Fala Fulano! E o Beltrano? Você sabe do Cicrano?

Você sabia... Que fulano, beltrano e sicrano são pronomes de tratamento e têm diferentes origens? 
Essas formas designam vagamente alguém que não temos interesse em nomear, ou cujo nome desconhecemos. Quando nos referimos a uma só pessoa, empregamos fulano, como em “Aqui mora fulano”. 

Usamos as demais depois de haver utilizado a primeira, como em “Nomeou fulano e beltrano”, ou “Indicou fulano, beltrano e sicrano, os amigos, para os cargos de confiança”. Tais pronomes podem ser substantivados, como em “Não sei quem é aquele fulano”, e “Lá vem o fulano de quem lhe falei”. 

Há flutuação na sequencia desses pronomes, uns seguem a ordem “fulano, beltrano e sicrano”, ao passo que outros preferem usar a ordem “fulano, sicrano e beltrano”. Não podemos deixar de notar certo traço pejorativo no uso de fulano, o que se comprova nas expressões “um fulano qualquer”, e com diminutivo, "Quem esse fulaninho aí, pensa que ele é?".

Cada pronome tem uma origem diferente:
Fulano vem do árabe “fulân”, que significa "tal". Com o domínio árabe sobre a península Ibérica durante a Idade Média, a língua influenciou os vocabulários espanhol e português. Por volta do século XIII, os espanhóis usavam “fulano” como pronome: fulana casa (tal casa), fulano sujeito (tal sujeito). No português, “fulano” virou substantivo, e até derivou para a forma "fuão", em Portugal.
"Beltrano" vem do nome próprio Beltrão (ou Beltrand), de origem francesa, que se popularizou graças às novelas de cavalaria da era medieval. O nome acabou levando a terminação "ano", influenciada pelo “fulano”, que a essa época já estava na boca do povo.
A origem de “sicrano” é mais difícil de precisar. O termo surgiu quando fulano e beltrano já estavam consolidados na língua portuguesa. Há três hipóteses para a origem: "sicra" pode tanto se tratar de um derivado da palavra “securu”, do latim; do desfiguramento de um nome próprio; ou ainda, de uma mistura de “zutano e citano” (“fulano” e "beltrano" em espanhol).

Expressões equivalentes, que ocorrem em outras línguas:
Inglês: Tom, Dick, and Harry;
Espanhol: Fulano, Zutano y Mengano;
Italiano: Tizio, Caio, e Sempronio;
Russo: Ivanov, Petrov, Sidorov;
Persa: Are, Oore, Shamsi Kooreh;
Sueco: Andersson, Pettersson och Lundström. 

Musica pro Fulano, Beltrano e pro Sicrano:  


Outras palavras portuguesas de origem árabe:
Durante oito séculos a península ibérica foi ocupada por povos berberes e árabes, cujo período, assim como outros no decorrer da história, trouxe contribuições da língua árabe para a língua portuguesa. 
É provável, inclusive, que esta seja a maior contribuição não latina, para o vocabulário português. 

As palavras derivadas do árabe, geralmente, são relativas à geografia, à agricultura, à arquitetura, à astronomia, à matemática, instituições jurídicas e sociais, química, culinária e vestuário.

Muitas destas palavras começam com “AL”, artigo definido invariável na língua árabe. 
Por exemplo: Alcorão = al-quran = o Corão. 
Ao que parece, ao longo do tempo, a distinção entre o artigo e a palavra não foi feita, e acabamos identificando tudo como uma palavra só. Por isso falamos “o Alcorão”, que é como repetir o artigo duas vezes: o “o Corão”.
O artigo “AL” aparece também modificado, dependendo da letra que inicia a palavra seguinte. Desta forma, “as-sukkar” virou açúcar, “ar-ruzz” virou arroz, e assim por diante. 

Existem centenas de palavras portuguesas derivadas do árabe. Estas são algumas delas:

Aduana: Do árabe “ad-dīwān”, que significa o registro, o escritório. Diversos termos árabes, na língua portuguesa, se referem à organização militar, e do Estado.

Algoz: Do árabe “al-gozz”, tribo de onde eram recrutados carrascos.

Açafrão: Do árabe “az-za'afran”, que quer dizer amarelo.

Arroba: Do árabe “ar-ruba'a”, que quer dizer 1/4 (ou quarta parte). É uma medida antiga de comércio de carne bovina, que equivale a 15 kg.

Xeque: Do árabe “xah”. Quer dizer ataque ao rei no jogo de xadrez.

Armazém: Do árabe “al-mahazán”, que significa sótão, entreposto.

Oxalá! : Interjeição que vem do árabe “in sha allah” (ou inshallah), e que significa: “Quem dera!”, “Se Deus quiser!” ou “Queira Deus!”.


Lea Mansur
Gazeta de Beirute
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