Dia de manifestações nos EUA

Foto: Carlo Allegri/ Reuters

Na última semana, houve manifestações nos EUA por Trayvon Martin, e pelos direitos civis. Em 2012, o jovem negro, de 17 anos de idade, foi morto por um vigia de bairro, que foi inocentado pela justiça americana, na semana passada. 

A absolvição de George Zimmerman, que matou o jovem de 17 anos em fevereiro de 2012, já havia provocado uma série de manifestações. A sentença trouxe à tona o debate sobre a questão racial, e o racismo nos Estados Unidos - uma ferida que, ao contrário do que se imaginava, continua aberta. O último dia 20 foi um dia repleto de manifestações por todo o país, em homenagem ao jovem Trayvon Martin, e pelos direitos civis. 

Os protestos, organizados em centenas de cidades, foram convocados por militantes dos direitos civis, que contestam a absolvição de George Zimmerman, acusado de ter matado o jovem Trayvon. Celebridades como Beyoncé e Jay-Z, também estiveram presentes nos protestos. O veredito do júri do Tribunal de Sanford, na Flórida, ocorreu na semana passada e chegou até a Casa Branca, onde Barack Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, afirmou que ele mesmo "poderia ser Trayvon Martin há 35 anos". 

Al Sharpton, um importante ativista do movimento negro norte-americano, pediu que o povo se manifeste e anunciou que os protestos ocorrerão em 100 cidades, em frente aos prédios do governo, como forma de pressão, para que os direitos civis dos negros sejam protegidos. O presidente americano optou por não criticar o veredito dos jurados, que acreditaram que Zimmerman agiu em legítima defesa, ressaltando que o júri é soberano. "Quando o júri se pronuncia, é aí que funciona o nosso sistema", destacou Obama.

Obama falou ainda, sobre os efeitos e a dor, que a sentença provocou na comunidade negra, e adotando um tom muito pessoal, falou sobre a reação que ele teve algumas semanas após a morte do jovem. “Quando Trayvon Martin foi abatido, eu disse que podia ter sido meu filho. Outra forma de dizer isso é que, há 35 anos, eu poderia ter sido Trayvon Martin", disse o presidente americano.

"A comunidade afro-americana percebe estes casos através de um conjunto de experiências, e de uma história que não desaparece", ressaltou o presidente, em alusão à escravidão, abolida há 150 anos, e ao regime de segregação, que deixou de existir há 50 anos no sul do país.


Therese Mourad
Gazeta de Beirute
Share on Google Plus

About beirut lebanon

This is a short description in the author block about the author. You edit it by entering text in the "Biographical Info" field in the user admin panel.

0 comments:

Postar um comentário