Universitários recorrem à desonestidade acadêmica



Estudantes de diversos campus universitários, visando concluir os prazos semestrais de seus cursos com boas notas, recorrem ao contrato de pessoas e organizações terceirizadas e especializadas em realizar e concluir seus trabalhos universitários, de forma sigilosa e fraudulenta, prejudicando os estudantes que não recorrem a esse tipo de serviço. De acordo com as organizações que executam esses serviços, grande parte dos universitários que recorrem a terceirização de trabalhos acadêmicos, pertencem a AUB (Universidade Americana de Beirute) e a LAU (Universidade Libanesa Americana).

Segundo Talal Nizameddine, Diretor dos Assuntos dos Estudantes da AUB, a Universidade tem consciência dessa prática, assim como também tem consciência de que o número de alunos detectados recorrendo a essa prática, é menor que o número dos que a utilizam, e disse ainda, que a instituição tem tomado medidas preventivas quanto a isto, com o auxilio dos professores, que têm redobrado a atenção sobre o desempenho dos alunos durante o semestre. 

E que situações onde o resultado final não é compatível com o nível do aluno, gera desconfiança e investigação. Porém, as organizações também são especialistas em não recorrer a plágio, e recorrem às fontes originais de pesquisas, para que a conclusão dos trabalhos seja aceitável, o que dificulta na identificação de um aluno que comete fraude.

Os membros do corpo docente da AUB são incentivados a acompanhar os alunos, pedindo-lhes rascunhos e esboços de seus trabalhos durante a execução dos trabalhos, para que eles possam se familiarizar com os níveis de capacidade de cada aluno, e identificar com maior facilidade e precisão, os trabalhos que não sejam de suas próprias autorias. O Código de conduta da AUB e da LAU repudia o plágio, e outros tipos de fraudes acadêmicas, que são passíveis de ações disciplinares contra os alunos identificados em atitude fraudulenta, como reprovação do curso, suspensão, e em casos de reincidência, expulsão sumária.   

 O aluno que vê outros estudantes realizando essas práticas com sucesso, sempre querem fazer o mesmo, portanto, é importante que os professores conheçam seus alunos, para que possam monitora-los adequadamente, o que ajuda na identificação dos alunos que recorrem à fraude. Em classes pequenas, o acompanhamento dos professores em relação aos alunos, seja através de projetos, ou de tarefas escritas, tende a ser mais dinâmico, e com resultados mais positivos, entretanto, em classes mais numerosas, isso se torna um tanto quanto mais dificultoso, porem não impossível.  Professores e instrutores afirmam categoricamente, que recorrer a tais práticas não é apenas ilegal, mas também antiético, e injusto não apenas com eles mesmos, mas com seus colegas. 

A ousadia dessas organizações também é grande, porque eles insistem em distribuir panfletos dentro e fora das universidades, incentivando os alunos a recorrerem aos seus serviços, ao invés de desenvolverem suas próprias capacidades, em troca de dinheiro.  

Os panfletos frequentemente são retirados, mas a prática continua, inclusive porque os serviços oferecidos têm se profissionalizado crescentemente, dificultando enormemente o corpo docente a detectar o aluno em flagrante por pratica de desonestidade acadêmica, durante as auditorias realizadas por estas instituições.

Em contra partida, as organizações estão movimentando a indústria da fraude com requintes profissionais, dos quais eles se orgulham em ostentar, para driblar o corpo docente das universidades. "Nós fazemos tudo, desde projetos de Engenharia e de Design Gráfico até trabalhos em Ciências Humanas e Sociais", diz Ahmad, um ex-aluno, que trabalha numa organização de venda de trabalhos terceirizados. Ele diz que os alunos ligam marcam dia e hora do encontro, onde explicam o que precisam, oferecem o material necessário, e pagam uma parte do serviço, como um adiantamento. 

O serviço é confidencial, e o término do pagamento é feito na entrega dos trabalhos, onde Ahmad diz colocar erros gramaticais intencionais, para evitar que os alunos sejam pegos, e disse ainda, que se eles agem de forma estranha, ficam nervosos, e são descobertos, que a culpa já não é dele. Os preços de Ahmad, variam de acordo com o tipo de trabalho que será feito, o grau do aluno, e o prazo de entrega, e que os serviços geralmente variam de US$10,00 a US$30,00 por página, para documentos em Humanas, de US$300 a US$400 para projetos pequenos de design gráfico, e que projetos seniores ou teses, custam mais caro, em torno de US$1.500 por dissertação. 

Uma estudante que se identificou como Nadia, diz que também trabalha com essa prestação de serviço fraudulento, e afirma que sua renda mensal chega a US$2.000, e que outros 200 colegas de graduação e pós-graduação, de diversos cursos, também atendem alunos de todos os cursos das universidades. Segundo Nadia, que orgulhosamente afirma, ela escreve muito bem e precisa do dinheiro, e quem escreve mal, sempre pode pagar, e que sendo assim, ela não encontra motivos para não fazer os trabalhos.

Outra estudante, aluna da LAU, e que se identificou como Rima, diz que ela não acha a compra de trabalhos desonestidade acadêmica, e que ela não está roubando as palavras ou ideias de ninguém, apenas recebendo-as de bom grado, em troca de dinheiro, e afirmou ainda, que durante todo o ultimo semestre, pagou semanalmente a um colega US$70,00 para que ele redigisse seus trabalhos em inglês, e disse também, que ela não recorre às organizações especializadas, que ela apenas compra de colegas e pessoas que ela conhece e confia.   

Omar, um estudante de Engenharia da AUB, se diz usuário desses serviços, e que nunca escreveu um único papel nos últimos três anos, ele acredita, que por ele ser um estudante de Engenharia, ele não precisa escrever artigos acadêmicos em sua vida prática, que é uma perda de tempo ele não se concentrar nos principais cursos, para ficar escrevendo, e que ele não escreve mesmo. Outras desculpas dadas por alunos que recorrem aos serviços de desonestidade acadêmica são: falta de tempo, estresse, Inglês ruim, e ironicamente... Problemas financeiros!

Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute 
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