Xiitas Iraquianos lutam na Síria ao lado de Bashar

Foto: O arabesco sírio

O levante sírio começou com protestos pacíficos contra Assad, e se transformou ao longo de dois anos, em uma sangrenta batalha. Mas a matança não se restringe apenas aos lados que apoiam o governo, ou se contrapõem a ele. Alguns xiitas estão sendo levados à Síria, por um senso de dever religioso. No Iraque, ataques aleatórios contra mesquitas e bairros sunitas, que haviam perdido força nos últimos anos, foram retomados, enquanto milícias sunitas enfrentam o exército. Arábia Saudita, Qatar e Turquia, com governos sunitas, apoiam a rebelião contra Assad, que em contrapartida, é apoiado e sustentado pelo Irã, pelo Hezbollah, e por grande parte dos xiitas. Com isso, as divisões sectárias que fermentam desde a invasão americana no Iraque, estão se espalhando pela região.

Como o ocidente hesita em apoiar plenamente a oposição, os rebeldes aceitaram auxílio dos iraquianos do Al Qaeda, um grupo militante sunita, cujo confiável afluxo de armas e dinheiro, chega de doadores sunitas extremistas. A ideia de instaurar um estado islâmico goza de apoio junto a alguns sírios, que são influenciados por clérigos radicais sauditas. A guerra síria alimenta-se de antagonismos mais amplos, arraigados, primariamente, não nas seitas, mas em interesses geopolíticos e estratégicos, conflitantes: a disputa regional de poder entre a Arábia Saudita e o Irã, o confronto do Irã com o ocidente, em virtude de seu programa nuclear, e da aliança entre o Hezbollah e o governo da Síria contra Israel, que por sua vez, tem o apoio dos EUA.

A afinidade de Assad com o Hezbollah, e com o Irã, é primariamente, estratégica. Embora sua seita alawita (12% da população) ofereça um apoio fundamental, a maioria dos alawitas é laica. Os xiitas "clássicos", cerca de 200 mil na Síria, é uma minoria ainda menor, inferior a 1%. Rafiq Lotof, xiita sírio-americano, que deixou Nova Jersey para ajudar autoridades sírias a organizarem milícias, afirmou recentemente, em Damasco, que as paixões religiosas xiitas, ajudarão o governo a sobreviver. "Se começarmos a perder o controle, milhares de iranianos, libaneses e iraquianos virão para a Síria. Eles vão lutar, não vão observar. Isso é parte da religião deles", disse Lotof.

Na última quarta-feira (12), as emissoras árabes de TV divulgaram imagens de militantes xiitas, vindos do Iraque, lutando ao lado do regime Sírio, e quando entrevistados pelos jornalistas, afirmaram que estão lutando ao lado do exército sírio, por uma questão de honra, e para combater a traição do povo árabe, que não se importou em se aliar ao grande inimigo Israel, somente para derrubar Bashar El Assad. “Israel é um grande inimigo de todos os árabes, e depois do massacre de Qusayr, foram encontradas milhares de armas de fabricação israelenses, o que comprovou que os rebeldes se aliaram a Israel, que foi o que mais nos incentivou a vir aqui ajudar o regime”, disse um deles. O exército sírio dominou grande parte de Aleppo, nos últimos dias.

Fonte: Voz da Rússia e NTV

Therese Mourad
Gazeta de Beirute 

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