A História dos Mares III



Mar de Weddell
O mar de Weddell é parte do oceano Antártico. Suas fronteiras terrestres são definidas pela baía formada pela costa de Coats Land e a Península Antártica. A parte sul deste mar, até a ilha Elefante, fica gelada permanentemente, sendo conhecida como a plataforma Filchner-Ronne. O mar de Weddell faz parte das reivindicações argentinas na Antártida. É o mar mais limpo do mundo, de acordo com diversas pesquisas.Seu nome se deve ao explorador britânico, James Weddell, que o explorou até o paralelo 74°s em 1823. No entanto, foi o escocês, William Bruce, de 1902 a 1904, quem o explorou mais detalhadamente. 

Nessa mesma época, e expedição do explorador sueco, Otto Nordenskjöld, teve um destino trágico. Seu navio, o Antarctic, ficou prisioneiro das águas congeladas, e afundou em 1903. A tripulação conseguiu chegar à ilha Paulet, após 16 dias de marcha, onde construiu iglus e passou o inverno, até serem resgatados, 10 meses mais tarde. As ruínas dessa epopeia existem até hoje. Um destino similar teve o navio do explorador Ernest Henry Shackleton, o Endurance, que em 1916, tornou-se prisioneiro do gelo e foi esmagado. Sua tripulação, assim como a de Nordenskjöld, também conseguiu ser resgatados meses mais tarde, na ilha Elefante. Pesquisadores acreditam que foi no mar de Weddell que começou a quebra do antigo continente Gondwana.  

Mar de Bering
O mar de Bering é uma extensão marítima no extremo norte do oceano Pacífico. No tempo da Rússia Imperial, as terras do Alasca pertenciam à Rússia, e em 1867, os EUA compraram as terras do Alasca por 7,2 milhões de dólares. Os EUA ficaram com as costas orientais do estreito de Bering, cujo mar é parte integrante do oceano Pacífico. Limita-se ao extremo norte, pelo estreito de Bering, que faz a separação entre o mar de Chuckchi, parte integrante do oceano Ártico, e o mar de Bering. Ao norte e a leste, limita-se com o estado norte-americano do Alasca, a oeste com a região da Sibéria, e da península de Kamchatka, na atual Federação Russa, e ao sul, com a península do Alasca e as ilhas Aleutas. 

A baía de Bristol separa a península do Alasca do território em si. O nome do mar é uma homenagem rendida ao navegador dinamarquês, Vitus Bering, que a serviço do Império Russo, em 1728 foi o primeiro europeu a realizar uma exploração sistemática da área, navegando em direção ao norte, proveniente do oceano Pacífico, em direção ao oceano Ártico.

Uma teoria ainda predominante, porém debatida, é que durante a última glaciação, o nível do mar foi suficientemente baixo, para que houvesse uma migração de povos, e de diversos animais da Ásia, para a América do Norte, pelo estreito de Bering. Tal teoria recebe o nome de Ponte Terrestre de Bering, e ainda permanece no meio científico, ao afirmar que foi ali, o primeiro ponto de entrada do ser humano, através do continente americano. 

O ecossistema do mar de Bering apresenta uma diversidade de recursos, partilhada entre os EUA e a Federação Russa, bem como áreas de águas internacionais, na região do chamado Donut Hole (literalmente “buraco da rosquinha”). A interação entre correntes marítimas, geleiras e clima, proporciona um ecossistema prolífico. Há uma pequena área do mar de Bering, ocupado pela placa de Kula, uma das placas tectônicas, que formam a crosta do planeta Terra. Durante o período Triásico, a placa de Kula costumava localizar-se logo abaixo do que é hoje o território do Alasca.

As principais ilhas do mar de Bering são: Ilhas Pribilof, Ilhas Komandorski  (incluindo em sua área a ilha de Bering), Ilha de São Lourenço, Ilhas Diomedes, Ilha do Rei, Ilha de São Mateus, Ilha Karaginski e Ilha Nunivak. E suas principais regiões são: o estreito de Bering, a Baía de Bristol, o Golfo do Anadyr, e o Norton Sound. O mar de Bering abriga uma diversa vida marinha, onde várias espécies de baleias ameaçadas têm seu habitat ali; como a baleia da Groenlândia, a baleia azul, a baleia boreal (a mais rara de todas), a baleia franca do pacífico, além de morsas, leões-marinhos, focas, baleias beluga, orcas e ursos-polares. 

Mar de Sargaços
O mar de Sargaços é uma região alongada no meio do Atlântico Norte, cercado por correntes oceânicas.Os marujos portugueses foram um dos primeiros a descobrir a região, no século XV, Cristóvão Colombo e seus homens, também depararam com o mar de Sargaços, e fizeram relatos sobre a grande quantidade de algas em sua superfície, quando cruzaram o Atlântico, rumo à América, em 1492. O almirante cartaginês, Himilco, já havia feito descrições similares após cruzar as Colunas de Hércules. Devido à sua proximidade com as Bermudas (e com o Triângulo das Bermudas), acredita-se que o mar seja o responsável por alguns dos estranhos desaparecimentos ali ocorridos. Além disso, seu estigma é reforçado por ele algumas vezes ficar com total ausência de vento em sua superfície, e levar embarcações modernas a se enredarem nos sargaços, e ficar encalhadas, o que o faz ser citado em muitos casos, como um cemitério de navios.

Mar Vermelho
O mar Vermelho é um golfo do oceano Índico, entre a África e a Ásia. Ao sul, o mar Vermelho se comunica com o oceano Índico, pelo estreito de Bab El Mandeb, e o golfo de Aden. Ao norte, se encontram a península do Sinai, o golfo de Aqaba, e o canal de Suez (que permite a comunicação com o mar Mediterrâneo). O mar Vermelho é famoso pela exuberância de sua vida submarina, sejam as inúmeras variedades de peixes, ou os magníficos corais. A superfície do mar Vermelho possui uma população de mais de mil espécies de invertebrados, 200 espécies de corais, e 300 espécies de tubarões. A visibilidade se mantém relativamente boa até 200 m de profundidade, mas os ventos podem surgir rapidamente, e as correntes se revelarem traiçoeiras. 

Sua criação se deve à separação das placas tectônicas da África, e da península arábica, há cerca de trinta milhões de anos, cujo movimento continua ocorrendo até hoje, o que explica a existência de uma atividade vulcânica nas partes mais profundas, e nas margens. Admite-se que o mar Vermelho irá se transformar em um oceano. O mar Vermelho é um destino turístico privilegiado, principalmente para os amantes de mergulho submarino. Os países banhados pelo mar Vermelho são: Arábia Saudita, Djibuti, Egito, Eritreia, Iêmen, Israel, Jordânia e Sudão.

Ao contrário do que possa parecer, o mar Vermelho, braço do oceano Índico, entre a costa da África e a Península Arábica, não tem esse nome por causa de sua cor, porque de longe, suas águas têm uma cor azulada, e bastante límpida, o que faz da região local para prática de mergulho. A mais provável origem do nome se deve ás bactérias trichodesmium erythraeum, presentes na superfície da água. Durante sua proliferação, elas deixam o mar com manchas avermelhadas, em alguns lugares. Outra possibilidade sejam as montanhas ricas em minerais na costa arábica, apelidadas de "montanhas de rubi", por antigos viajantes da região.

Golfo de Aden
O golfo de Aden é uma reentrância no norte do oceano Índico, à entrada do mar Vermelho, entre a costa norte da Somália, e a costa sul da península arábica. Seu nome provém da cidade de Aden, no Iêmen, na extremidade sul daquela península. Este mar marginal foi formado há cerca de 35 milhões de anos, com a separação das placas tectônicas africanas e arábica, e faz parte do sistema do Grande Vale do Rift. O golfo de Aden, é uma via marítima essencial para o petróleo do golfo Pérsico, tornando-o muito importante para a economia mundial. Possui muitas variedades de peixes, corais e outras criaturas marinhas, devido a sua baixa poluição. Os principais portos são Aden (no Iêmen), Berbere e Bosaso (na Somália).
Ele não é considerado seguro, visto que a Somália, que lhe é limítrofe, é um país instável, e o Iêmen não possui forças de segurança suficientes na região. É uma das principais áreas de pirataria mundial, extremamente perigosa para a navegação. Além disso, vários ataques terroristas foram efetuados no golfo, como o do USS Cole.

Golfo Pérsico
O golfo Pérsico é um golfo localizado no Oriente Médio, como um braço do mar da Arábia, entre a península da Arábia e o Irã. É um mar interior, ligado ao mar da Arábia, a leste pelo estreito de Ormuz, e pelo golfo de Omã, e com seu limite a oeste, marcado pelo delta do Shatt Al-Arab, chamado Arvand-Rood pelos iranianos; que carrega as águas dos rios Eufrates e Tigre. Os países com litoral banhado pelo golfo Pérsico, em ordem horária, são: Omã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Qatar (que ocupa uma península avançada sobre o golfo), Bahrein (uma ilha no golfo), Kuwait, Iraque, e Irã. 

Todos estes países, com exceção do Iraque e do Irã, formam uma união econômica denominada Conselho de Cooperação do Golfo. O golfo Pérsico, e suas áreas costeiras, é a mais rica, e a mais usada fonte de petróleo do mundo; as indústrias derivadas da sua extração e refino dominam a região. Existem diversas ilhas no golfo, algumas das quais são contestadas por estados vizinhos.  Seu nome foi emprestado de numerosas línguas antigas (inclusive o grego), sendo utilizado amplamente desde a Antiguidade, em razão de ali ter existido a Pérsia (onde hoje é o Irã). 

Na década de 60, com o surgimento do nacionalismo árabe, os países da região passaram a chamar o golfo de "golfo da Arábia". O Irã, então, enviou duas petições para as Nações Unidas (em 1971 e 1984) exigindo o reconhecimento oficial da região, como "golfo Pérsico". A maioria dos países denomina a região, como golfo Pérsico, mas alguns países árabes usam o termo golfo da Arábia, ou simplesmente “o Golfo", havendo ainda uma proposta, para denominá-lo: "o golfo entre o Irã e a península Arábica".

Mar de Aral
O mar de Aral era um lago de água salgada, localizado na Ásia Central, entre as províncias cazaques de Aqtöbe e Qyzylorda (ao norte), e a região autônoma usbeque de Caracalpaquistão (ao sul). O nome (em português, Mar das Ilhas) refere-se às mais de 1500 ilhas presentes em seu leito. Este já foi o quarto maior lago do mundo, mas em 2007, ele já havia se reduzido a 10% de seu tamanho original, e em 2010, estava dividido em três porções menores, e em avançado processo de desertificação. O recuo do mar de Aral, também já teria provocado mudanças climáticas locais, com verões cada vez mais quentes e secos, e invernos mais frios e longos. Atualmente, existe um esforço contínuo no Cazaquistão, para salvar e recuperar o norte do mar de Aral, através do projeto de uma barragem (concluída em 2005), onde em 2008, o nível de água já havia subido 12 metros, a partir de seu nível mais baixo, em 2003. A salinidade caiu, e os peixes são encontrados em número suficiente, para tornar a pesca viável. No entanto, a perspectiva para o mar remanescente do sul, permanece sombria, e tem sido chamada de "um dos piores desastres ambientais do planeta".

O lago localiza-se numa bacia hidrográfica endorreica, onde as águas das precipitações e rios correm para uma depressão no solo, em um ponto fechado, onde se acumulam. No período Terciário (68 a 1,8 milhão de anos atrás), provavelmente aquela depressão estava conectada ao mar Cáspio, ao mar Negro, e a outro lagos, próximos de mesma origem geológica, e também de formação endorreica. Durante o Pleistoceno (de 1,8 milhão até 20 mil anos atrás), certamente ocorreu uma separação e o isolamento final do mar de Aral, porém, ele continuou a ser alimentado com as águas dos rios Amu Daria e Syr Darya, tornando-o, um verdadeiro oásis no deserto da Ásia Central. Com o tempo, a água do lago passou a concentrar todo o sal trazido pelos rios, uma vez que a água acumulada continuou evaporando por milhares de anos.

As nascentes dos dois rios afluentes ficam nas altas montanhas do sistema do Himalaia, a 2000 km distantes da foz. Durante esta extensão, os rios cortam quatro países: Afeganistão, Tadjiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão, sendo uma preciosa fonte de recursos naturais, com grande variedade biológica, em meio ao clima desértico. A indústria pesqueira era a principal atividade econômica da região. No século XX, os dois rios passaram a receber lixo, esgoto e poluentes, com o desenvolvimento das comunidades próximas, e foi alvo de sucessivas drenagens, pelo governo soviético das repúblicas da Ásia Central. A partir de 1920, o fluxo dos rios diminuiu consideravelmente. A presença militar russa no mar de Aral começou em 1847, com a fundação da Raimsk, que o rebatizou de Aralsk, perto da foz do Syr Darya. Logo, a Marinha Imperial Russa, começou a implantar os seus navios no mar. 

Devido à bacia do mar Aral não estar ligada a outros corpos de água, os navios tiveram que ser desmontados em Orenburg, no rio Ural, e enviados por terra para Aralsk (por uma caravana de camelos), e então remontados. Os dois primeiros navios, montados em 1847, eram as escunas de dois mastros, chamado Nikolai e Mikhail. O primeiro foi um navio de guerra, enquanto o último, um mercante que servia para o estabelecimento da pesca no lago grande. Em 1848, estes dois navios pesquisaram a parte norte do mar, e no mesmo ano, um grande navio de guerra, Constantino, também foi montado, e comandado pelo Tenente, Alexey Butakov, e concluiu o levantamento de todo o mar de Aral, em dois anos. 

O exilado poeta e pintor ucraniano, Taras Shevchenko, participou da expedição, e pintou uma série de esboços da costa do mar de Aral. Para a navegação, em 1851, dois navios recém-construídos chegaram da Suécia, até Orenburg. Como os levantamentos geológicos não tinham encontrado nenhum depósito de carvão na região, o Governador Militar, ordenou um vasto fornecimento de Haloxylon (um arbusto do deserto, parecido com o arbusto de creosoto), para ser recolhido em Aralsk, e ser usado pelos novos vapores. Infelizmente, a madeira do Haloxylon não resultou num combustível muito apropriado, e nos últimos anos a frota de Aral foi provida, pelo carvão da bacia Donets. O governo soviético começou a desviar parte das águas dos rios que alimentavam o mar de Aral, o Amu Darya (ao sul) e o Syr Darya (no nordeste), em 1918. Com o fim da I Guerra Mundial, houve a necessidade de aumentar a produção de alimentos, como arroz, cereais e melões, e também planos de se produzir algodão no deserto, próximo ao lago, o chamado “ouro branco”.

Em 1940, a construção dos canais de irrigação que captavam água dos afluentes do mar de Aral foi acelerada. O conhecimento rudimentar da técnica, e engenharia, produziu canais mal construídos, e houve perda de até 75% de toda a água captada, em vazamentos e evaporação. No início, a irrigação das plantações, consumia 20 km³ de água por ano, porém, em ritmo crescente. Na década de 60, a maior parte do abastecimento de água do lago, tinha sido desviada, e o mar de Aral, começou a perder tamanho. De 1961 a 1970 o lago baixou 20 cm por ano, e essa taxa cresceu 350% até 1990. Em 1987, a redução contínua do nível da água, levou ao aparecimento de grandes bancos de areia, causando uma separação em duas massas de água, formando o Aral do Norte (Pequeno Aral) e o Aral do Sul (Grande Aral).

A quantidade de água retirada dos rios que abasteciam o mar de Aral duplicou entre 1960 e 2000, assim como a produção de algodão. No mesmo período, o Uzbequistão tornou-se o 3º maior exportador de algodão do mundo. Como consequência da redução do volume de água, a salinidade do lago quase quintuplicou, e matou a maior parte de sua fauna e flora naturais. A próspera indústria pesqueira faliu, assim como as cidades ao longo das margens, causando desemprego e dificuldades econômicas. As poucas águas do mar de Aral também ficaram fortemente poluídas, em grande parte como resultado de testes com armamentos, e projetos industriais, além do uso maciço, de pesticidas, e de fertilizantes. As pessoas passaram a sofrer com a falta de água doce, e as culturas na região, destruídas pelo sal depositado sobre a terra. Nos últimos anos, o vento tem soprado sal a partir do solo seco e poluído, e causado danos à saúde pública. 

Há duas suposições para explicar o processo de desertificação do mar de Aral:

Fenômeno Natural: O mar estaria morrendo naturalmente, devido a fatores climáticos e geológicos (suposição defendida oficialmente pelo governo soviético no início do fenômeno);

Fenômeno Antropogênico: O desvio das águas dos rios, que desembocam no mar de Aral, estaria causando o problema (suposição mais defendida e aceita atualmente).

A tragédia foi contada no filme “Psy”, de Dmitri Svetozarov. O futuro do mar de Aral é incerto, não se sabe se é possível, viável, e necessário recuperá-lo. Há diversas sugestões no sentido de ajudar em sua recuperação, tais como: Melhorar a eficiência dos canais de irrigação; Instalar estações de dessalinização de água; Instruir os agricultores a usar menos as águas dos rios; Plantar algodão que necessite de menos água; Usar menos produtos químicos nas plantações; Reduzir o número de fazendas de algodão próximas ao lago e afluentes; Construir barragens para encher o mar de Aral; Desviar água dos glaciares da Sibéria, para repor a água perdida do Aral; Redirecionar a água dos rios Volga, Ob e Irtich, restaurando-se em 20 ou 30 anos, a sua antiga dimensão; e diluir a água do Aral com água do oceano, e do mar Cáspio, através de bombas e gasodutos.

A parte final da História dos Mares continua na semana que vem!




Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute 
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