A História dos Mares II


Mar do Caribe: 
O mar do Caribe (português brasileiro), ou mar das Caraíbas (português europeu), é um mar semiaberto e tropical do oceano Atlântico, situado ao leste da América Central, e ao norte da América do Sul, cobrindo a superfície da Placa das Caraíbas. É também designado mar das Antilhas, por se situar a sudoeste do arco das Antilhas. É limitado ao norte pelas Grandes Antilhas (Cuba, Haiti, República Dominicana e Porto Rico), e ao leste pelas Pequenas Antilhas (Venezuela, Colômbia e Panamá e a oeste pelo México, Belize e Guatemala e Honduras, Nicarágua e Costa Rica). O mar das Caraíbas comunica com o oceano Pacífico através do canal do Panamá. A expressão, Caraíbas ou Caribe, é o nome genérico pelo qual é conhecida a região, que inclui o mar das Caraíbas e os territórios continentais, e ilhas na mesma zona.

O nome deriva dos caraíbas (ou caribes), nome utilizado para descrever a etnia ameríndia predominante na região, na época do primeiro contato com os europeus, nos finais do século XV. O navegador italiano Américo Vespúcio, afirmava que o termo Charaibi, entre os indígenas, significava "homens sábios", e é possível que este termo, fosse utilizado para descrever os europeus e a sua chegada à América. Depois do descobrimento das Índias Ocidentais, por Cristóvão Colombo, o termo espanhol Antilhas era comum para este lugar; derivado dele, o "mar das Antilhas", tem sido um nome comum para o mar das Caraíbas em vários idiomas europeus. 

Os primeiros habitantes das Antilhas foram os taínos, uma tribo sedentária, com crenças religiosas de caráter politeísta, e que se destacavam por ser bons agricultores, pescadores e oleiros; a sua língua deriva da dos arawak, família da qual procederam, migrando desde a América do Sul, há aproximadamente três mil anos. O mar das Caraíbas era um corpo de água desconhecido para a Europa e Ásia até 1492, quando Cristovão Colombo o navegou pela primeira vez, ao tentar encontrar uma rota marítima para a Índia. Depois do descobrimento das suas ilhas, a área foi rapidamente colonizada pela civilização ocidental, convertendo-se num local comum para as rotas comerciais europeias, e eventualmente atraentes para a pirataria.

O oceano Atlântico entra nas Caraíbas através da Passagem de Anegada, entre as Pequenas Antilhas e as ilhas Virgens, e da Passagem dos Ventos, localizada entre Cuba e Haiti, a qual é uma importante rota entre os Estados Unidos e o canal do Panamá. O canal do Iucatão liga o mar das Caraíbas ao golfo do México, entre a península do Iucatão, no México e a ilha de Cuba. A linha costeira das Caraíbas tem muitos golfos e baías, incluindo o golfo da Venezuela, o golfo de Morrosquillo, o golfo de Darién, o golfo dos Mosquitos, e o golfo das Honduras. O mar das Caraíbas é um mar com características mediterrânicas, e estima-se que tenha entre 160 a 180 milhões de anos, e que se tenha formado através de uma fratura horizontal que dividiu o supercontinente Pangea, ocorrido durante o Mesozoico. 

A superfície do mar das Caraíbas divide-se em cinco bacias oceânicas, separadas por algumas cadeias montanhosas submarinas. 

A pressão exercida pela Placa Sul-Americana, no oriente do mar, permite que a região das Pequenas Antilhas, tenha alta atividade vulcânica, como a que ocorreu no Monte Pelée em 1902, que matou muitos.  Seu solo tem duas fossas oceânicas: a fossa do Caimão e a fossa de Porto Rico, as quais colocam a área num alto risco sísmico. Os sismos submarinos ameaçam a geração de tsunamis, que poderiam ter efeitos devastadores nas ilhas. Os dados históricos científicos revelam que durante os últimos 500 anos ocorreram na área, 12 sismos com uma magnitude superior a 7,5 na escala de Richter. As correntes das Caraíbas transportam quantidades consideráveis de água desde o oceano Atlântico, através dos passos orientais nas Pequenas Antilhas, até o noroeste, no golfo do México, através do canal do Iucatão. 

Em média, até 20% da água da superfície que entra nas Caraíbas, provêm das águas doces dos estuários dos rios Orinoco e Amazonas, conduzidas a noroeste pela corrente Caribenha. Por outro lado, a água descarregada pelo Orinoco durante os meses de chuva, geram grandes concentrações de clorofila na zona oriental do mar. 

Entre o norte da Colômbia e a Nicarágua, existe durante quase todo o ano uma corrente circular, que gira no sentido contrário dos ponteiros do relógio. Esta corrente é gerada pelas fortes precipitações na região, que também podem reduzir a temperatura, aumentar a salinidade e a densidade da água, transportando alguns nutrientes para a água, como azoto, fósforo e outros utilizados pelas plantas. O maior rio que desemboca na bacia hidrográfica do mar das Caraíbas, é o Magdalena, que atravessa a Colômbia desde o Maciço Colombiano. 

Por sua vez, o Magdalena recebe o caudal de outros rios, como o Cauca e o Cesar. Há diversos outros rios que desembocam nas Caraíbas, provenientes da Venezuela, da Colômbia, do Panamá, da Nicarágua, da Costa Rica, de Honduras, da Guatemala, de Belize, do México, de Cuba, da República Dominicana, da Jamaica e de Porto Rico. Os estuários que se formam na foz dos rios, criam ecossistemas e condições de vida especiais. 

As condições ecológicas básicas neste meio são: uma salinidade que flutua ao longo do ano, transporte de águas doces, carregadas com matéria orgânicas e nutrientes, que contribuem para a produtividade biológica, carregam sedimentos que turvam o meio, e influenciam o permanente fluxo de águas marinhas costeiras, que nas Caraíbas, são mais claras, e menos férteis que as de qualquer estuário. Também se destaca o lago de Maracaíbo, que se liga às Caraíbas através do golfo da Venezuela, que é o maior lago da América do Sul, e um dos mais antigos da Terra. 

O clima das Caraíbas é influenciado pelas correntes oceânicas do Golfo e de Humboldt. Sua localização tropical ajuda a manter uma temperatura alta moderada, durante o ano. As Caraíbas é um lugar onde ocorrem alguns furacões do hemisfério ocidental. A temporada de furacões ocorre entre Junho e Dezembro, e com maior força, entre Agosto e Setembro. Anualmente, ocorrem 9 tempestades tropicais, e 5 alcançam a intensidade de furacão. 

De acordo com o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos, ocorreram nas Caraíbas, 385 furacões entre 1494 e 1900. As correntes de ar que se desenvolvem na costa oeste de África, atravessam o oceano Atlântico, e algumas destas convertem-se em tempestades tropicais, que podem converter-se em furacões do Atlântico, especialmente, em áreas de baixa pressão ao leste. 

Dentre os históricos furacões mais devastadores, destaca-se o furacão São Calisto II, em 1780, que passou pelas Pequenas Antilhas, Porto Rico, República Dominicana, e possivelmente na Florida, deixando até 24 mil mortos, e o furacão Mitch, que se originou nas Caraíbas colombianas, percorreu a América Central até à península do Iucatão e da Florida em 1998, causando até 18 mil mortos. Os furacões são um problema anual para as ilhas das Caraíbas, devido à sua natureza destrutiva. 

Os recifes de coral também se encontram em perigo de destruição pelos furacões, neles são depositadas grandes quantidades de areia, barro, sedimentos e rochas. Cerca de 9% dos recifes de coral do planeta estão nas Caraíbas, muitos deles localizados no largo das ilhas das Caraíbas, e na costa da América Central. Entre eles destaca-se a Barreira de Coral de Belize, que foi declarada patrimônio da humanidade em 1996, e faz parte do Grande Recife Maia (Sistema Arrecifal Mesoamericano), com mais de mil km de extensão, sendo o segundo maior do mundo, cobrindo as costas caribenhas do México, Belize, Guatemala e Honduras. Atualmente as correntes de água quente colocam em perigo os recifes de coral das Caraíbas. Nos recifes de coral há alguns dos mais diversos habitats do mundo, mas são ecossistemas muito frágeis. 

Quando as águas tropicais superam os 30 °C por muito tempo, as zooxantelas morrem. Estas plantas providenciam alimento aos corais, e conferem-lhes a sua cor. O branqueamento dos recifes de coral mata-os, e danifica o ecossistema. Mais de 42 espécies de corais sofreram branqueamento completo, e 95% estão a sofrer algum tipo de branqueamento. O habitat mantido pelos recifes é crítico para algumas atividades turísticas, como a pesca e o mergulho, que providenciam renda econômica para as nações das Caraíbas. A contínua destruição dos recifes pode deteriorar a economia da região. Em 1986 entrou em vigor o protocolo da convenção, ratificado por 12 nações, para a proteção e desenvolvimento do ambiente marinho na região, visando proteger a vida marinha através da proibição de atividades humanas.

Mar de Sulu: 
O mar de Sulu é uma parte do oceano Pacífico, partilhado pela Malásia e Filipinas, que é limitado a nordeste, pelas ilhas Visayas, a leste e sueste pelas ilhas de Mindanau, e a sudoeste pela costa norte de Bornéu, onde se encontra o estado malaiode Sabah, e a noroeste, pela ilha Palawan.  

Mar das Filipinas: 
O mar das Filipinas é uma área mal definida do oceano Pacífico, que alguns geógrafos individualizam e delimitam com as Filipinas, a Formosa, e as ilhas Ryukyu a oeste, o Japão a norte, e as cadeias de ilhas do bordo oriental da bacia das Filipinas a leste (ilhas Bonin ou Ogasawara, ilhas Marianas, e ilhas Carolina).

Mar das Flores: 
O mar das Flores é um mar do oceano Pacífico, no limite do Oceano Índico, próximo ficam do mar de Java, mar de Banda, mar de Savu e o estreito de Macáçar. As ilhas que circundam este mar são as Pequenas Ilhas da Sondae, Celebes (Sulawesi), e as ilhas menores de Tanahjampea, Boneogeh, Bonerate e Kalaotoa.

Mar de Banda: 
O mar de Banda é uma parte do oceano Pacífico, localizada a sudoeste das ilhas Molucas, ao noroeste pela ilha Celebes, e ao sul, pelo Timor e outras pequenas ilhas de Sonda. Faz parte das águas territoriais da Indonésia, e banha as Molucas do Sul. As ilhas existentes separam-no do mar de Halmahera e do mar de Ceram. Os sismos são muito frequentes na região, devido à confluência de três placas tectônicas - a da Eurásia, a do Pacífico, e a Indo-Australiano.

Mar de Arafura: 
O mar de Arafura é uma parte do oceano Pacífico, localizado ao sul das ilhas Molucas e da Nova Guiné, e ao norte da Austrália. Ao oeste se encontra o mar de Timor, ao sul, o golfo da Carpentária, e ao leste, comunica com o mar de Coral, através do estreito de Torres. A fossa de Aru  separa-o do mar de Banda. O mar assenta na plataforma de Arafura, que é constituída de crosta continental.

Mar de Timor: 
O mar de Timor é uma extensão de oceano entre a ilha de Timor, dividida entre a Indonésia e Timor leste, e o Território do Norte, na Austrália. As águas ao leste são conhecidas como ar de Arafura, e ao oeste, fica o Oceano Índico. Considera-se que o mar de Timor pertença a este oceano, e também há quem o associe ao oceano Pacífico.

Mar de Ross: 
O Mar de Ross é um mar localizado no Oceano Antártico, ao sul da Nova Zelândia. Seu nome é uma homenagem ao inglês, James Clark Ross, que em 1840, comandou uma expedição à Antártida, e em 1842, quebrou o recorde de penetração meridional, invadindo as geleiras do atual mar de Ross. Ross também foi o descobridor do polo sul magnético.

Mar de Amundsen: 
O mar de Amundsen é um mar localizado no oceano Antártico, ao norte da costa da Terra de Marie Byrd, e permanentemente coberto por gelo, cuja camada, que chegava a 3 km de espessura, está diminuindo, devido ao aquecimento global. O seu nome homenageia Roald Amundsen, o explorador norueguês que explorou a área, em 1929.

Mar de Bellingshausen: 
O mar de Bellingshausen é um mar a oeste da península Antarctica, entre a ilha Alexandre I, e a ilha Thurston. Seu nome é em homenagem ao Almirante Thaddeus Bellingshausen, que explorou a zona, em 1821.

Mar da Irlanda: 
Denominado Oceanus Hibernicus pelos Romanos, este mar separa as ilhas da Grã-Bretanha e da Irlanda. O mar da Irlanda é de difícil navegação, devido às suas fortes correntes costeiras. Os principais portos situados nele são os portos de Liverpool e Dublin.

Mar de Barents: 
O mar de Barents é parte do oceano Glacial Ártico, situado no norte da Noruega e da Rússia. Recebeu o nome do navegador neerlandês, Willem Barents. Os portos de Murmansk, na Rússia, e de Vardø, na Noruega, permanecem livres de gelo durante todo o ano, devido à ação da corrente do Atlântico Norte, uma corrente quente, ligada à corrente do Golfo. Os maiores arquipélagos do mar de Barents são os da Nova Zembla (Rússia), e o de Svalbard (Noruega). A contaminação nuclear, dos despejos de reatores navais russos, constitui um sério problema ambiental no mar de Barents; que é o centro de extração de petróleo desde a década de 70, tanto na parte norueguesa, como na russa.

Mar de Kara: 
O mar de Kara faz parte do oceano Ártico, a norte da Sibéria. Está separado do mar de Barents, a oeste, pelo estreito de Kara, onde se situa o mar de Laptev. O mar de Kara recebe pequenas quantidades de água doce dos rios Ob, Ienissei, Taz, Pyasina e Taimir, variando assim, elevadamente a sua salinidade, ao longo do tempo. A exploração de petróleo e gás natural nesta zona vem sendo estudada.

Mar de Beaufort: 
O mar de Beaufort faz parte do oceano Ártico, e fica situado ao norte dos territórios do noroeste, e de Yukon (províncias do Canadá) e do Alasca, ao norte da América do Norte, e a oeste do Arquipélago Ártico Canadiano. Seu nome é uma homenagem ao hidrógrafo irlandês, Sir Francis Beaufort.

Mar de Chukchi: 
O mar de Chukchi, também chamado de Tschuktschen, situa-se no oceano Ártico, entre Chukotka, ao leste da Sibéria, e de Point Barrow, no Alasca. Ele é composto de uma plataforma continental, que ao sul se estreita em forma de ampulheta, dando origem ao estreito de Bering.

Na próxima semana, continua a terceira e última parte, da História dos Mares!


Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute
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