Dengue


Um dos principais problemas de saúde pública no mundo, cuja estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 50 a 100 milhões de pessoas se infecte anualmente, em mais de 100 países, de todos os continentes, exceto a Europa. Cerca de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em consequência da dengue. No Brasil, as condições socioambientais favoráveis à expansão do Aedes aegypti, possibilitaram a dispersão do vetor, desde a sua reintrodução, em 1976, e o avanço da dengue. Essa reintrodução, não conseguiu ser controlada com os métodos tradicionalmente empregados, no combate às doenças transmitidas, por vetores em nosso país e no continente.

Causas
A dengue é uma doença febril aguda, causada por um vírus de evolução benigna na maioria dos casos. O seu principal vetor é o mosquito Aedes aegypti, que se desenvolve em áreas tropicais e subtropicais. O vírus causador da dengue possui quatro sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. A infecção por um deles dá proteção permanente para o mesmo sorotipo, mas imunidade parcial e temporária, contra os outros três. A dengue não é transmitida de pessoa para pessoa, sua transmissão se dá pelo mosquito que, após um período de 10 a 14 dias, contados depois de picar alguém contaminado, pode transportar o vírus da dengue, durante toda a sua vida. O ciclo de transmissão ocorre quando a fêmea do mosquito deposita seus ovos em recipientes com água. Ao saírem dos ovos, as larvas vivem na água por cerca de uma semana. Após este período, transformam-se em mosquitos adultos, prontos para picar as pessoas. 

O Aedes aegypti procria em velocidade prodigiosa e o mosquito adulto vive em média 45 dias. 

A transmissão raramente ocorre em temperaturas abaixo de 16° C, sendo que a mais propícia gira em torno de 30° a 32°C. A fêmea coloca os ovos em condições adequadas (lugar quente e úmido), e em 48 horas o embrião se desenvolve. É importante lembrar que, os ovos que carregam esse embrião podem suportar até um ano a seca, e serem transportados por longas distâncias, grudados nas bordas dos recipientes. Essa é uma das razões para a difícil erradicação do mosquito. Para passar da fase do ovo até a fase adulta, o inseto demora dez dias, em média.

Os mosquitos acasalam no primeiro ou no segundo dia, após se tornarem adultos. Depois, as fêmeas passam a se alimentar de sangue, que possui as proteínas necessárias para o desenvolvimento dos ovos. O mosquito mede menos de um centímetro, tem aparência inofensiva, cor café ou preta, e listras brancas no corpo e nas pernas. Costuma picar nas primeiras horas da manhã, e nas últimas da tarde, evitando o sol forte, mas, mesmo nas horas quentes, ele pode atacar à sombra, dentro ou fora de casa. Há suspeitas de que alguns ataquem durante a noite. O indivíduo não percebe a picada, pois não dói e nem coça no momento.

Segundo uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a fêmea do Aedes aegypti voa até mil metros de distância de seus ovos. Com isso, os pesquisadores descobriram, que a capacidade do mosquito é maior do que os especialistas acreditavam. Até então, eles sabiam que essa espécie só se distanciava cem metros.

Sintomas de Dengue


Existem duas formas de dengue: a clássica e a hemorrágica. Após a picada do mosquito, os sintomas se manifestam a partir do terceiro dia. O tempo médio do ciclo é de cinco a seis dias. O intervalo entre a picada e a manifestação da dengue, chama-se período de incubação. É depois desse período que os sintomas aparecem.

Sintomas da Dengue Clássica:

Febre alta com início súbito;

Forte dor de cabeça;

Dor atrás dos olhos, que piora com o movimento dos mesmos;

Perda do paladar e apetite;

Manchas e erupções na pele semelhantes ao sarampo, principalmente no tórax e membros superiores;

Náuseas e vômitos;

Tonturas;

Extremo cansaço;

Moleza e dor no corpo;

Muitas dores nos ossos e articulações.

Sintomas da Dengue Hemorrágica:
Os sintomas da dengue hemorrágica são os mesmos da dengue comum. A diferença ocorre quando acaba a febre, e começam a surgir os sinais de alerta: 

Dores abdominais fortes e contínuas; 
Vômitos persistentes; 
Pele pálida, fria e úmida; 
Sangramento pelo nariz, boca e gengivas; 
Manchas vermelhas na pele; 
Sonolência, agitação e confusão mental; 
Sede excessiva e boca seca; 
Pulso rápido e fraco; 
Dificuldade respiratória; 
Perda de consciência.

Na dengue hemorrágica, o quadro clínico se agrava rapidamente, apresentando sinais de insuficiência circulatória e choque, podendo levar a pessoa à morte em até 24 horas. De acordo com estatísticas do Ministério da Saúde, cerca de 5% das pessoas com dengue hemorrágica morrem. O objetivo do Ministério é que esse número seja reduzido a menos de 1%.

Tratamento de Dengue
A reidratação oral é uma medida importante, e deve ser realizada durante todo o período de duração da dengue e, principalmente, da febre. O tratamento da dengue é de suporte, ou seja, alívio dos sintomas, reposição de líquidos perdidos e manutenção da atividade sanguínea. A pessoa deve ficar em repouso, beber muito líquido (inclusive soro caseiro), e só usar medicamentos prescritos pelo médico, para aliviar as dores e a febre. Ao ser observado o primeiro sintoma, deve-se buscar orientação médica no posto de saúde mais próximo. 

As pessoas que já contraíram a forma clássica da dengue devem procurar, imediatamente, atendimento médico, em caso de reaparecimento dos sintomas agravados, com os sinais de alerta, pois correm o risco de estar com dengue hemorrágica, que é o tipo mais grave. Todo tratamento só deve ser feito, sob orientação médica. Os pacientes com Febre Hemorrágica do Dengue (FHD) devem ser observados cuidadosamente, para identificação dos primeiros sinais de choque, como a queda de pressão. O período crítico ocorre durante a transição da fase febril, para a fase sem febre, geralmente após o terceiro dia da doença. A pessoa deixa de ter febre, e isso leva a uma falsa sensação de melhora, mas em seguida o quadro clínico do paciente piora. 

Em casos menos graves, quando os vômitos ameaçarem causar desidratação, a reidratação pode ser feita em nível ambulatorial. Alguns dos sintomas da dengue só podem ser diagnosticados por um médico. A dengue, mesmo na forma clássica, é uma doença séria. Caso a pessoa seja portadora de alguma doença crônica, como problemas cardíacos devem ter cuidados especiais. No entanto, a dengue é mais grave quando se apresenta na forma hemorrágica. Nesse caso, quando tratada a tempo, a pessoa não corre risco de morte.

Quais os cuidados para não se pegar dengue? 
O que devo fazer para evitar o mosquito da dengue?

Como é praticamente impossível eliminar o mosquito, é preciso identificar objetos que possam se transformar em criadouros desse inseto. Por exemplo: uma bacia no pátio de uma casa é um risco, porque, com o acúmulo da água da chuva, a fêmea do mosquito poderá depositar os ovos neste local. Então, o único modo é limpar e retirar tudo que possa acumular água e oferecer risco. Em 90% dos casos, o foco do mosquito está nas residências. Para evitar o mosquito da dengue, é preciso eliminar os focos de reprodução.

Depois de termos tido dengue, podemos pegar novamente?

Sim, podemos, mas nunca do mesmo tipo de vírus. Ou seja, a pessoa fica imune contra o tipo de vírus que provocou a dengue, mas ela ainda poderá ser contaminada pelas outras três formas conhecidas do vírus da dengue.

Existe vacina contra a dengue?

Ainda não, mas a comunidade científica internacional e brasileira está trabalhando firme nesse propósito. Estimativas indicam que deveremos ter um imunizante contra a dengue em cinco anos. A vacina contra a dengue é mais complexa que as demais. A dengue, com quatro vírus identificados até o momento, é um desafio para os pesquisadores. Será necessário fazer uma combinação de todos os vírus para que se obtenha um imunizante realmente eficaz contra a dengue.

Por que a dengue ocorre no Brasil?

É um sério problema de saúde pública em todo o mundo, especialmente nos países tropicais como o nosso, onde as condições do meio ambiente, aliado a características urbanas, favorecem o desenvolvimento e a proliferação do mosquito transmissor, o Aedes aegypti. Mais de 100 países em todos os continentes, exceto a Europa, registram a presença do mosquito e casos de dengue.

O inseticida aplicado para matar o mosquito de dengue funciona mesmo? E a nebulização (fumacê)?

Sim, os produtos funcionam. Tanto os larvicidas quanto os inseticidas distribuídos aos estados e municípios pela Secretaria de Vigilância em Saúde têm eficácia comprovada, sendo preconizados por um grupo de especialistas da Organização Mundial da Saúde. Os larvicidas servem para matar as larvas do mosquito. São aqueles produtos em pó, ou granulado, que o agente de combate a dengue coloca nos ralos, caixas d'água, enfim, nos lugares onde há água parada que não pode ser eliminada.

Já os inseticidas são líquidos espalhados pelas máquinas de nebulização, que matam os insetos adultos enquanto estão voando, pela manhã e à tarde, porque o mosquito tem hábitos diurnos. O fumacê não é aplicado indiscriminadamente, sendo utilizado somente quando existe a transmissão da dengue em surtos ou epidemias. Desse modo, a nebulização pode ser considerada um recurso extremo, porque é utilizada em um momento de alta transmissão, quando as ações preventivas de combate à dengue falharam ou não foram adotadas. Algumas vezes, os mosquitos e larvas desenvolvem resistência aos produtos. Sempre que isso é detectado, o produto é imediatamente substituído por outro.


Yasmeen Chehayeb
Gazeta de Beirute

Fonte: minhavida.com.br
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