Vítimas de sequestro libertadas após 10 anos



O longo cativeiro terminou na última segunda-feira (6), quando vizinhos ouviram gritos e ajudaram uma das reféns, Amanda Berry, a arrombar a porta e chamar a polícia. Foram libertadas: Amanda Berry (27 anos), desaparecida desde a véspera de completar 17 anos, em 2003, Gina De Jesus (23 anos), desaparecida desde 2004; e Michelle Knight (32 anos), desaparecida desde 2002, além de ter sido encontrada também uma menina de 6 anos, que segundo a polícia é filha de Berry, concebida e nascida no cativeiro. 

O acusado pelo sequestro, Ariel Castro, de 52 anos, trabalhava como motorista de ônibus escolar até ser demitido em novembro. Dois irmãos dele, de 50 e 54 anos, chegaram a ser detidos como suspeitos, mas foram liberados, após os investigadores concluírem que eles não tiveram participação no crime e não tinham conhecimento do sequestro das vítimas pelo irmão. 

Berry contou à polícia que na segunda-feira ela teve a primeira chance de fugir, em dez anos de cativeiro, graças a ausência momentânea de Castro. Segundo a CNN, Michelle contou que quando Ariel Castro, apontado como o responsável pelos sequestros, descobria que ela estava grávida, ele a fazia abortar. O tratamento dado à outra refém, Amanda Berry, foi diferente. Ela também ficou grávida, mas quando foi dar à luz, Castro ordenou que Michelle a ajudasse. Depois que a criança nasceu, todos entraram em pânico, porque o bebê parou de respirar, e elas começaram a gritar. Ariel ameaçou matar Michelle se a criança não sobrevivesse.

Também ficou claro, que a gravidez dela não foi um fato isolado, segundo o vereador local Brian Cummins, que teve acesso a informações policiais, uma das três mulheres - ele não sabe qual - sofreu pelo menos cinco abortos induzidos por Castro, que fazia a moça grávida passar semanas sem se alimentar direito, e batia na barriga dela. As três mulheres eram mantidas por longos períodos no porão da casa, presas a correntes e cordas, e eventualmente passando fome, segundo Cummins. As autoridades descreveram a casa como precária.

Cummins disse que inicialmente as jovens ficavam em cômodos separados da casa, mas que depois Castro ganhou confiança a respeito do seu controle, e permitiu que elas ficassem juntas. As mulheres foram sequestradas separadamente, mas segundo a polícia, cada uma sabia da presença das outras, mesmo quando isoladas. Duas, das três mulheres que foram mantidas em cativeiro por dez anos em Cleveland, no estado de Ohio (EUA), deixaram o hospital nesta quarta-feira (8). Amanda Berry, e Gina De Jesus foram levadas para casas de parentes. Michelle Knight permanece no hospital de Cleveland.

Os investigadores que vasculharam a casa em Cleveland, onde as três mulheres permaneceram sequestradas por uma década, encontraram correntes e cordas que eram utilizadas para prendê-las, mas por enquanto, não encontraram restos mortais. O chefe da polícia da cidade de Cleveland, Richard McGrath, apontou à "NBC", as correntes e cordas encontradas que serviram para limitar os movimentos das três vítimas. Em entrevista coletiva na terça-feira (7), as autoridades disseram que não receberam pistas da vizinhança sobre o sequestro nos últimos 11 anos, e que só têm registros de dois incidentes relacionados com a casa, um em 2000 e outro em janeiro 2004, quando duas das três mulheres já estavam desaparecidas. 

O acusado, Ariel Castro, principal suspeito pelos sequestros de três mulheres em Cleveland, era um homem de duas personalidades, segundo informações divulgadas: De um lado, um músico amante de automóveis, do outro, uma pessoa que agredia a ex-mulher e os filhos, durante anos. Juntamente com seus irmãos Pedro, de 54 anos, e Oneil, de 50, este Ex-Motorista de ônibus escolar, de 52 anos, tem acusações criminais pelo rapto, durante uma década, de Amanda Berry, Gina De Jesus e Michelle Knight. Em 2005, a ex-mulher de Castro, Grimilda Figueroa, falecida no ano passado, tinha alegado perante uma corte familiar, que Castro frequentemente sequestrava as duas filhas do casal, Emily e Arlene, e as mantinham distantes da mãe.

Figueroa tinha denunciado sofrer violências que a deixou em diversas ocasiões com o nariz ou uma costela quebrada, o ombro deslocado, e um coágulo de sangue no cérebro, e pediu ao juiz que instasse Castro a cessar suas ameaças de morte, contra ela e o filho do casal, Anthony Castro, um bancário de 31 anos, residente em Cincinnati. Anthony afirmou ao jornal britânico Daily Mail que sua mãe abandonou a casa com os três filhos em 1996, após anos de abusos, e disse ainda, que ele havia sido espancado pelo pai. 

O suspeito, Ariel Castro, dirigiu ônibus escolares por 22 anos, com anotações de infrações de trânsito e incidentes, como em 2004, quando deixou sozinho um menino com necessidades especiais, enquanto foi comprar um hambúrguer, até ser demitido em novembro de 2012. Segundo o jornal Plain Dealer, Castro era um baixista amador, e tocou baixo por 15 anos em uma banda de música latina, o Grupo Kanon. Parece que o suspeito, vivia duas vidas diferentes, com dupla personalidade.  


Fonte: CNN, G1 e Euronews.

Therese Mourad
Gazeta de Beirute
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