considerados inquilinos ilegais, e terão que desocupar os imóveis sem qualquer auxilio. Helou ainda não tem os números exatos da indenização que será repassada a esses inquilinos “legais”, bem como ainda não sabe a quantidade de pessoas que serão afetadas pela desapropriação. 

E não quis citar também, o número exato de imóveis que serão demolidos para a construção da rodovia, mas ressaltou que todas as informações relevantes serão repassadas na próxima semana, durante uma coletiva de imprensa. Ele apenas adiantou, que pelo menos 30 edifícios deverão ser demolidos, e que mais da metade dos proprietários já receberam o pagamento, e ele ainda espera que todos os contratos sejam assinados durante o verão para que as obras iniciem ainda neste ano. 

Questionado se o projeto ainda pode ser interrompido, Helou afirmou que ele não consegue ver de que forma isso possa acontecer. Porque legalmente, não há nenhuma maneira de cancelar o projeto, a menos que o proprietário o interrompa, mas que neste caso, o proprietário é o município, que não quer interromper o projeto da rodovia.  

 O Vice-Presidente do Conselho Municipal de Beirute, Nadim Abu Rizk, disse na ultima semana que o contrato com a empresa que irá construir a rodovia já havia sido assinado. Porém, Helou e o CDR disseram que o negócio não tinha ainda sido firmado. "O município não assina contratos, nós do CDR quem assinamos", disse ele, afirmando que no momento, o CDR está à espera do recebimento do financiamento para o projeto, proveniente do Fundo Árabe para o Desenvolvimento Econômico e Social, que está pagando metade da conta de US$ 60 milhões, juntamente com a Prefeitura. Tanto o município quanto o CDR aprovaram as empresas com as quais eles vão assinar um acordo, baseado em um processo de licitação já concluído, mas Helou salientou que, ao contrário do que Abu Rizk afirmou na semana passada, o contrato de construção ainda não foi assinado. 



Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute
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