Recep Tayyip Erdogan rejeita a “primavera turca”

Foto: R7

Há 12 dias, a praça central da maior cidade da Turquia, estava sob o controle do movimento que vem protestando, e ganhando força no país, além de gerar ampla repercussão internacional para a crise. Na visão do governo, este era o momento para retomá-la. O que começou como um protesto de ativistas contrários à construção de um Shopping Center, onde atualmente está o Parque Gezi, acabou ganhando proporções muito maiores: Um confronto levado adiante, por um grupo lutando por mais liberdade na Turquia, e pela preservação do estado laico no país. Para eles, o governo vem mostrando uma agenda autoritária, e Neo Islâmica, com o maior número de jornalistas presos no mundo, restrições à venda de álcool, e grandes projetos de obras, com prioridade sobre direitos humanos. 

"Isto não é uma Primavera Árabe! Nós temos eleições livres aqui. Mas o problema, é que a pessoa que foi eleita, não nos dá ouvidos", disse a manifestante Melis Behlil. Ela disse também, que estava no Parque Gezi desde a manhã, e que os policiais lançaram gás lacrimogêneo para dentro da área onde ela se encontrava. "Uma bomba de gás foi atirada contra a cabeça de um colega. Por sorte, ele estava usando um capacete, que foi partido ao meio". A ofensiva para retomar a praça, chega um dia antes da data em que o Primeiro-Ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, supostamente manteria conversações com os manifestantes, a chance para um potencial diálogo, que agora parece cada vez mais distante. 

Na terça-feira (10), Erdogan disse ao Parlamento que o movimento era uma conspiração internacional contra a Turquia, para desestabilizar sua economia. Ele atacou a imprensa internacional por lançar "ataques" contra o país, e alertou os manifestantes de que eles são apenas reféns dentro de um jogo muito maior. "Não mostraremos mais tolerância", acrescentou. Erdogan ainda conta com vasto apoio no país. Embora o movimento de protesto tenha ganhado as manchetes, o outro lado da Turquia ainda existe, e a base de apoio do Primeiro-Ministro, conservadora e religiosa, ainda se mantém, até o momento. Ele exaltou suas tropas nos últimos dias, e planeja grandes marchas em Istambul e Ancara neste fim de semana. 

O medo é que, conforme os dois lados do conflito fechem o cerco um contra o outro, a divisão no país aumente, levando a uma paralisia. O Primeiro-Ministro pediu aos manifestantes para que mostrem suas insatisfações nas urnas, nas próximas eleições municipais e presidências turcas, marcadas para o ano que vem. Mas ele sabe que muito antes disso, terá que conter a revolta, e lançar um processo de reconciliação. Os confrontos continuam com o cair da noite, mas os manifestantes mais violentos são uma minoria, dentro de um movimento social pacífico. Desde o início da crise, o Premiê vem classificando os manifestantes de "vândalos" e "terroristas".  

Não era ele, que desde o início do conflito na Síria, vem defendendo a liberdade de expressão, e sempre se dizia contra a ditadura? O que o fez mudar de ideia? Ou suas ideologias são válidas somente a outros países? Ele não considera esses ataques dos policiais aos manifestantes, uma forma repressiva de ditadura? Isso é a liberdade de expressão turca? Para quem vive discursando contra a ditadura, e defendendo os direitos humanos, seria bom ela dar um bom exemplo, já que está tendo a oportunidade.



Therese Mourad
Gazeta de Beirute

Fonte: Euronews e BBC
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