A História dos Mares



Mar Mediterrâneo
O mar Mediterrâneo é um mar localizado no Atlântico oriental, entre a Europa meridional, a Ásia ocidental e a África setentrional. É o maior mar continental do mundo. As águas do mar Mediterrâneo banham as três penínsulas do sul da Europa: Ibérica (Portugal e Espanha), Itálica (Itália) e a dos Bálcãs (região da Grécia). Suas águas deságuam no oceano Atlântico, através do estreito de Gibraltar, e no mar Vermelho (no Canal de Suez). As águas do mar Negro também deságuam no Mediterrâneo, através dos estreitos do Bósforo e dos Dardanelos. As águas do Mediterrâneo geralmente são quentes, devido ao calor vindo do deserto do Saara, fazendo com que aqueça praticamente todo o Sul da Europa.  

Desde a Antiguidade, o mar Mediterrâneo foi uma zona privilegiada de contatos culturais, intensas relações comerciais e de constantes enfrentamentos políticos. Às margens do Mediterrâneo floresceram, desenvolveram-se, e desapareceram importantes civilizações, alguns dos povos que habitaram as costas do mar Mediterrâneo foram os Egípcios, Cananeus, Fenícios, Hititas, Gregos, Cartagineses, Romanos, Macedônios, Berberes, Genoveses e Venezianos. Um dos fatos marcantes da história da região aconteceu em 1453, quando os otomanos tomaram a cidade de Constantinopla (atual Istambul), e fecharam o Mediterrâneo oriental, impedindo a penetração europeia. Esta foi uma das razões que teria impelido portugueses e espanhóis, a se aventurarem pelo Atlântico, em busca do caminho das Índias.

Na segunda metade do século XVIII, a Inglaterra e a França, foram ampliando suas influências sobre a região, aproveitando a gradativa decadência otomana, e ao mesmo tempo, tentando impedir a expansão da Rússia. A Inglaterra, que foi afirmando-se cada vez mais como grande potência marítima, se estabeleceu em alguns pontos estratégicos (Gibraltar e ilhas de Malta e Chipre), que se transformariam em importantes bases navais. Em 1869, com a abertura do Canal de Suez, obra construída por um consórcio franco-britânico, o Mediterrâneo oriental passou a integrar as grandes rotas do comércio internacional, passando a ter um papel relevante nas relações políticas e comerciais das potências europeias. 

Com o fim da Primeira Guerra Mundial (1914/1918), consolidou-se a supremacia britânica, num momento em que o Mediterrâneo se transformava numa artéria vital para a Europa, em função de estabelecer uma ligação mais rápida e econômica entre as áreas consumidoras e produtoras de petróleo, estas últimas, situadas no Oriente Médio. Algumas décadas depois, no fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, o Mediterrâneo, assim como quase todas as áreas do mundo, encaixou-se imediatamente nos esquemas do jogo de influências e alianças engendradas pela Guerra Fria. Com a criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), os EUA substituíram gradativamente, os britânicos como potência dominante do Mediterrâneo.

Todavia, os processos conflituosos de independência de uma série de colônias europeias, situadas especialmente no norte da África, a pressão exercida pela crescente expansão da marinha soviética, os vários conflitos entre países árabes e Israel, e as tradicionais rivalidades entre países da região, transformaram o Mediterrâneo numa área de frequentes tensões geopolíticas. Dezoito países possuem terras banhadas pelo Mediterrâneo, eles apresentam grandes diferenças no que se refere ao tamanho, à evolução histórico-cultural, e ao nível de desenvolvimento.

Mar Adriático
O mar Adriático é uma parte do mar Mediterrâneo, um golfo muito alongado fechado ao norte, que banha o norte e o leste da Itália, e o oeste da península balcânica. Os países banhados pelo mar Adriático são a Itália, a Eslovênia, a Croácia, a Bósnia e Herzegovina, o Montenegro e a Albânia. O mar Adriático possui diversos portos importantes, destacando-se Veneza e Trieste, que foi por muito tempo a saída marítima do Império Austro-Húngaro para o mar Mediterrâneo.  

Mar de Alborão
O mar de Alborão é a parte mais ocidental do mar Mediterrâneo, limita a norte com a costa da Andaluzia, a sul com a costa nordeste do Marrocos, e a oeste com o estreito de Gibraltar, que liga o Mediterrâneo com o Atlântico. As suas águas cobrem desde o estreito de Gibraltar até o cabo de Gata.

Mar Egeu
O mar Egeu é um mar interior da bacia do mar Mediterrâneo situado entre a Europa e a Ásia. Estende-se da Grécia, a oeste, até a Turquia, a leste. Ao norte, possui uma ligação com o mar de Mármara e o mar Negro através do Dardanelos e do Bósforo. Diversas ilhas estão localizadas no mar Egeu, inclusive Creta e Rodes que formam o seu limite meridional. O mar era tradicionalmente conhecido como arquipélago, devido a sua importância para os gregos. O termo também se aplicava ao conjunto das ilhas do Egeu, e posteriormente, veio a designar qualquer conjunto de ilhas.

Havia várias explicações propostas para a origem do nome, desde a idade antiga, e dizia-se, que a origem seria em virtude da cidade grega de Aegae, ou a Egeia, rainha das Amazonas que morreu no mar, ou a Aigaion, um dos nomes de Briareu, um dos arcaicos Centímanos, ou especialmente entre os atenienses, Egeu, pai de Teseu, que se arrojou ao mar, ao concluir, erroneamente, que seu filho estava morto. O mar Egeu foi colonizado pelos gregos, há mais de quatro milênios. Até 1922, com o tratado de Lausanne que cedia à Turquia a costa oriental, todas as ilhas e costas (do norte, leste, e oeste), o mar Egeu era habitado (em sua maioria) pelos gregos. 

Durante a Idade Antiga, ele propiciou o desenvolvimento da navegação marítima pelos gregos. Suas costas montanhosas e irregulares formam abrigos naturais, e seu grande número de ilhas, permitia navegar sempre à vista de terra. Numerosas ilhas são banhadas pelo mar, cujo limite meridional é marcado pelas ilhas de Citera, Anticitera, Creta, Cárpato e Rodes. As 1.415 ilhas do Egeu, costumam ser divididas em sete grupos: as ilhas do nordeste, Eubeia, as Espórades Setentrionais, a Cyclades, as Sarônicas, o Dodecaneso e Creta. Pertencem à Turquia, as ilhas de Bozcaada e Gökçeada, e o restante, pertence à Grécia.

Mar Jônico
O mar Jônico é um braço do mar Mediterrâneo a sul do mar Adriático, está limitado a oeste pela Itália meridional, incluindo a Calábria e a Sicília, e a leste pelo sul da Albânia, e pelo noroeste da Grécia, em especial as ilhas Jônicas. O mar Jônico separa a península italiana e a Sicília a oeste da Albânia, e da Grécia a leste. Ele se liga ao mar Tirreno, pelo estreito de Messina, e ao mar Adriático, pelo canal de Otranto.

Mar Lígure
O mar Lígure, ou mar da Ligúria, é uma parte do mar Mediterrâneo entre a Riviera Italiana, e as ilhas da Córsega e Elba. Este mar toca as costas de Itália, França e Mônaco, sendo Gênova sua mais importante cidade. A costa noroeste, e o Golfo de Gênova, são famosos por sua beleza cênica e clima favorável. O mar Lígure recebe as águas do rio Arno, que tem origem nos Apeninos, e passa por Florença.

Mar Tirreno
O mar Tirreno é a parte do mar Mediterrâneo que se estende ao longo da costa oeste italiana, entre a Itália, a Córsega, a Sardenha e a Sicília. Além da Córsega, da Sardenha e da Sicília, as principais ilhas do mar Tirreno, são do norte ao sul: Ilha de Elba, Ilhas Pontinas, Ischia, Capri, Ilhas Eólias, e Ilhas Égadi. 

Mar Negro
O mar Negro é um mar interior, situado entre a Europa, a Anatólia, e o Cáucaso, ligado ao oceano Atlântico, através dos mares, Mediterrâneo e Egeu, e por diversos estreitos. O Bósforo o liga ao mar de Mármara, e o estreito de Dardanelos, o conecta a região do Egeu. Estas águas separam o Leste da Europa da Ásia ocidental. O mar Negro também liga o mar de Azov ao estreito de Kerch. Ele forma-se numa depressão, situada entre a Bulgária, a Geórgia, a Romênia, a Turquia e a Ucrânia, e é limitado pelos montes Pônticos, ao sul, e pelo Cáucaso, a leste. As águas mediterrâneas fluem para dentro do mar Negro, como parte de um deslocamento hídrico de duas mãos. A água do mar Negro é mais fria e menos salgada, e, portanto, flutua sobre as águas mais quentes e salgadas, que vêm do Mediterrâneo. Ele também recebe água doce, dos diversos sistemas fluviais da Eurásia, situados ao norte, dos quais o Don, o Dnieper e o Danúbio, são os mais significantes. Seu nome origina-se da presença de grande quantidade de sais minerais, que dão uma coloração escura. Foi conhecido pelos gregos como Ponto Euxino, e pelos turcos e turcomanos, como Karadeniz.

Dardanelos
Dardanelos é um estreito no noroeste da Turquia, ligando o mar Egeu ao mar de Mármara. Assim como o estreito de Bósforo, ele separa a Europa (a península de Gallipoli) da Ásia. A maior cidade próxima ao
Estreito, é Çanakkale, que tem seu nome devido ao seu famoso castelo. O estreito de Dardanelos teve um papel importante ao longo da História (a Guerra de Tróia aconteceu no lado asiático do estreito). Os exércitos persas de Xerxes I, e mais tarde, o exército macedônio de Alexandre, o Grande, atravessaram o estreito de Dardanelos, em direções opostas, para invadir as terras uns dos outros. Tendo importância vital para a armada do Império Otomano, para sua dominação no Mediterrâneo oriental, o estreito sofreu uma tentativa de invasão, com inúmeras perdas humanas pelos aliados, durante a Primeira Guerra Mundial. A Campanha de Galípoli, quase custou à carreira política de Winston Churchill (a aliança perdeu a batalha em 1915).

Bósforo
O Bósforo, a cidade de Istambul, que se situa tanto na Europa quanto na Ásia, possui abaixo o Mar de Mármara, e acima o Mar Negro. O Bósforo é um estreito que liga o mar Negro ao mar de Mármara, e marca o limite dos continentes asiático e europeu, na Turquia. Seu nome significa "passagem do boi", e se refere à história de Io, a jovem amada por Zeus, transformada por ele em boi, e perseguida por uma mosca sugadora de sangue, enviada por Hera, a ciumenta. As margens do estreito são densamente povoadas, como é o caso da cidade de Istambul. 

Duas pontes atravessam o estreito de Bósforo. A primeira, ponte do Bósforo, com 1.074 m, terminada em 1973, e a segunda, ponte Fatih Sultão Mehmet, com 1.090 m, foi terminada em 1988; mais ou menos, a 5 km ao norte da primeira ponte. Marmaray é um túnel ferroviário de 13,7 km, que está em construção, cuja inauguração está prevista para Outubro de 2013. Cerca de 1.400 m de túnel estão previstos para passar sob o estreito, a 55 m de profundidade.

Os gregos chamavam o estreito, de Bósforo da Trácia, assim como chamavam o estreito de Kerch, de Bósforo Cimeriano. Para aumentar a confusão, também chamavam uma área perto do estreito, pelo mesmo nome: o Chersonesus Trácio, conhecido nos dia de hoje como Gallipoli, e o Chersonesus Cimeriano, que corresponde à Península da Criméia. Dada à importância do estreito, na defesa de Istambul, os sultões otomanos construíram uma fortificação em cada lado dele. A anadoluhisarı em 1393, e a Rumelihisarı em 1451. Sua importância estratégica continua em alta, e diversos tratados internacionais, mantêm navios na área, incluindo a Convenção de Montreux, para o Regime dos estreitos Turcos, assinada em 1936. 

Alguns historiadores acreditam que uma imensa enchente, ocorrida por volta de 5.600 A.C.  teria sido a base para a história do dilúvio bíblico, e da Epopeia de Gilgamesh. No estreito do Bósforo, foram travadas muitas batalhas navais entre cristãos e muçulmanos. Uma das mais importantes foi a Batalha de Aquitânia, entre os gregos e os otomanos. Houve batalhas também, onde o Bósforo foi aproveitado para ataques cruzados contra os muçulmanos, e também ataques dos bizantinos, contra os otomanos.

Mar de Azov
O mar de Azov é uma pequena região ao norte do mar Negro, ligado a ele pelo estreito de Kerch. Tem ao norte a Ucrânia, a leste a Rússia (incluindo a Península de Taman), e ao oeste, a península da Criméia. Na Grécia Antiga era conhecido como lagoa Meótida. Os principais rios que deságuam no Azov, são os rios Don e o rio Kuban; que garantem que as águas do mar tenham um teor salino baixo, e também transportam vastos volumes de sedimentos ao mar. O mar de Azov é o mais raso mar da Terra, com uma profundidade máxima de 14 metros. Na verdade, onde o sedimento se depositou como no golfo de Taganrog, a profundidade média, é de menos de 1 m. A corrente principal no mar de Azov é uma corrente anti-horária; e as marés são variáveis, mas podem atingir 5 m. No inverno, extensas porções do mar gelam, e historicamente, o mar de Azov tem uma grande variedade de vida marítima, com mais de 80 espécies de peixes identificadas, assim como 300 variedades de invertebrados. A diversidade e a quantidade vêm sendo reduzidas, pelo excesso de pesca, e pelo excessivo nível de poluição. 

Golfo de Sidra
O golfo de Sidra é uma porção do mar da Líbia, uma parte do mar Mediterrâneo, na costa norte da Líbia, e também conhecido como golfo de Sirte. As águas do golfo de Sidra são as mais quentes, de todas as águas do Mediterrâneo. Esporadicamente, a Líbia afirma que o golfo inteiro é território líbio, entretanto, outros países defendem o padrão internacional de 12 milhas náuticas (22,2 km), como sendo o limite territorial da costa do país. 

Mar de Mármara
O mar de Mármara é um mar interior, que separa o mar Negro do mar Egeu (a parte asiática da Turquia da sua parte europeia), pelo Bósforo e Dardanelos. É envolvido ao norte e ao sul pela Turquia, sendo situado sobre uma falha geológica, responsável por diversos e dramáticos terremotos. Comunica-se ao norte com o mar Negro, pelo Bósforo, e ao sudoeste, com o mar Egeu (Mediterrâneo), pelo estreito de Dardanelos. Há dois grandes grupos de ilhas, conhecidos como ilhas dos Príncipes e de Mármara. O último grupo é rico em jazidas de mármore, derivando assim seu nome (mármara em grego é mármore). Propôntida era o antigo nome grego do mar, onde pro (antes) e pont (mar); os gregos navegavam frequentemente pela Propôntida, para alcançar o mar Negro. 

Mar de Creta
O Mar de Creta situa-se ao norte da ilha de Creta, e ao sul do Mar Egeu e das Cyclades. Ao oeste está o mar Jônico, e o restante, é mar Mediterrâneo.

Canal da Mancha
O canal da Mancha é um braço de mar, parte do oceano Atlântico, e que separa a ilha da Grã-Bretanha, do norte da França, e une o mar do Norte, ao Atlântico. Mancha deriva de “Manche” em francês, e que foi traduzido erroneamente, para “Mancha”, pelos portugueses, e espanhóis. Em francês, “Manche” não quer dizer “Mancha”, e sim, “Manga ou Cabo”. Seu ponto mais estreito (o estreito de Dover) tem apenas 33 km de Dover, até o cabo Gris Nez. A circulação marítima no canal da Mancha é uma das mais intensas do mundo, com mais de 250 navios por dia. A essa circulação intensa, somas-se os ferries, que ligam a França à Grã-Bretanha, por via marítima. Atualmente, o Eurotúnel constitui uma excelente e rápida alternativa de viagem. As ilhas do Canal localizam-se no interior do canal da Mancha, próximo ao lado francês; e a Ilha de Ouessant, é o ponto de referência da extremidade ocidental do canal.


Na próxima semana, continua a segunda parte da História dos Mares!


Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute
Share on Google Plus

About beirut lebanon

This is a short description in the author block about the author. You edit it by entering text in the "Biographical Info" field in the user admin panel.

0 comments:

Postar um comentário