Políticos divididos: Hezbollah deve ou não lutar na Síria?


Após o discurso do líder do Hezbollah, na sexta-feira (14), onde Nasrallah afirmou que seu grupo irá continuar lutando na Síria, políticos de diversos partidos, apresentaram opiniões adversas.

O líder do Movimento Marada, e membro do parlamento, Suleiman Franjieh, apoiou a interferência do Hezbollah na guerra da Síria, e criticou o presidente libanês.

"O presidente quer se transformar em um herói sobre o bombardeio (sírio) no território libanês. Quando a Síria faz uma violação, ele condena diretamente, mas quando Israel faz uma violação, ele nada faz", disse Franjieh.

"A resistência tem o direito de intervir na Síria, o Hezbollah é um eixo arabista que está resistindo e lutando, pois sempre foram atacados, diretamente e indiretamente, pois são o centro da resistência anti-Israel, e há um novo acordo Sykes-Picot na região, por isto não podemos neutralizar o Líbano, onde os principais jogadores estão envolvidos", acrescentou.

Franjieh, ainda afirmou que os rebeldes não lutam por democracia, assim como disse o líder do Hezbollah:

“Não há sentido algum, países como Arábia Saudita, e outros países árabes que não possuem democracia em seus próprios países, enviarem seus combatentes para lutarem por esta causa na Síria, isso é apenas uma armação”. 

Por outro lado, o ex-premiê Saad Hariri lamentou a interferência do Hezbollah, que em sua opinião tem arruinado "os laços fraternais entre o povo libanês, especialmente entre sunitas e xiitas". 

Ele também disse que o Hezbollah é uma extensão dos Guardas Revolucionários Iranianos e está buscando liderar a região.

"Nós não consideramos o Hezbollah como um exército destinado a defender os xiitas do Líbano ... mas é um exército destinado a defender o presidente sírio Bashar Assad e as ambições do Irã na região", acrescentou.

Nasrallah em contra-mão, acusou o ex-premiê, de ter interferido na Síria, muito antes do envolvimento de seu partido, “a única diferença, é que nós enviamos nossos combatentes, e não declaramos que estamos enviando comida e cobertores”, ironizou Nasrallah, referindo-se ao Movimento Futuro, liderado por Saad Hariri.

O líder do Partido Falange, Amin Gemayel, também criticou o Hezbollah, seu envolvimento na guerra da Síria, a sua posse de armas, e a existência de uma força no país, que não seja o governo, e o exército.

Mas não apenas os políticos estão divididos, as pessoas também, na comunidade cristã, há aqueles que acreditam na causa dos rebeldes, e condenam a participação do Hezbollah, pela possibilidade disso virar uma guerra sectária.

Outros apoiam o grupo xiita, por lutarem contra a Frente al-Nusra e os rebeldes salafistas na Síria, pois possuem laços com a Al Caeda, e se eles vencerem a guerra, poderão se infiltrar no Líbano, e transformar o país em uma mina de explosivos, inclusive em bairros cristãos. 

No entanto, os Bispos Maronitas, pediram que todos os lados parem de atear fogo na guerra da Síria,  e que a única solução é o diálogo, a paz, e a tolerância entre os grupos opostos.

Se há possibilidade de coexistência, paz e reconciliação como os bispos afirmaram, torcemos e dizemos: Que seja feita a vossa vontade.


Chadia Kobeissi
Gazeta de Beirute
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