A hora do sono


A hora do sono é um dos momentos mais especiais do dia, é a hora de relaxar e recompor as energias, para que o dia seguinte seja repleto de vigor.  Mas ainda que seja mágico para uns, a madrugada pode ser o desconforto de outros, se houver o barulho incômodo do ronco.  Há pessoas que acordam com o som do próprio ronco, ou que não conseguem dormir por causa do ronco do parceiro. Seja qual for o caso, se está atrapalhando o sono, o melhor a fazer é procurar ajuda médica, pois a falta de tratamento pode aumentar a proporção do barulho com o decorrer dos anos.

O Ronco:
O ronco, também chamado de ressono, é um ruído formado atrás da base da língua e produzido pela respiração, quando as vias aéreas são obstruídas durante o sono. Pode ser classificado como normal ou patológico. 

Ronco normal é o ruído liberado quando dormimos. Também chamado de ronco posicional, acontece normalmente, quando uma pessoa dorme com a barriga para cima, pois essa posição faz com que o queixo se desloque para baixo e para trás fazendo com que a língua pressione a garganta.

Ronco patológico pode ser provocado por diversos fatores, como a diminuição do tônus (perda da elasticidade) das paredes musculares da faringe, a grande produção de muco e secreções, alterações nos ossos faciais, problemas como sinusite, rinite e outros. O ronco patológico não sofre influência da posição de repouso das pessoas, pois nesse caso o ruído acontece pela respiração bucal, provocada pelo indivíduo, quando ocorre a obstrução nasal, durante o sono.

Controlar o peso pode ser fundamental, não só para evitar problemas como colesterol alto e diabetes, mas também para não roncar. Isso porque o excesso de gordura corporal aumenta também os músculos da língua, e o volume ao redor da traqueia, comprimindo a garganta, e tornando a respiração mais difícil, principalmente durante o sono, quando o corpo está relaxado, e o estímulo do cérebro para. Quando a respiração é interrompida, a pessoa desperta (sem necessariamente recuperar a consciência e abrir os olhos). 

As pausas respiratórias costumam demorar mais de 10 segundos, e são consideradas anormais quando ultrapassam a frequência de cinco por hora. O músculo da garganta também fica mais flácido com o envelhecimento, com o consumo excessivo de álcool, o fumo, o sedentarismo, e o uso de remédios sedativos. 

Para evitar o problema durante a noite, dormir de lado, e de bruços, ajuda. 40% dos adultos roncam, pelo menos ocasionalmente, e 25% são roncadores habituais. O ronco é mais frequente em homens, e em pessoas que estão acima do peso, tendendo a piorar com a idade.

Então, o que é o ronco?  São sons ruidosos, que ocorrem quando há uma obstrução do livre fluxo de ar, através das passagens aéreas (vias aéreas), na parte posterior da boca e nariz. Esta área, formada pela base da língua, parte superior da garganta (faringe), palato mole e a campainha (úvula), pode, em situações anormais, entrar em colapso. O ronco ocorre, quando as estruturas dessa área, por se relaxarem durante o sono, tocam-se uma nas outras, vibrando durante a respiração.


Quais as causas do ronco?

•À redução do tônus muscular na língua e garganta. Quando os músculos estão muito relaxados, pelo efeito do álcool, ou medicamentos que causam sonolência, a língua tende a cair para trás, ou a faringe se estreita, comprometendo a passagem do ar. Isto pode acontecer também durante o sono profundo. 

•Ao volume excessivo de tecido na garganta. Crianças com grandes adenoides e amígdalas, roncam frequentemente. Adultos e crianças com excesso de peso, também têm excesso de tecido no pescoço. Raramente, o aumento de volume na garganta é devido à presença de cistos e tumores. 

•Anomalias do palato mole e úvula. Um palato extenso causa estreitamento da abertura do nariz, na garganta. Quando ele oscila, age como válvula vibratória ruidosa durante a respiração, durante o sono. Uma úvula extensa torna a situação pior ainda.

•Às vias aéreas nasais obstruídas. Um nariz entupido, ou bloqueado, requer esforço extra, para inalar o ar através dele. Isto cria um vácuo exagerado na garganta, e mobilização dos tecidos moles dessa região, resultando em ronco. Isto ocorre com frequência durante as crises de rinite alérgica, resfriados e sinusites infecciosas. 

•Deformidades do nariz, ou do septo nasal, como o desvio de septo (uma deformidade da parede que separa uma fossa nasal da outra), também causam obstrução.

•Defeitos congênitos craniofaciais podem ser acompanhados de obstrução à passagem do ar, nas vias aéreas superiores durante o sono.

O Ronco pode ser um problema sério? 
SIM! O ronco habitual pode se tornar um sério problema social, expondo o roncador ao ridículo, e ao constrangimento, por prejudicar a noite de sono de outras pessoas que com ele convivem. Além disso, o ronco pode se tornar um sério problema médico. Ele perturba os padrões de sono, e priva o roncador do repouso apropriado. Quando severo, em longo prazo, o ronco causa sérios problemas à saúde, principalmente quando associado à apneia obstrutiva do sono.

O ronco pode ser curado?
Os indivíduos que roncam intensamente, em qualquer posição, ou por causa do seu ronco, têm problemas de relacionamento com a família, devem procurar aconselhamento médico, para se assegurar da existência da apneia do sono. É importante que se submetam a uma avaliação clínica completa. Pode ser necessário um estudo do sono, em laboratório do sono, para determinar a severidade do ronco, e que efeitos ele está produzindo na saúde do roncador.

Tratamento: O tratamento depende do diagnóstico. O exame médico irá revelar se o ronco é causado por alergia nasal, infecção, deformidades, aumento da adenoide e/ou amígdalas. O ronco associado à apneia obstrutiva do sono, pode se beneficiar de vários tratamentos, cirúrgicos e não cirúrgicos. Modernamente, a utilização do tratamento clínico, com pressão positiva contínua na via aérea (CPAP), através de uma máscara nasal, com a qual o paciente dorme todas as noites, inibe não só o ronco, mas também a apneia do sono, podendo controlar os efeitos relacionados a este distúrbio.

Adultos que sofrem de ronco leve ou ocasional, podem se beneficiar com a adoção das seguintes medidas:

•Adotar um estilo de vida saudável, e realizar exercícios físicos regularmente, para desenvolver um bom tônus muscular, e perder peso. 

•Evitar o uso de tranquilizantes, medicamentos para dormir, e anti-histamínicos ao deitar.

•Evitar consumo de álcool por pelo menos 4 horas, e alimentos pesados, por pelo menos 3 horas, antes de se deitar. 

•Estabelecer padrões regulares de sono. 

Evitar dormir de barriga para cima. Dormir de lado e mais indicado.

•Elevar a cabeceira da cama em 10 cm.

Lembre-se: Ronco significa distúrbio respiratório, e este distúrbio pode ser grave!!

A Apneia do Sono:
Apneia do sono parece ser tão comum, quanto a algumas doenças mais bem conhecidas. Estima-se que 4% dos homens de meia idade, e 2% das mulheres de meia idade, se enquadrem nos critérios da síndrome da apneia do sono. 

Esta é mais frequente entre os indivíduos acima do peso, e do sexo masculino. Parece também ser mais prevalente, nos indivíduos que sofrem de hipertensão arterial. Alguns estudos têm demonstrado que uma história familiar de apneia do sono, aumenta o risco de aparecimento da doença. A obesidade é um fator de risco, especialmente, quando os indivíduos possuem um perímetro do pescoço aumentado. Outros fatores de risco incluem: Anormalidades estruturais das vias aéreas superiores (narinas, nasofaringe, orofaringe e hipofarige), anomalias ósseas da face (alterações de mandíbula), abuso de fumo e álcool.

O que é?
A forma mais exagerada do ronco é a apneia do sono, na qual existem frequentes episódios de parada respiratória, por obstrução. Apneia do sono é um distúrbio, caracterizado por interrupções breves (por mais de 10 segundos), e repetidas, na respiração durante o sono. É uma condição séria quando não tratada.Quase sempre, todos os pacientes que sofrem de apneia do sono, têm uma história de ronco alto. Eles também apresentam frequentes despertares, de curta duração, não conscientes, durante a noite, chamados microdespertares, e que resultam em sonolência diurna e/ou sensação de cansaço ao despertar.

Há três tipos diferentes de apneia do sono: 
Central, obstrutiva e mista.

A apneia central: Caracterizada por ausência de fluxo de ar, e de esforço respiratório, é rara.

A apneia obstrutiva: É muito mais comum. Ocorre por colapso dos tecidos moles da região posterior da garganta, resultando na interrupção da passagem do ar, a despeito do esforço para respirar, forçando o indivíduo a parar de respirar repetidamente, às vezes, centenas de vezes, durante o sono. 

A apneia mista: É uma combinação da obstrutiva e central. 

Outro evento, relacionado à apneia, é a hipopneia, ou diminuição da profundidade e da frequência dos movimentos respiratórios. Caracteriza-se por redução do fluxo de ar, associada a um decréscimo na saturação de oxigênio no sangue. O número médio, de eventos de apneia e hipopneia por hora, recebe o nome de índice de apneia/hipopneia (IAH), ou índice de distúrbio respiratório. O IAH nos fornece uma medida da severidade da apneia do sono. De um modo geral, quanto maior o IAH, maior a severidade dos sintomas. 

A apneia do sono não tratada, pode ser potencialmente fatal. As consequências incluem hipertensão arterial, e complicações cardiovasculares. Do ponto de vista comportamental, as pessoas com apneia do sono costumam relatar cansaço, fadiga, sonolência, problemas de memória ou de julgamento, irritabilidade, dificuldade de atenção, e alteração da personalidade. Tendem a dormir em ocasiões, e locais não apropriados, inclusive dirigindo veículos, ou operando máquinas perigosas. Hoje se sabe que muitos acidentes graves ocorreram em consequência da apneia do sono.

Tratamento para Apneia: Há uma variedade de tratamentos para a apneia do sono. O tratamento mais apropriado depende da história clínica de cada pessoa, e da severidade da desordem. Os tipos de tratamento incluem mudanças no estilo de vida, uso de dispositivos intraorais e cirurgia, esta cada vez mais rara. Hoje, no entanto, o CPAP1 nasal, é o tratamento mais comum, para apneia obstrutiva do sono. O sistema CPAP, fornece ar que é empurrado para dentro da via aérea, numa pressão alta o suficiente para mantê-la aberta, inibindo as irregularidades respiratórias, durante o sono, inclusive o ronco.

E as crianças, também apresentam apneia?
Como os adultos, elas podem ter um quadro de apenas respiração bucal, e roncos, mas também podem apresentar apneias. Em uma parcela dos casos, o aumento exagerado das amígdalas e/ou adenoides, são os responsáveis, e a cirurgia resolve o problema. 

Em outros, ocorre o ronco devido à dificuldade da respiração pelo nariz, que pode ser causada pela rinite alérgica, então o tratamento clínico, é necessário. Os sintomas da apneia, nas crianças, são diferentes dos sintomas nos adultos. 

Elas geralmente têm sono agitado, ficam impacientes durante o dia, e com dificuldade de concentração. A manutenção da respiração bucal, na criança, gera várias repercussões no crescimento da face, no posicionamento dos dentes, na fala, no ganho de peso, e no crescimento como um todo. Também pode haver repercussões no aprendizado e no desenvolvimento.


Dra Lea Mansur
Gazeta de Beirute

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