BATROUN

Foto: flickr.com

Localizada na costa norte do Líbano, a 53 km de Beirute, a pequena e charmosa Batroun é uma das cidades mais antigas do mundo, mencionada nas cartas de Amarna, que datam do século 14 A.C., e também mencionada pelos antigos geógrafos Estrabão, Plínio, Ptolomeu, Stephanus Byzantius, Hierocles e Teófanes, que a chamavam de “Botrys”, palavra de origem grega, que mais tarde foi latinizada para “Botrus”. 

Suas estreitas ruas e a grande e preservada quantidade de construções de pedras, fazem de Batroun um lugar único e especial. Batroun é a capital do distrito de Batroun, e uma importante cidade turística do país, com dezenas de igrejas históricas (católica e ortodoxa grega), um grande resort de praia, com uma vibrante vida noturna, que atrai os jovens não apenas da cidade, mas de outras cidades do Líbano.

Muitas pessoas de vários lugares do Líbano, se deslocam para Batroun, para curtir as diversas e badaladas danceterias e pubs da moda que Batroun possui, porque em Batroun as pessoas realmente sabem se divertir. Muito provavelmente, Batroun seja a menor cidade do Líbano, com o maior numero de opções de lazer noturno, num único lugar. 

Anualmente, a cidade realiza o Batroun Open Air, uma festa organizada por todos os proprietários das danceterias da cidade, que transformam a principal rua da cidade em uma enorme e exótica danceteria ao ar livre, com inúmeras atrações e performances regadas de muita musica eletrônica, que atrai milhares de jovens de todo o Líbano. 

Sem falar na sua famosa limonada, que pode ser encontrada em qualquer cafeteria ou restaurante da rua principal. Além do Batroun Open Air, a cidade também realiza todo verão  Festival de Verão de Batroun, em Saydet el Bahr, com shows nacionais e internacionais.

Existe uma série de atividades para fazer em Batroun, desde esportes aquáticos, como nadar, mergulhar, andar de Jet ski, velejar, e até pescar, fazer escalada, explorar ruínas, visitar o antigo porto, as igrejas históricas, como a Igreja Ortodoxa São Jorge (construída no século 18), São Estephan e Saydet el Natour, e a da Nossa Senhora do Mar, e visitar a muralha fenícia que está logo atrás dela. 

Você ainda pode comer e beber, cantar e dançar, nos inúmeros karaokês que existem nos bares e pubs da moda, curtir as praias, resorts, explorar as charmosas e estreitas ruazinhas históricas da parte antiga cidade, onde só se passa um único carro por vez, e a modernidade não é bem vinda, ou simplesmente, descansar. 

Enfim, Batroun é um pequeno paraíso no litoral norte do Líbano, não deixe de vistar!

Breve História:

Batroun foi fundada por Ithobaal (Etbaal – um suposto sacerdote de Astarte, que assassinou o rei anterior, Phelles, para destrona-lo), rei de Tiro e pai de Jezabel (897 - 866  A.C.) que foi casada com Ahab (ou Acabe – um rei de Israel durante a dinastia Omri). Durante a Antiguidade, havia uma estrada paralela ao mar, que permitia contornar o Cape Lithoprosopon, e conectar Batroun a Trípoli. 

O terremoto de 551 AD causou um deslizamento de terra, fazendo com que o caminho afundasse no mar permanentemente, e isolando assim, Trípoli de Batroun e Byblos. O nome do cape Lithoprosopon foi mudado ao longo da história, porém, a menção mais antiga aparece nos escritos do historiador grego Políbio, e dos geógrafos gregos Ptolomeu e Estrabão, que o chamavam de "Theou prosopon" ou "Rosto de Deus”.  

Alguns historiadores acreditam que o nome grego, origina do fenício “Bater”, que significa “cortar”, e refere-se à muralha que foi construída pelos fenícios no mar, para proteger a cidade de maremotos, e outros historiadores acreditam que a palavra venha de outras duas palavras fenícias “beit” e “truna”, que significa “a casa do chefe”.

A Igreja Ortodoxa grega existia em Batroun, desde o século X, quando a cidade ainda era chamada de Petrounion, após as conquistas muçulmanas na região, o nome foi arabizado para Batroun. 

Um dos sítios arqueológicos medievais de Batroun é o Forte Mousaylaha, do tempo das cruzadas, que foi construído pelo Emir Fakhreddine II, no século 17 (1624), sobre uma enorme rocha de calcário isolada, e estreita, perto do campo de Nahr el-Jawz River, para proteger a rota de Trípoli para Beirute. 

O sítio arqueológico pode ser facilmente avistado da estrada principal que liga Beirute à Trípoli, quando se está passando pela cidade.   




Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute
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About beirut lebanon

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1 comments:

  1. Fantástica descrição deste local,eu estive ai e me emocionei,a cidade emociona é possível sentir a presença de todas as almas que passaram por essa região,porque somos energia e ficam gravadas nas pedras, no ar,é o tipo do lugar que não deveria jamais ter clubes ,locais que deformassem o original para que nada se perdesse de um passado que não poderá ser esquecido,quando se permite que comece o moderno a invadir um local destes que eu acho sacro santo,vai se perdendo, e há o perigo de não se ter mais as pedras,as Igrejas ,eu sei do que falo porque temos Ouro preto em MG ,ou mesmo quando passamos pela cidade de São Paulo, e vemos a capelinha dos Jesuítas num cantinho espremido entre os prédios ,a gente vê a loucura que cometemos destruindo o planeta que nos é emprestado.Que o povo desta pequena cidade não permita que se coloque ali nada que não seja a defesa ,e a proteção deste local magico, lindo ,amoroso,profundo como o mar e suas esponjas que me disseram foram quase extintas,de todos os locais que estive, este para mim, foi o mais espetacular,inesquecível,que o modernismo destruidor não chegue ai nem no pensamento.Vou reler essa matéria de novo,é perfeito,precisou uma brasileira chegar ai, e narrar esta riqueza, e nos contar mais a respeito,a vida é assim mesmo santo de casa não faz milagre.Esse jornal me trouxe a esperança de um dia voltar ao Líbano e poder ter um jornal escrito em portugues para brasileiros, é o respeito que precisávamos,eu procurei em minhas andanças quando estive ai,um jornal,uma revista, eu queria ver as letras do meu alfabeto, eu queria entender ,ouvir, saber coisas ,e não sabia, eu me senti ,cega, surda e muda, foi terrível essa experiencia, e este jornal agora é um canal para que possamos nos sentir acolhidos ,existir.|Obrigada Claudinha e parabéns ,você nos deu uma aula de história, de geografia ,e ainda colocou o presente neste mundo tão antigo, e lutem para que o moderno não destrua essa beleza toda, porque o moderno é bom, mas perigoso,eles são imediatistas ,e destroem para dar lugar as suas garrafas pets,as suas coisas descartáveis, poluindo o espaço ,com seus lixos, não permitam que nada possa destruir este passado, nunca, jamais.Não deixem que matem esse local lindo maravilhoso.

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