Rebeldes utilizam táticas de Nasrallah

Foto: AFP 

As ruas estreitas e destruídas de Al-Qasr, no Líbano, foram tomadas por veículos e caminhões com soldados fardados e armados carregando bandeiras e fotos do Hezbollah e seu líder Hassan Nasrallah. A aldeia de Hermel, no nordeste do Líbano, desde o inicio do mês, quando eclodiu a batalha em Qusayr se tornou ponto de passagem para as centenas de combatentes do Hezbollah para chegar a Qusayr e apoiar o governo sírio contra os rebeldes. A condenação internacional e o apelo público têm feito com que os combatentes se posicionem de maneira cada vez mais implacável e obstinada a alcançar o seu dever jihadista.

Milhares de residentes de Hermel aguardam em listas de espera, para entrarem no combate, assim como partidários e membros do Hezbollah, que enviam cartas a Narallah, solicitando autorização e inclusão na batalha de apoio à Síria. Porém nem todos os interessados possuem qualificação para aderir à guerrilha militar do grupo, em virtude de exigências que envolvem táticas e estratégias militares de treinamento, além de situação familiar. 

Nasrallah afirmou que o combate visa salvaguardar a resistência e seu único patrocinador (Bashar Assad), bem como defender o Líbano e a comunidade de grupos islâmicos fundamentalistas (tafkiri). Os que lutaram na Síria, afirmam que os rebeldes sírios foram lutadores ferozes, e que pela primeira vez o Hezbollah está enfrentando um inimigo do mesmo calibre ideológico, com o mesmo treinamento militar, e tão bem equipado, quanto o Hezbollah, sendo ainda, exímios snipers. 

Prova disso, é o crescente aumento de funerais de combatentes do grupo libanês, que chegam, em comboios, envoltos em bandeiras amarelas do partido, marcando toda a linha norte-sul da rodovia do Vale do Bekaa a Baalbek, e também no sul do Líbano, aonde eles vêm sendo sepultados quase que diariamente, como mártires do Hezbollah. 

Um combatente disse que é necessário comemorar o martírio dos que morreram, porque Deus honrou-os ao escolhê-los para morrer durante uma luta de justa causa, referindo-se ao dever de guardar o santuário de Sayyida Zeinab em Damasco. 

O combatente, disse ainda, que o Exército Livre Sírio estava totalmente impotente diante dos extremistas da Frente Al-Nusra, que estava liderando a batalha, porque os rebeldes são poderosos, não apenas na aparência, mas porque são destemidos, possuem um ótimo treinamento e armamento sofisticado, além de contarem com a brutalidade dos combatentes impiedosos da Chechena, entre os membros da Al-Nusra. 

O membro do Hezbollah disse ter ficado surpreso com a forma como eles os atacavam, sem se importarem se poderiam morrer, porque o medo é uma palavra desconhecida para pessoas tão cruéis. 

E disse também, que muitos dos combatentes do Hezbollah, foram mortos em emboscadas, semelhantes às táticas do Hezbollah em suas origens, quando eles lutaram contra o exército israelense no sul do Libano, durante a ocupação, e depois na guerra de 2006. 

Segundo o combatente, o Hezbollah ensinou o grupo sunita Hamas, todas essas táticas para lutar contra os israelenses, porém, o Hamas, aparentemente, decidiu transferir seus conhecimentos e experiências, para os grupos tafkiri, que agora estão usando as mesmas táticas, lutando contra eles; demonstrando assim, que o Hezbollah não tem uma agenda sectária. 

 O Hamas, um aliado antigo de Assad, mudou de lado assim que a revolta eclodiu, deixou sua sede em Damasco, e prometeu aliança com os rebeldes; tal rixa entre ambos, têm se tornado explícita dentro do Líbano, aonde a tensão veio a tona nos subúrbios do sul de Beirute, que é o reduto do partido e dos campos de refugiados em Sabra e Shatila, e também em Burj al-Barajneh. A tranquilidade desses subúrbios do sul, e de seus campos vizinhos, vem sendo violadas por tiroteios entre militantes xiitas e palestinos. 

Abbas, um membro do comitê popular pró-Assad das aldeias fronteiriças, habitadas por xiitas libaneses, disse que a batalha foi imposta pelo Hezbollah, e que os rebeldes estavam aterrorizando, ameaçando e atacando a todos na região, e que o Hezbollah pediu que eles mantivessem a compostura, até que eles começaram a lançar foguetes contra Hermel. Abbas afirma que a política do Hezbollah era de lutar contra os rebeldes dentro da Síria, para evitar uma luta transfronteiriça, o que seria um desastre.

 Abbas complementou que quando o Hezbollah estava em Qusayr, eles ficaram sem palavras com algumas práticas dos combatentes rebeldes, porque além dos esconderijos armadilhados que eles deixam para trás, a Al-Nusra tem ainda, um ritual noturno desconcertante, onde eles queimam os corpos acumulados dos combatentes mortos durante o dia. Ninguém conseguiu entender porque eles fazem isso, ou o que eles pretendem com isso, é como se eles quisessem esconder a identidade de seus combatentes. 

Jawad, outro combatente, disse que israelenses e grupos tafkiris, representam o mesmo perigo para o Líbano, e que a luta atual do Hezbollah têm sido crucial, porque os tafkiris não possuem respeito algum pela dignidade humana, pela terra, e eles vem fazendo coisas monstruosas; e que Israel pelo menos coloca os mártires em caixões com números...


Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute
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