Culinária Brasileira

 
Foto: Trip Cultural

A culinária brasileira é fruto de uma mistura de ingredientes europeus, indígenas e africanos. A refeição básica, do brasileiro médio, consiste em arroz, feijão e carne. O prato, internacionalmente, mais representativo do país, é a feijoada, porém os hábitos alimentares variam de região para região. No Nordeste, há uma grande influência africana na culinária, com destaque para o acarajé, vatapá e molho de pimenta. No Norte, há uma influência indígena, no uso da mandioca, e de peixes de água doce. No Sudeste, há pratos diversos, como o feijão tropeiro e o angu, em Minas Gerais, e a pizza em São Paulo.

No Sul do país, há forte influência da culinária italiana, em pratos como a polenta, e também da culinária alemã. O churrasco é um típico prato do Rio Grande do Sul, e também uma característica muito forte na cultura brasileira. O Brasil não possui carnes de qualidade tão elevadas, como as da Argentina e Uruguai, que se destacam nessa área, pelo seu terreno geográfico. No entanto, o brasileiro é um amante do bom churrasco, acompanhado de bebidas, como a cerveja e o chopp, deixando o vinho para outras ocasiões. Cada um dos estados brasileiros tem seus pratos típicos, preparados de acordo com antigas tradições, que são transmitidas de geração em geração.

O significado da comida, ultrapassa o simples ato de alimentar-se. São muitas as tradições que consideram a hora da refeição, como semissagrada, de silêncio, compostura e de severidade. Manda-se respeitar a mesa, e no interior, não se comia trazendo armas, chapéu na cabeça, ou então sem camisa. Comer junto é aliar-se: a palavra, "companheiro", vem do latim, "cum Panis", que significa de quem compartilha o pão. Entre as diversas comidas tradicionais brasileiras, que merecem ser citadas, você verá à seguir, apresentadas de acordo com cada região.

Região Sul:
No Rio Grande do Sul, nada é mais tradicional do que o churrasco. Também deve ser mencionados o arroz de carreteiro, e o salame de porco. O chimarrão, feito com erva-mate, tomado em cuia e bomba apropriada, é uma marca registrada do gaúcho. A colonização italiana introduziu a produção de vinho, em especial na região da Serra gaúcha. No Paraná, é comum o barreado, uma mistura de carnes, preparada em panela de barro, e acompanhada, de farinha de mandioca e banana. Em Santa Catarina, temos as caldeiradas de peixe, e de sobremesa, as deliciosas tortas de maçã, introduzidas pela imigração alemã.

Região Sudeste:
O tutu de feijão, a feijoada, a linguiça, a carne de porco, e as postas de peixes com pirão, são encontrados em diversos estados da região. No Espírito Santo, há a moqueca capixaba, preparada em panela de barro, com vários tipos de peixes e frutos do mar: marisco, siri, caranguejo, camarão, lagosta, bacalhau, palmito, e a tintura de urucum. Em Minas Gerais, há diversos pratos com carne de porco, galinha ao molho pardo, ou com quiabo e angu, arroz carreteiro, arroz com galinha, feijão tropeiro, tutu, couve, torresmo e farofa. O pão de queijo, de origem mineira, hoje é encontrado em várias capitais do país. Sobremesas: bolo de fubá, goiabada com queijo, doces em calda (cidra, abóbora, figo) e doce de leite.

O Rio de Janeiro contribui com o picadinho de carne com quiabo, e o camarão com chuchu. Em São Paulo, a culinária caipira se assemelha à de Minas, mas a colônia italiana introduziu as massas e a pizza. Também merecem destaque os pastéis, tão frequentes quanto apetitosos. Há quem diga que eles têm origem na China, mas sobre isso não há certeza. Por outro lado, a imigração japonesa também deixou marcas na mesa dos paulistas, em especial na capital, onde há vários restaurantes japoneses.

Região Centro-Oeste:
Entre outros pratos, pode ser citado, o arroz de carreteiro, o escaldado, pacu frito ou assado, peixe com mandioca, frango com guariroba, espeto, quiabo frito, pirão, caldo de piranha, e dourado recheado.

Região Nordeste:
Pratos preparados com peixes são típicos do litoral, enquanto manteigas de garrafa, carne de sol, e charque, representam o sertão. A rapadura é tradicional, desde o ciclo da cana-de-açúcar, no início da colonização. A presença africana é nítida na alimentação da Bahia: vatapá, sarapatel, caruru, acarajé, abará, bobó de camarão, xinxim de galinha, moqueca de peixe. O azeite de dendê é o que diferencia e perfuma os alimentos. Entre os doces, há cocadas, quindim, baba de moça, e o famoso "bolinho do estudante", feito de tapioca.

No litoral de Pernambuco, são tradicionais os peixes, ensopados de camarão e casquinhas de siri. No interior do estado, a carne de sol, e a buchada de bode, ou carneiro. No Ceará, há pratos à base de frutos do mar - caranguejos, siris, camarões, ostras e lagosta, e peixada, acompanhada de farinha. No sertão, encontra-se a carne de sol, o baião de dois, feijão verde, carneirada, e a panelada. Doces, sucos e sorvetes, feitos com frutas tropicais: cajá, seriguela, graviola, pitomba, pitanga, jambo, coco. No Rio Grande do Norte, toma-se ainda, alambica (uma sopa de jerimum com leite).

Região Norte:
Caldeirada de tucunaré, tacacá, tapioca, pato no tucupi. De origem indígena, o tacacá é uma sopa com tapioca, camarão seco, pimenta, e tucupi, nome de um molho preparado com mandioca e jambu que acompanha o pato, ou o peixe. Na sobremesa, doces de castanha-do-pará, e frutas típicas, como açaí, cupuaçu e graviola, além de bolo de macaxeira, e baião de dois.

Cachaça:
A bebida mais típica do Brasil é a aguardente de cana-de-açúcar, ou cachaça, que se encontra em todo o território nacional. Sua popularidade pode ser medida pela quantidade de sinônimos que a imaginação popular deu a essa bebida, de alto teor alcoólico. Entre os sinônimos da cachaça, citamos alguns como:

Abre-bondade, abre-coração, abrideira, abridora, aca, ácido, aço, acuicui, a do ó, água, água-benta, água-bórica, água-branca, água-bruta, água de briga, água de cana, água de setembro, água-lisa, aguapé, água pra tudo, água que gato não bebe; água que passarinho não bebe; aguardente, aguarrás, agundu, alicate, alpista, alpiste, amarelinha, amorosa, anacuíta, angico, aninha, apaga-tristeza, a que incha; aquela que matou o guarda, aquiqui, arapari, ardosa, ardose, ariranha, arrebenta-peito, assina-ponto, assovio de cobra, azeite, azougue, azulada, azuladinha, azulina, azulzinha, bafo de tigre, baga, bagaceira, baronesa, bataclã, bicarbonato-de-soda, bicha; bichinha, bicho, bico, birinaite, birinata, birita, birrada, bitruca, boa, boa pra tudo, bom pra tudo, borbulhante, boresca, braba, branca, brande, branquinha, brasa, braseira, braseiro, brasileira, brasileirinha, brava, briba, cachorro de engenheiro, caeba, café-branco, caiana, caianarana, caianinha, calibrina, camarada, cambraia, cambrainha, camulaia, cana, cana-capim, cândida, canguara, canha, canicilina, caninha, caninha-verde, canjebrina, canjica, capote de pobre, cascabulho, cascarobil, cascavel, catinguenta, catrau, catrau-campeche, catuta, cauim, caúna, caxaramba, caxiri, caxirim, caxixi, cem virtudes, chá-de-cana, chambirra, champanha da terra, e muitos outros...

Apesar de toda a simpatia que lhe dedica a cultura popular brasileira, não se deve esquecer que a cachaça é uma bebida alcoólica, e nesse sentido, seu consumo acarreta vários riscos à saúde. O álcool é uma droga, e provoca dependência. O alcoolismo é uma doença, e provoca outras doenças, como alguns tipos de cânceres, e cirrose hepática. Portanto, aprecie com muita moderação!


Therese Mourad
Gazeta de Beirute

Fonte: cultura brasileira
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About beirut lebanon

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1 comments:

  1. Excelente post, muito bem resumido. Encontrei esse outro específico sobre a culinária da região norte do brasil. Quem precisar para trabalho pode utilizar porque também tem informações importantes sobre gastronomias e pratos típicos: http://culinarianomundo.blogspot.com.br/2011/10/culinaria-da-brasil-comidas-tipicas-da.html

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