Quinta da Boa Vista – Rio de Janeiro

Foto: Wikipédia

A Quinta da Boa Vista que é também conhecida, como Paço ou Palácio Imperial de São Cristovão, constitui um complexo público de extremo valor histórico e cultural, e Unidade de Conservação Ambiental, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e localizado no bairro de São Cristovão, no Rio de Janeiro. O majestoso palácio, em estilo neoclássico, é a sede do Museu Nacional  da Universidade Federal do Rio, e também funciona como um parque público, que abriga a Fundação Jardim Zoológico e o Museu da Fauna do Rio. 

O prédio do palácio, que esteve em péssimo estado de conservação durante décadas, está sendo totalmente restaurado por dentro e por fora, e já recuperou suas cores e ornamentos originais na grande fachada. Porém, nos jardins, algumas das características originais dadas pelo ilustre paisagista francês, Auguste François Marie Glaziou, vêm sendo gradualmente perdidas, em virtude do contínuo plantio de árvores de diversas espécies sobre os gramados pela Prefeitura do Rio, sem quaisquer estudos históricos ou paisagísticos para sua implantação, o que vem descaracterizando os moldes originais do parque. Alguns monumentos, como o monumento em homenagem ao centenário natalício de dom Pedro II, em frente ao palácio foram depredados, e suas inscrições estão bem deterioradas, necessitando de restauro e cuidado.

O MUSEU NACIONAL:

O Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio, é um dos mais importantes museus brasileiros, sendo a primeira instituição científica do país e o maior museu de história natural e antropológica da América Latina. Criado por Dom João VI, em 1818, e com sede inicial no Campo de Santana, promoveu o progresso cultural e econômico no país, e foi incorporado à universidade em 1946. 

Numa área útil de 13.616,79 m² distribuída em três andares, o Museu possui um total de 122 salas, sendo 63 salas do primeiro andar, 36 no segundo e 23 no terceiro. Após as reformas de adaptação do palácio, ocorridas em 1910, muitas salas foram modificadas. Esse processo de transformação ocorre até os dias de hoje. Os pesquisadores e laboratórios ocupam boa parte do Museu, e alguns prédios que foram erguidos no Horto Botânico, onde ainda se encontra uma das maiores bibliotecas científicas do Rio de Janeiro. 

O Museu Nacional oferece cursos de pós-graduação vinculados à UFRJ nas áreas de Antropologia Social,  Arqueologia,  Botânica, Geologia, Paleontologia e Zoologia. As exposições do Museu estão abertas ao público de terça a domingo (inclusive feriados) das 10h às 16h. O valor normal do ingresso é de R$ 6,00, mas devido às obras de restauração, o Museu está com ingresso promocional no valor de R$ 3,00. Maiores informações: museu@mn.ufrj.br  Telefone: (21) 2562-6900. 

FUNDAÇÃO JARDIM ZOOLÓGICO:

Em  1888, D. Pedro II adquiriu a antiga Fazendo dos Macacos e implantou o projeto de um grande zoológico. Após a proclamação da República, e com o fim da ajuda de custo garantida pelo imperador, a manutenção do jardim e de seus animais tornou-se um pesado encargo financeiro. Com a sucessão de administrações, e diante das dificuldades, o antigo zoológico viu-se obrigado a fechar suas portas em 1940. Em 1945, o Presidente Getúlio Vargas presenteou o Rio com um novo jardim zoológico, inaugurado no parque da Quinta da Boa Vista, junto ao Museu Nacional do Brasil.

O zoológico, instalado num espaço arborizado de 138 000 m² nos fundos da Quinta da Boa Vista, conta com uma coleção de 500 mamíferos, 900 répteis e mais de mil aves. Ao todo, são 350 espécies, muitas delas raras e ameaçadas de extinção. Desde 1985, o Zoológico, se tornou a Fundação Jardim Zoológico, que é ligada à Prefeitura do Rio, isso proporcionou agilidade administrativa, e um extenso processo de modernização, que transformou a instituição em um respeitado centro de pesquisas e educação ambiental, reconhecido em todo o país e no exterior. Em 2005, A Fundação Jardim Zoológico inaugurou o Museu da Fauna, projeto voltado à educação ambiental, que permite conhecer os ecossistemas brasileiros. 
Em parceria com a Fundação Jardim Zoológico, a Petrobras desenvolve o "Projeto Ararajuba", que visa garantir a preservação da Ararajuba, uma ave ameaçada de extinção. Além de espécimes nativas da região amazônica, do Pantanal e do Cerrado brasileiro, destacam-se ainda, animais de outros países, como o rinoceronte e o urso-pardo americano. 

O Zoológico recebe cerca de 70 000 visitantes por mês, e entre as atrações disponíveis, destacam-se:

A maior coleção de primatas brasileiros e aves expostas no país; O Portão Monumental, oferecido em 1816 pelo duque de Northumberland; as alamedas, margeadas de palmeiras imperiais; a Casa Noturna, um recinto para observação de espécies de hábitos noturnos; o Viveirão, onde os visitantes entram e caminham entre diversas espécies de aves em semiliberdade; a Passarela da Fauna, uma passarela elevada, que permite o caminhar entre vários animais em semiliberdade, em uma grande área aberta; o Aquário Público, projetado por Auguste François Marie Glaziou, a pedido de D. Pedro II; o viveiro de aves marinhas; o Proáguazoo, o sistema de tratamento e reutilização de água do zoológico; um aquário do Projeto Tamar, com espécimes de tartarugas-marinhas; o Zoomóvel; o Museu da Fauna e a Minifazenda.

 HISTÓRIA QUINTA DA BOA VISTA:

 A Quinta da Boa Vista, integrava uma fazenda dos Jesuítas, durante os séculos XVI e XVII, quando a ordem foi expulsa, a propriedade foi desmembrada e vendida a particulares. Em 1803, o comerciante português, Elias Antonio Lopes, ergueu um casarão sobre a colina, de onde podia ser vista toda a baía de Guanabara, originando assim, o nome Quinta da Boa Vista. Com a chegada da família imperial, em 1808, e a dificuldade em encontrar um imóvel apropriado, Elias, muito conhecido por ter a melhor casa do Rio de Janeiro, doou sua propriedade ao Príncipe-Regente D. João. Naquela época, o lugar ainda era cercado por manguezais, e D. João mandou aterrar os trechos alagadiços, e aprimorar os caminhos por terra, além de iniciar uma reforma em todo o casarão, para acomodar a família real. Em 1816, ocasião do casamento de D. Pedro I, com Maria Leopoldina, iniciou a importante reforma do casarão, que recebeu um portão monumental em sua entrada, inspirado no pórtico da Sion House, presente do Duque de Northumberland. 

Após a Independencia, D. Pedro I contratou célebres arquitetos para projetar as obras do então Paço Imperial, que tinha inicialmente, um torreão no lado norte da fachada principal, e ganhou outro idêntico no lado sul, além de erguer um terceiro andar no palácio. As obras, bem como o embelezamento dos jardins, que conta com um lago e até uma gruta, duraram anos, com participação de diversos arquitetos, pintores, decoradores e paisagistas ilustres europeus. A casa do imperador era dividida em três andares: o primeiro destinado a serviços gerais e primeiras recepções; o segundo, mais ornamentado, usado para receber os visitantes; e o terceiro era constituído de dormitórios e demais áreas da família. Ali nasceu a princesa imperial do Brasil, D. Maria II, e também D. Pedro II, assim como também ali morreu, a Imperatriz D. Maria Leopoldina, esposa de D. Pedro I. Próximo à Quinta, num casarão presenteado por D. Pedro I, vivia a ilustre Marquesa de Santos, a favorita do Imperador, com quem ele também teve vários filhos. 

O palácio também foi o lugar onde nasceu a Princesa Isabel, filha de D. Pedro II com D. Teresa Cristina. Com a proclamação da República, em 1889, a família real portuguesa foi deposta, e o Palácio da Quinta da Boa Vista sediou a Assembleia Nacional, responsável pela Constituição brasileira em 1891. No ano seguinte, Ladislau Neto, Diretor do Museu Nacional, conseguiu a transferência do Museu para o palácio que teve seu exuberante jardim abandonado até 1909, quando o Presidente Nilo Peçanha mandou restaurá-lo e cercá-lo para conservar suas características originais.


Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute
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