Obras do Dersa encontra sítio arqueológico em São Paulo

Foto: Thiago Takeda

Vestígios do grupo indígena Aratu, foram encontrados em uma área próximos às margens do Reservatório de Paraibuna, no Vale do Paraíba, em São Paulo. O local, situado próximo às obras de construção da Rodovia Nova Tamoios, estrada que pretende desviar a Rio-Santos, para fora das áreas urbanas centrais dos municípios de Caraguatatuba e São Sebastião, revelou a descoberta de diversos traços de uma aldeia, que se acredita pertencer ao grupo indígena Aratu, com uma população de centenas de pessoas que viveram na mesma região.

De acordo com a Dersa, além de inúmeras urnas funerárias, foram encontrados 
fragmentos de utensílios cerâmicos e material lítico lascado, 
predominantemente em sílex e quartzo, utilizados geralmente como ferramentas de corte e perfuração. Pela quantidade de peças encontradas, tratava-se de uma grande aldeia, com centenas de pessoas. A descoberta surpreendeu os arqueólogos, pois a presença da tribo Aratu, cuja população indígena mais comum, era a Tupi-guarani, é rara na região do Vale do Paraíba. 

Estima-se também que os índios tenham vivido nessa região antes do período de colonização do Brasil, por volta de 1400. Ainda de acordo com o estudo realizado pela Dersa, os vestígios encontrados não apontam indícios de que a tribo tenha tido contato com portugueses, que chegaram ao país em 1500.
A Dersa afirmou que a área em que os vestígios foram encontrados, não será afetada diretamente pelas obras, o que preservará o sítio, que será utilizado para pesquisas, tornando a região, a partir de sua descoberta, um patrimônio arqueológico da União.

Mas quem eram os Aratus? 

A TRADIÇÃO ARATU

Os arqueólogos chamam de “TRADIÇÃO ARATU”, um determinado grupo de HORTICULTORES, que fabricavam cerâmicas. Esses homens pré-históricos, antepassados de grande parte dos índios mineiros, habitavam extensas zonas de vegetação de cerrado, com manchas de mata ao longo dos rios. O território que esses grupos ocupavam, incluía uma grande porção do Estado de Minas Gerais, partes dos Estados de Goiás, São Paulo, Espírito Santo e de alguns estados do Nordeste.

A TRADIÇÃO ARATU teve suas origens há mais de dois mil anos, e com certeza os grupos indígenas dessa cultura, já estavam instalados na região do Triângulo Mineiro, por volta de 1.500 anos atrás. De um total de 164 sítios arqueológicos, contendo restos de cerâmica, descobertos nas áreas vizinhas das três Usinas Hidrelétricas (Nova Ponte, Miranda e Igarapava), apenas dez não pertenciam a essa Tradição. Portanto, pode-se concluir que os grupos ARATU, dominavam aquele território, e eles consideravam a região um local ideal para viverem.

Suas aldeias ficavam situadas em áreas de mata galeria, próximas ao cerrado, junto a algum córrego, afluente do rio principal. A instalação das casas, sempre perto de um afluente do rio, se dava em função da necessidade de terem água limpa para o abastecimento. A distância entre a aldeia, e o rio, geralmente, não ultrapassava os 500 metros. É interessante notar, que eles conheciam perfeitamente o nível máximo das cheias dos rios, até mesmo as maiores cheias, que costumam ocorrer a cada 20 ou 50 anos. Assim, eles nunca eram pegos de surpresa, ao contrário do que acontece hoje nas nossas cidades. 

As aldeias não duravam muitos anos em um mesmo local. Assim que as terras das lavouras davam sinal de cansaço, ou que as pragas começavam a atacar as plantações, com mais frequência, era hora de mudar. O milho era o principal alimento cultivado por esses povos. Certamente, deviam plantar outros vegetais, como tomate, amendoim, cará, batata doce, feijão, pimenta, e um pouco de mandioca. Outras plantas como cabaça, algodão e fumo, também faziam parte da roça, embora não fossem comestíveis. A presença de rodelas de cerâmica, usadas para tecer o fio do algodão, indica que provavelmente faziam redes, bolsas e sacolas. 

A maioria das panelas de barro, feitas pelas mulheres das tribos desse grupo, não tinham decoração. Apenas alguns potes de uso especial possuíam asas, bicos, cabos e alças. Eles ainda podiam ser decorados com linhas finas impressas, ou com banhos de barro vermelho.  Os potes podiam ter a forma semiesférica, ou de tigelas rasas. Grandes vasos de forma cônica, que lembram uma pera, eram usados para preparar as bebidas alcoólicas, consumidas nas festas da aldeia. Quando alguém importante da tribo morria, esses vasos eram usados como caixão, que os arqueólogos chamam de urnas funerárias. Foram encontradas, dentro dessas urnas, vasilhas de cerâmica formadas por duas tigelas rasas unidas lateralmente, e outras com forma de cabaça, de uso exclusivamente cerimonial. 

Os instrumentos eram feitos de pedra, como machados polidos, usados para a derrubada das árvores da mata. A abertura de clareiras era importante para o preparo das roças, e instalação das aldeias. Blocos de arenito (rocha de areia) foram escavados, e transformados em pequenos pilões. Pedras arredondadas (seixos rolados) eram usadas como martelos e batedores. Lascas de arenito eram utilizadas como facas, raspadores, plainas, furadores, e outros instrumentos, que serviam para cortar carne, trabalhar a madeira, o osso e as peles dos animais caçados.



Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute

Fonte: Ultimo Segundo, ramanavimana.blogspot, e uhe-igarapava.com.br
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