A Primavera Brasileira!

Foto: Extra Globo

Finalmente o gigante acordou, tardou, mas não falhou. Mais de 200 mil pessoas saíram á rua em diversas cidades, em um protesto inicial, contra o aumento das tarifas do transporte público, o que desencadeou uma sequencia de sucessivas e contínuas manifestações. O Brasil viveu na segunda-feira (17) as maiores manifestações dos últimos anos. Os protestos prolongaram-se durante horas, em diversas cidades. 

No Rio de Janeiro, confrontos entre parte dos manifestantes e a polícia, provocaram um guerrilha urbana. O protesto no Rio mobilizou mais de 100 mil pessoas, que ocuparam pacificamente o centro da cidade. Mas, no final, a violência eclodiu, quando um grupo de manifestantes entrou em conflito com a polícia nas proximidades da Assembleia Legislativa, em virtude dos manifestantes terem tentado ocupar as escadarias do edifício. Os manifestantes reprimidos pela polícia, com gás lacrimogêneo e balas de borracha, lançaram, segundo o jornal O Globo, coquetéis molotov, destruíram carros e danificaram edifícios públicos. Cerca de 30 pessoas ficaram feridas.

Em Brasília, centenas de manifestantes chegaram a ocupar a cobertura do Palácio do Planalto, e em São Paulo, um grupo tentou invadir a sede do governo local. Maceió, Porto Alegre, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Belém, Belo Horizonte e dezenas de outras cidades em todo o país, também foram palco de manifestações. Nas manifestações de segunda-feira, mais de 240 mil pessoas foram às ruas, segundo a imprensa brasileira. Em São Paulo, pelo menos 75 mil pessoas saíram às ruas, segundo o Instituto Data Folha, a manifestação foi pacífica, mas no final um grupo tentou derrubar um portão da sede do Palácio do Governo, segundo a Folha de São Paulo. Na terça-feira (18), novos protestos foram registrados em outras dezenas de cidades, e na última semana e meia, dentre todos os protestos, ocorreram 5 grandes manifestações.

Em Belo Horizonte, mais de 20 mil pessoas participaram do protesto, e para impedir a aproximação dos manifestantes ao Estádio do Mineirão, a polícia usou gás lacrimogêneo e balas de borracha. Em Porto Alegre, 15 mil pessoas manifestaram-se frente à Prefeitura, com palavras de ordem contra o Mundial de futebol, e de desagrado para com os partidos políticos. Houve também confrontos que deixaram, pelo menos, 4 feridos. Em Maceió, houve uma concentração de 3000 pessoas no protesto realizado, em Salvador os manifestantes somavam cerca de 5000 pessoas. Os protestos no Brasil somatizam a insatisfação e contestação em relação ao aumento do transporte público, bem como, os gastos absurdos e milionários na organização para sediar a Copa do Mundo 2014, além, claro, do descontentamento com a classe política, como um todo. 

No início das manifestações, a Repórter da TV Folha, Giuliana Vallone foi alvejada, com uma bala de borracha no olho, enquanto cobria o quarto protesto no centro de São Paulo, contra o aumento da passagem na noite de quinta-feira (13), e o Repórter Fotográfico, Fábio Braga, também foi atingido por dois disparos, sendo um no rosto e outro na virilha. O Repórter, Piero Locatelli, da Revista Carta Capital, foi detido na tarde do dia 13, na Praça do Patriarca, região central de São Paulo, durante a cobertura das manifestações contra o aumento da passagem de ônibus na capital paulista. 

Segundo a revista, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, foi informada da prisão pela redação da  Carta Capital, e entrou em contato com o comando da Polícia Militar, para obter mais informações sobre a prisão. O Fotógrafo do Portal Terra, Fernando Borges, também foi detido. De acordo com informações do portal, "ele portava crachá de imprensa, equipamento fotográfico, e se apresentou como jornalista, mas foi levado pelos policiais". Ele passou 40 minutos detido junto com manifestantes e na sequência, foi liberado. A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) condenou veementemente, a agressão contra o Repórter Fernando Mellis, do Portal R7, e as prisões dos Jornalistas, Leandro Machado, da Folha de São Paulo, Pedro Nogueira, do Portal Aprendiz, e do Fotógrafo, Leandro Morais, do UOL, durante o terceiro protesto na cidade de São Paulo, na terça-feira (11).

Em nota, a entidade afirmou que “enxerga a tentativa de obstrução do trabalho de cobertura das manifestações”, e considerou, “preocupante que esta ação contrária ao trabalho da imprensa, parta do Estado, e justamente da PM, mandada à rua para manter a ordem e garantir direitos”. Detidos sob a alegação de que "atrapalhavam a ação da polícia”, Leandro Machado e Leandro Morais, foram levados para a delegacia dos Jardins, e acabaram liberados cerca de uma hora depois. Já Pedro Ribeiro Nogueira, foi indiciado por formação de quadrilha, e danos ao patrimônio, e transferido para a delegacia do Bom Retiro. Um vídeo, que está circulando na internet, mostra Pedro sendo agredido a golpes de cassetete por um grupo de policiais militares, minutos antes de ser preso. As manifestações de cerca de 250 mil pessoas na segunda-feira (17), nas principais cidades brasileiras, foram manchetes na imprensa internacional, durante toda a semana. 

O descontentamento no Brasil provoca o maior protesto em décadas”, estampou o jornal espanhol El País, que citou o aumento do preço dos transportes como motivo. 
O jornal francês, Le Monde, falou de “Uma maré de manifestantes no Brasil; cenas de caos no Rio”. Segundo o jornal, cerca de 200 mil pessoas protestaram contra o preço dos transportes, e os gastos para a Copa do Mundo de 2014. A rede britânica, BBC, informou “Violência no Rio, atos pacíficos em São Paulo e tentativas de subir no prédio do Congresso, em Brasília”. O jornal americano, The New York Times, falou “Milhares de manifestantes nas ruas brasileiras, contra o alto custo de vida e os gastos com os estádios de futebol”. 

O inglês, The Financial Times, citou o “Movimento de estudantes jovens que ecoa em diversas cidades do país”. O jornal norte-americano destacou o fato de que os protestos acontecem antes da Copa do Mundo, das Olimpíadas, e durante, a Copa das Confederações. "Mais de 65 mil  pessoas foram às ruas para expressar uma voz de profunda frustração, e para mostrar também um descontentamento com as pesadas taxas de transporte, com o sistema público de educação, saúde e segurança", disse o USA Today, logo no primeiro parágrafo. E a primavera brasileira, foi destaque em muitos outros países, onde o Brasil chamou a atenção do muito inteiro, tornando-se destaque das imprensas internacionais. 

Essas manifestações contaram com o apoio de milhares de brasileiros que moram no exterior, e que organizaram passeatas de protesto em muitos países onde residem, como por exemplo: Portugal, Londres, Berlim, Irlanda, França, Espanha, Chipre...  Os brasileiros no exterior resolveram se manifestar em apoio aos brasileiros que vivem no Brasil, mesmo distantes, esses brasileiros tem uma causa em comum: Um Brasil melhor, uma vida melhor. Ficou claro nessas manifestações a negligencia e a violência desnecessária por parte da polícia, que agrediram jornalistas, manifestantes pacíficos, além das prisões arbitrárias por membros da PM, que demonstrou total despreparo para tal situação. 

Por outro lado, ficou claro também que houve vandalismo e destruição, por parte de alguns manifestantes, que constituem a minoria entre a multidão, e que se aproveitou da situação para agir de forma errada e absurda, enquanto a maioria esteve e continua, se manifestando pacificamente. Se manifestar e protestar é um direito de todo cidadão, mas depredação de patrimônio público ou privado, vandalismo, saques e roubos, não! 

Os atos de vandalismo cometidos no último dia 19, na zona sul de São Paulo, onde houve saques em diversas lojas comerciais, caixas de bancos, incêndio e destruição em lojas e um banco, foram totalmente condenados pelos manifestantes. A PM prendeu um grupo de 25 pessoas, a maioria menores de idade, e que já foram liberados.

Em um país como o Brasil, a manifestação é necessária, pois a vida esta insustentável. O brasileiro paga muitos impostos, e não tem um programa de saúde pública decente, onde é possível ver, diariamente, nas  emissoras brasileiras de TV, os hospitais públicos lotados, sujos, pessoas deitadas no chão esperando por atendimento, pessoas morrendo depois de muito esperar, pessoas aguardando o dia inteiro em filas, por vários dias, para serem atendidos. O transporte público, cujos ônibus encontra-se em situação de total precariedade. A segurança já não existe mais no Brasil há muito tempo, e a população enfrenta a violência, os roubos, estupros, sequestros e assassinatos, diariamente, sem a mínima proteção ou suporte do Estado.

Sem falar sobre as leis brasileiras, onde um menor de idade pode matar e roubar, estuprar, traficar e consumir drogas, mas não pode ser julgado e condenado, simplesmente por ser menor de idade; entre tantos outros absurdos que se encontram nas Leis do Brasil. Essas leis absurdas, os incentivam a viverem no mundo do crime, e ainda existe a corrupção, o descaso na educação, tudo isso é uma vergonha. E tudo isso e muito mais, contribuiu para as centenas de mobilizações de protesto no país, e não R$ 0,20 de reajuste na passagem de ônibus, como muitos desinformados andaram comentando. As mobilizações já começaram a dar indícios de resultados, os manifestantes já conseguiram a redução nas tarifas de transporte público, e agora eles querem realizar outra manifestação, reivindicando “tarifa zero”, em outras palavras, transporte público gratuito. 

Enquanto o governo vem gastando bilhões com a FIFA  e suas demandas para que o país sedie a Copa do mundo (com o dinheiro público), esse dinheiro poderia ser muito melhor empregado em muitos setores públicos do Brasil, e o brasileiro se cansou, não quer copa do mundo, mas sim uma vida descente, o pobre no Brasil, se ficar doente e necessitar de tratamento ou internação hospitalar, tem que se humilhar em hospitais e postos de saúde publico, para conseguir atendimento, isso se conseguir ser atendido, independente dele ser um cidadão honesto, trabalhador, que paga corretamente seus impostos.

Para quê pagar impostos? Para onde vai essa arrecadação? Todos sabem pra onde vão...Na última quarta-feira (19), o Ex-Jogador  da Seleção Brasileiros de Futebol, o tal Ronaldo “O fenômeno”, declarou “fenomenalmente” na TV, durante uma coletiva de imprensa, que transporte público e programa de saúde não trazem a Copa, e que uma copa não era feita de hospitais. Certamente, pessoas como ele (RICO), não usam de fato o transporte público (não usa mais, mas antes de enriquecer, ele já usou muito), e muito menos depende de um hospital da rede pública (já usou muito também, mas ele esqueceu). E ele não foi o único que falou besteira na TV, o grande e célebre “Rei Pelé” também soltou suas perolas, provocando a ira e decepção em milhares de brasileiros, que devem estar despertando para a realidade e enxergando que seus ídolos do futebol não tem por eles, a mesma consideração que recebem...

Encerro esse artigo, parabenizando o povo brasileiro, que finalmente acordou e foi para as ruas para protestar e se manifestar os seus direitos, a grande maioria de maneira pacifica. Mais de um milhão de pessoas em todo o país, de todas as idades, estiveram e continuam participando unidas em prol de um objetivo coletivo... 

Trabalhadores, estudantes, aposentados, todos unidos por uma causa mais que justa: Ordem e progresso!


Therese Mourad
Gazeta de Beirute

Fonte: Terra, R7, Portal G1, e Correio Brasiliense. 
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