Primavera Árabe na Turquia?

Foto: publico PT

Milhares de manifestantes protestaram nas ruas, contra o governo do conservador Primeiro-Ministro islâmico, Recep Tayyip Erdogan, que retornou na ultima quinta-feira (6) a Turquia. Durante os 7 dias seguidos de protestos,  o resultado foi de 3 mortos e 4.785 feridos, 48 em estado grave, segundo o balanço da Associação de Médicos da Turquia. O que gerou fortes críticas entre os protestantes em relação ao regime, por conta da repressão policial. Na quarta-feira (5), dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas nas principais cidades do país, em resposta a uma convocação de duas centrai sindicais, sobretudo em Istambul e Ancara, exigindo a renúncia de Erdogan. Também foram registrados confrontos em Rize (às margens do Mar Negro, no nordeste), entre adversários e simpatizantes do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), que está no poder, desde 2002. 

Para evitar atitudes violentas, o Parlamentar, Huseyin Celik, pediu aos integrantes do AKP, que não fossem ao aeroporto para receber Erdogan, em seu retorno da Tunísia. O governo pediu desculpas à população, pelo excesso de repressão, que deixou centenas de feridos. Mas, representantes dos manifestantes, exigiram a destituição dos chefes de polícia de várias cidades, entre elas Istambul e Ancara. Também exigiram a libertação de pessoas detidas, fim do projeto urbanístico da Praça Taksim, a proibição do uso de gás lacrimogêneo, e mais respeito à liberdade de expressão. Os manifestantes acusam Erdogan de autoritarismo, e de querer "islamizar" a Turquia. Representantes de um grupo de manifestantes do antigoverno turco pediram a demissão dos chefes de polícia de Istambul e Ancara, dentre outras cidades turcas, por causa dos abusos na repressão. 

"Os chefes de polícia que deram a ordem de atuar com violência, devem ser demitidos. Demonstrações pacíficas constituem um caminho legítimo, para grupos expressarem suas visões, em uma sociedade democrática. O uso excessivo de força policial, contra essas demonstrações, não tem lugar na democracia", afirmou um Porta-Voz do grupo, após uma reunião em Ancara, com o Vice Primeiro-Ministro, Bülent Arinç, numa conferência em que estava presente, o Premiê turco, Recep Tayyip Erdogan. "Estou feliz que mesmo o governo admitiu isso. O que importa agora, não é lançar uma rápida e transparente investigação, mas também punir os responsáveis. Permitam-me pedir à Turquia que não abandone seus valores de liberdade, e de respeito dos direitos humanos. E permitam-me assegurar que, da nossa parte, não temos a intenção de abandonar o processo de adesão da Turquia à UE", concluiu ele. 

Vários países europeus denunciaram as brutalidades policiais, contra os manifestantes, que há oito dias, pedem a renúncia de Erdogan. A Turquia enfrenta, desde a sexta-feira passada, uma onda de protestos de rua, iniciados após uma manifestação contra a reurbanização de uma Praça pública na região central de Istambul. 

E aqui, eu pergunto: Será que Erdogan continuará defendendo a tese da liberdade? E irá realizar o desejo do povo turco, e renunciar? Desde o inicio do conflito na Síria, ele vem defendendo o povo, pedindo a renúncia de Bashar El Assad, conforme a vontade do povo sírio, e sempre defendendo a liberdade. Será que ele servirá de exemplo para outros, ou a defesa de liberdade dele ficará somente nas palavras?


Therese Mourad
Gazeta de Beirute

Fonte: Terra, Euronews e G1. 
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