Adli Mansur assume a presidência interina do Egito

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O Chefe da Corte Constitucional do Egito, Adli Mansour, tomou posse como Presidente interino do país nesta quinta-feira (04), um dia após o Exército egípcio depor o Chefe de Estado, Mohamed Mursi. A nomeação de Mansour aconteceu na noite de quarta-feira, depois que o Exército anunciou o afastamento do Presidente, Mohamed Mursi, que está em prisão domiciliar. Tendo exercido o cargo de Vice-Presidente da Suprema Corte de Justiça, desde 1992, Mansur foi apontado Presidente da Casa, em Maio de 2013, e assumiu no dia 1º de Julho, dias antes da queda de Morsi. 

Desde o último domingo, uma multidão tomou conta das ruas das principais cidades do país, pedindo a renúncia do Presidente, eleito há um ano. Apesar de a Constituição prever que o Vice-Presidente deveria assumir, em caso de vácuo no poder, as Forças Armadas haviam alertado no dia 1º de Julho, que interviriam, caso Mursi não resolvesse o impasse político, e Morsi insistiu em defender sua legitimidade como Presidente, rejeitando a sua renúncia. O Ministro de Defesa do Egito, Abdel Fatah Al Sisi, disse após a morte dos 18 egípcios durante as manifestações, que resultaram num confronto com os apoiadores a Morsi, que para os militares "é mais honorável morrer, do que ver os egípcios aterrorizados ou ameaçados". 

Após uma reunião de emergência, com o que sobrou do gabinete, depois da renúncia de seis ministros, o que favoreceu aos manifestantes que protestavam nas ruas pedindo a renúncia imediata de Mursi, veio o apoio das Forças Armadas. Os egípcios reclamavam da concentração de poder nas mãos da Irmandade Muçulmana, do avanço do islamismo radical, da perseguição a cristãos, e das ameaças à democracia. Ao declarar a derrubada do governo, o General Abd-al-Fattah Al-Sisi, também anunciou a suspensão da Constituição, e disse ainda, que Mansour ficaria no poder até a realização de novas eleições. 

Mas quem é Adli Mansur? 
Nascido no Cairo, em 1945, formou-se em Direito, em 1967, e integrou o Conselho Estatal em 1970, passando por promoções, até ser apontado como Vice-Presidente da Suprema Corte, em 1992.
Em 2012, Mansur liderou as audiências na corte, que derrubaram a lei de “isolamento político”, que proibia membros do velho regime de participarem de eleições. Graças a mudanças na lei, o Ex-Premiê Ahmad Shafiq, do governo do Ex-Presidente, Hosni Mubarak, deposto em 2011, pôde participar do pleito do ano passado.

O nome de Mansour emergiu como um possível líder do Egito no dia 30 de Junho, primeiro dia dos protestos contra Morsi. Na ocasião, um grupo denominado Al-Sha'ab Yureed (A demanda do povo), distribuiu uma petição entre os manifestantes, pedindo a formação de um Conselho Presidencial para comandar o país, listando Mansour como possível membro. Em entrevista ao portal de notícias Al-Ahram, o Al-Shabab, o Juiz Hamid Al-Jamal, descreveu Mansur como um “homem calmo, que toma decisões equilibradas, e que vai respeitar a vontade do povo egípcio”. 

A situação atual do Egito causou muitas expectativas em outros países, como os EUA, onde Obama declarou que estar muito preocupado com a atual situação, e ainda pediu a todos os funcionários da Embaixada Americana, que fechassem a embaixada, e deixarem o país imediatamente. A Alemanha declarou que queda de Morsi é um fracasso para a democracia do Egito, enquanto a Embaixada brasileira recomendou aos brasileiros que evitassem locais de manifestações. Já o Chefe da ONU, pediu o restabelecimento do regime civil, após o golpe militar, e o Reino Unido declarou que está disposto a lidar com o novo governo do Egito.


Therese Mourad 
Gazeta de Beirute
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