Inauguração do Museu do Herói Nacional


Youssef Beyk Karam, um filho de Zghorta, foi um homem que dedicou a sua vida para libertar o Líbano do domínio otomano, ficou famoso por liderar uma revolta contra as autoridades otomanas do século XIX. Sua antiga casa, dedicada a este herói nacional, foi restaurada e agora abrigará o Museu do Herói Nacional, onde estarão disponíveis manuscritos e pertences de Karam, além de pinturas que retratam sua vida. A cerimônia de inauguração foi realizada na ultima semana, n presença de autoridades políticas e religiosas, como o Ministro da Cultura, Gabi Layyoun, o Patriarca Maronita Bechara Rai, o Bispo Paul Saadeh, bem como os administradores do Museu, e o proprietário e responsável pela restauração do Museu, Mohsen Al-Tbeish, também nascido em Zghorta. 

A paixão de Karam, era ver Líbano como uma nação independente, livre e soberana, e não governada por estrangeiros. Karam revoltou-se contra o governante estrangeiro não por causa da ganância, ou em busca de uma posição importante, ou grau superior, mas sim para defender a dignidade de sua terra, e à soberania de seu povo, além da liberdade dos seres humanos", disse Saadeh. Layyoun saudou a iniciativa de Tbeish, e seu incentivo em projetos culturais, acrescentando que ele esperava que Tbeish fosse capaz de reunir todos os pertences de Karam no museu. "As esperanças e as aspirações de Youssef Beyk não são alcançadas até este dia. Mas a sua famosa frase vive através de seus netos, no Exército libanês". 

 Tbeish, um emigrante australiano, viveu muitos anos coletando relíquias de Karam no exterior, como os manuscritos que estavam exibidos no Palácio de Versalhes, na França (onde ainda existe uma rua com seu nome), um dia decidiu resgatar a memória do herói, em sua cidade natal, comprando sua antiga casa, e pedindo a todos para ajudarem na construção do Museu de Karam. Ele chegou a pedir a população, que quem tivesse algo de Karam, que por gentileza, pudessem fazer uma doação, ou vender, ou ainda, até emprestar qualquer pertence de Karam ao Museu, e também, indicar onde Tbeish poderia encontrar seus pertences mais relevantes. 

A restauração da histórica casa de Karam, que foi originalmente construída em 1777, contou com a mão de obra de profissionais e especialistas em arquitetura antiga, sendo a maioria de Aleppo. A antiga casa de Karam, que estava em ruínas, quando Tbeish a localizou, possui uma construção com uma arquitetura inusitada, com 3 arcos de pedra antiga, e várias e entradas e saídas, um subterfúgio criado por Karam, para enganar os otomanos e manter sua movimentação na residência em segredo. Karam nasceu em 1823, na mesma casa onde hoje é o seu museu, e faleceu há 120 anos, em Nápoles, na Itália, em 1889, quando vivia em exílio. A princípio Karam foi enterrado na Itália, mas após cinco meses, seu corpo foi exumado e trazido para Zghorta, e depois transferido para a Catedral de São Georges, em Ehden. Seus restos mortais estão passando por um processo de preservação, com o auxilio de especialistas italianos, dentre eles, Dr. Louigi Capasso, que vem trabalhando para preservar corpo de Karam em uma unidade especializada, no Hospital Nossa Senhora em Zghorta.

O museu tem três seções:
No piso térreo, encontra-se as casas de banho e utensílios domésticos originais de Karam. No segundo andar encontra-se o escritório, a sala de reuniões e salões, com uma série de pinturas e documentos raros, que posteriormente, serão pendurados nas paredes. O terceiro andar tem o quarto de Karam, bem como uma torre fortificada, e a sala de oração original. Tbeish não pretende cobrar taxa de entrada para o museu, pois seu objetivo não é lucrar com o projeto, mas aumentar a conscientização e notoriedade de Karam - um herói que preferiu o exílio, ao invés de submeter-se a ocupação estrangeira.


Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute 
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