Do chapéu do Sol ao Cristo Redentor


O primeiro nome do Corcovado dado pelos portugueses, ainda no século XVI, mais precisamente pelo navegador italiano, Américo Vespúcio, era Pináculo, ou Pico da Tentação, em alusão a uma passagem bíblica, onde o diabo oferecia riquezas a Cristo no alto de uma rocha. Entretanto, no século seguinte, o morro recebeu o nome de Corcovado em virtude ao seu formato, que lembra uma corcova. 

Duzentos anos mais tarde, em 1882, o imperador D. Pedro I realizou uma expedição ao morro, e visando a possibilidade de sua utilização para fins militares, instalou um sinalizador, que funcionava por meio de bandeiras no topo do morro, onde um vigia podia alertar sobre as embarcações que entravam no litoral, e prevenir qualquer eventual ataque à capital.

Isso acabou resultando no projeto da construção de uma linha férrea, cuja primeira etapa, ia do Cosme Velho às Paineiras. A ferrovia, inaugurada em 1884, tinha mais de 3.800 km de extensão, percorridos por uma locomotiva a carvão, uma obra bem ousada para a época. Mas D. Pedro I prezava pelo lazer também, e em 1823, mandou construir um belvedere com telhado de sapé, no topo do morro. No meio do caminho, nas Paineiras, foi construído um hotel turístico, aonde, chegou a se hospedar o bailarino russo, Wlasclaw Nijinski. 

D. Pedro II, seguindo os projetos de seu pai, construiu no ponto terminal da estrada de ferro, a 704m de altitude do mar, um belvedere de ferro e madeira, que foi inaugurado em 1885, para substituir o antigo belvedere existente. A visão privilegiada das famosas paisagens cariocas, assim como o Pão de Açúcar, a Lagoa Rodrigo de Freitas, e as praias da Baía de Guanabara, se tornaram a atração da sociedade carioca, e o belvedere recebeu o nome de Mirante do Chapéu do Sol.  

Em 1859 o padre lazarista, Pedro Maria Boss, sugeriu que fosse construída uma imagem católica no alto do mirante, e a sugestão chegou a ser levada à Princesa Isabel, que deu o primeiro apoio oficial ao projeto; porém o projeto só se concretizou depois de 1912, quando o Cardeal Dom Joaquim Arcoverde, insistiu na ideia da construção de um Cristo, para mostrar que a Igreja católica estava presente entre o povo brasileiro. Em 1910, os trens a vapor foram substituídos por vagões movidos à eletricidade, e em 1921, o projeto do Cristo Redentor foi retomado, tendo como foco as comemorações do Centenário da Independência do Brasil. O morro do Corcovado foi escolhido para abrigar o monumento por se tratar do local mais alto da cidade. 

Em 1922, um abaixo-assinado com mais de 20 mil nomes, solicitou ao Presidente Epitácio Pessoa, que a estátua fosse construída, e o Presidente, então, doou o topo do Morro do Corcovado, para a construção do monumento; e a pedra fundamental do Cristo Redentor, foi inaugurada em 4 de abril de 1922. Ainda em 1922, o governo instalou uma enorme antena de rádio, a primeira do país, em forma de cruz, no alto do Corcovado, realizando assim, a primeira experiência de radiofonia do Brasil. O projeto do engenheiro Heitor da Silva Costa, foi escolhido para a obra em 1923, e a imagem do Cristo foi desenhada pelo artista plástico Carlos Oswald, e projetada pelo arquiteto francês, Paul Landowsky. 

A campanha que arrecadou fundos para a construção do Cristo durou dez anos, e o monumento foi feito com esse dinheiro, e não com doações da França, como muitos pensam, e muito menos, o monumento foi um presente do governo francês para o Brasil. A obra iniciou-se em 1926, e toda a montagem durou cinco anos, sendo inaugurada então, em 12 de agosto de 1931. 

Na ocasião da inauguração, o mau tempo impossibilitou uma visão espetacular do monumento, mas ainda assim, a cerimônia contou com a presença do Chefe do Governo Provisório, Getúlio Vargas, e com a bênção do Cardeal Dom Sebastião Leme. Em 1932, o Cristo ganhou uma iluminação definitiva. Em 1942, uma estrada de cimento foi construída para facilitar o acesso de automóvel ao Morro. Em 1973, o conjunto paisagístico do monumento foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN). 

Em 1980, o monumento recebeu a primeira reforma, por conta da visita do Papa João Paulo II ao Brasil. Em 2005, 17 integrantes do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprovaram, por unanimidade, o tombamento do Cristo Redentor. Em sete de julho de 2007, o Cristo Redentor foi eleito como uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo, com mais de 100 milhões de votos. 

O Cristo Redentor em seus 38 metros de altura, pesa 1.145 toneladas e está localizado no topo do morro Corcovado, a 710 metros do nível do mar, no Parque Nacional da Tijuca. O Chapéu do Sol foi demolido em 1942, quando perdeu espaço para o Cristo Redentor. O Cristo representa uma das mais belas visões que alguém pode ter, e é um verdadeiro ícone do turismo brasileiro.  



Claudinha Rahme 
Gazeta de Beirute
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