Um estudo intitulado


Um estudo intitulado, “Uma nova pediatria para crianças que vão viver 100 anos ou mais – A infância e a adolescência como idades ideais para a prevenção das doenças do adulto e do idoso” mostra um contingente de 50% a 65% dos adultos obesos, que foram crianças ou adolescentes obesos. E adultos obesos, que o foram desde a infância, apresentam respostas terapêuticas menos adequadas, do que aqueles que se tornaram obesos na vida adulta. Com o objetivo de detectar de maneira precoce, e de prevenir doenças crônicas da vida adulta, e da terceira idade, o projeto da USP defende a necessidade de uma nova visão da pediatria, em razão do aumento significativo da esperança de vida nas últimas décadas. 

Assim, defendem os autores do projeto, mudou-se o enfoque da Pediatria. Segundo a coordenadora do trabalho desenvolvido na USP, Magda Carneiro Sampaio, o grande desafio da Pediatria deste milênio, passa a ser a prevenção das doenças crônicas do adulto e do idoso, que na sua maior parte têm raízes na infância, ou mesmo na vida intrauterina. Há um entendimento de que se estabelecem na infância e adolescência, hábitos sabidamente nocivos à saúde, como sedentarismo, tabagismo, e preferências alimentares, entre outros, que favorecem o desenvolvimento de diversas moléstias, entre as quais a obesidade, doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2. 

Os especialistas que incorporaram o estudo, coordenado pela Pediatra Magda Carneiro Sampaio, acreditam que assim, a infância e a adolescência, constituem-se em idades críticas para a prevenção eficaz de morbidades do adulto e do idoso. Como exemplo, eles citam a aterosclerose, base de grande parte das doenças do coração e cerebrovasculares, que pode ter início nos primeiros anos de vida, consequente dos hábitos alimentares. Se soar estranho, um salto tão grande no tempo, quando se foca a saúde de um recém-nascido, é bom lembrar que prevenção é a palavra de ordem da Medicina. E quanto antes ela começar, melhor.

Saiba mais:

• Os cuidados devem se iniciar já na gravidez, para que o bebê nasça com quantidade suficiente e adequada, de células gordurosas, onde a mãe deve ter uma alimentação correta, balanceada, durante toda a gestação, e não engordar demais (de nove a 12 quilos é o ideal);
• Pais obesos, e com padrões alimentares ricos em gorduras, calorias, sal e açúcar, são fortes candidatos a ter filhos obesos;
• Bebês devem ter uma alimentação inicial, baseada exclusivamente no leite materno, durante os seis primeiros meses de vida. Estudos mostram, que uma criança amamentada no seio, está menos sujeita a engordar excessivamente, em comparação com a criança tratada à mamadeira;
• A partir de um ano de vida, frutas, legumes e carnes magras devem entrar no cardápio diário do bebê;
• O açúcar deve ser consumido em pequenas quantidades, e após as refeições;
• Crianças de 1 a 6 anos, com preocupação acentuada com alimentos, merecem atenção especial. Nesta idade, normalmente as crianças não dão muita importância à comida;
• Mais de 99 % das crianças gordinhas, não apresentam nenhum distúrbio hormonal.

Conheça algumas classificações:

A obesidade ocorre em diversas circunstâncias, segundo o autor do estudo sobre o assunto, o Psiquiatra Geraldo José Ballone, da Faculdade de Medicina da PUC/Campinas, que classifica a obesidade em: 

Obesidade de longa data - Indivíduos obesos desde criança. É a forma mais difícil de tratamento, entre as causas, existe a predisposição genética (herança familiar) e a hiperalimentação precoce.

Obesidade da puberdade - Aparece na puberdade, é predominante em mulheres, tem como causas angústias e ansiedades dessa fase da vida, e alterações orgânicas.

Obesidade da gravidez – Ocorre na gravidez e pós-parto, também por razões psíquicas e/ou orgânicos.

Obesidade por interrupção de exercícios - Comum em esportistas que ingerem grandes quantidades de calorias, e param de fazer exercícios, ou seja, deixam de gastá-las.

Obesidade secundária a drogas - Alguns medicamentos, como por exemplo, corticoides, antidepressivos, e estrógenos, podem induzir a um ganho de peso. 

Obesidade após parar de fumar - A explicação é que a nicotina aumenta o gasto calórico, por sua ação lipolítica, e também é responsável por perda de apetite.

Obesidade endócrina - Aparece em 4% das obesidades, e envolve doenças da tireoide, do pâncreas e da suprarrenal.

Dicas para o tratamento:

• Prepare as refeições, de modo que toda a família possa saborear, incluindo a criança;
• Crie cardápios variados, coloridos, e de diferentes texturas. Variando o cardápio, a criança terá oportunidade de descobrir as cores, texturas e sabores dos alimentos;
• Controle as porções. Sirva pratos feitos, evite colocar travessas na mesa, para não incentivar repetições;
• Não use gorduras, e nem maionese, catchup, geleias, óleos, etc.;
• Tenha sempre em casa frutas, iogurtes desnatados, leite, gelatinas, legumes e verduras;
• Estimule atividades físicas. Crie maneiras de a criança brincar em grupo, e ao ar livre;
• Nunca use a comida como recompensa;
• Evite discussões durante as refeições, para não criar ansiedades, que possam ser descontadas na comida;
• Ofereça alternativas saudáveis: uma fruta ou iogurte, e não chocolates;
• Não force frutas e verduras, mas limite lanches e fast-foods.

Às vezes, os pais podem ter muitas dúvidas para saber se o comportamento alimentar de seus filhos, está ou não correto, e se eles podem ter problemas de obesidade. O melhor aliado nesses casos é mesmo o pediatra, além das curvas de crescimento/peso da criança, desde o momento do seu nascimento. Nas visitas de rotina ao pediatra, normalmente mensais, a medição de peso e crescimento é um procedimento de praxe.

Quando o bebê cresceu e ganhou peso igualmente, de forma geral, isso significa que ele está se desenvolvendo perfeitamente, de acordo com sua idade. Mas quando a criança não cresceu, ou
ganhou mais peso do que cresceu, isso pode significar que há um erro na alimentação. Nas consultas, o pediatra pode detectar o erro, e facilmente auxiliar os pais na sua correção.


Yasmeen Chehayeb
Gazeta de Beirute

Fontes:
• Instituto da Criança do Hospital das Clínicas.
• Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da USP.
• Faculdade de Medicina da PUC Campinas, psiquiatra Geraldo José Ballone.Fontes:
• Instituto da Criança do Hospital das Clínicas.
• Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da USP.
• Faculdade de Medicina da PUC Campinas, psiquiatra Geraldo José Ballone.
Share on Google Plus

About beirut lebanon

This is a short description in the author block about the author. You edit it by entering text in the "Biographical Info" field in the user admin panel.

0 comments:

Postar um comentário