Israel uma ameaça à zona econômica exclusiva libanesa

Foto: Mohamed Azakir

O Ministro das Energias, Gebran Bassil, advertiu na última sexta-feira (11), que Israel poderia estar roubando recursos de petróleo e gás em águas libanesas. Bassil pediu ao Presidente e ao Primeiro-Ministro Interino, Najib Mikati, que aprovem os decretos necessários, para o Líbano iniciar suas explorações em sua zona econômica exclusiva, o mais rápido possível, para assim proteger seus recursos, e impedi-los de serem apropriados por outros. O problema levantado pelo Ministro não era uma questão de preocupação, até o momento, porque até agora, Israel tinha limitado a sua exploração de gás e atividades de extração, para as reservas Leviathan, Dalit, Tamar e Tanin, todas distantes da zona econômica exclusiva do Líbano. A reserva mais próxima entre eles, a Tanin, encontra-se a dezenas de quilômetros da fronteira com o Líbano, e sua exploração não tem qualquer influência na zona do Líbano, e suas riquezas. 

Entretanto, nas últimas semanas, Israel anunciou a sua intenção de começar a explorar uma nova reserva chamada Karish, estimada em 150 km² em tamanho, com pesquisas projetando-a para segurar de 1,5 a 2 milhões de pés cúbicos de gás natural. O atributo mais preocupante desta reserva é sua proximidade com a zona fronteiriça, entre as zonas econômicas exclusivas israelenses e libanesas, cujo ponto mais distante fica até 17 km, e o ponto mais próximo, está localizado, a 4 km de distância. A zona econômica exclusiva do Líbano se estende por 22.000 km², e é dividida em 10 blocos demarcados com base nos resultados das pesquisas  encomendadas pelo Ministério das Energias do Líbano. Três desses blocos estão localizados ao lado da ZEE de Israel, e a reserva Karish, encontra-se a apenas 4 km de um dos blocos da ZEE libanesa. 

Os 250 km² da reserva Tamar, estão sendo explorados por 5 poços até agora, três ou quatro poços serão escavados na reserva Karish, e um ou dois deles, estão localizados na parte norte da reserva, podendo assim, ficar a uma distância perto o suficiente, para ter um impacto sobre as reservas libanesas. Uma simples perfuração vertical naqueles poços poderia afetar a riqueza libanesa, e pra piorar ainda mais a preocupação libanesa, as técnicas modernas permitem a perfuração de poços oblíqua, ou perfuração horizontal, até 10 km ou mais. Como resultado, qualquer perfuração oblíqua ou horizontal na reserva Karish, a uma distância de 4 a 7 km, seria o suficiente para penetrar os blocos libaneses, e assim, infringindo suas riquezas. 

Com base nesses fatos, pode-se dizer que as reservas de gás do Líbano estão agora em perigo, e isso exige que sejam tomadas medidas para acelerar a exploração do país, de suas próprias riquezas. Bassil havia planejado inaugurar primeira ronda de licenciamento no exterior do país, em Maio, porém, a renúncia do Primeiro-Ministro, Najib Mikati no final de Março, colocou o processo em espera. O governo ainda deve passar por dois decretos - que definirão as empresas de produção, e o acordo de partilha que assinarão e delinearão os blocos disponíveis para licitação, antes da licitação e das negociações começarem. Ainda que Bassil tenha advertido o potencial roubo de Israel sobre os recursos do Líbano, ele foi muito cuidadoso em reiterar também, que Israel ainda não tentou roubar petróleo ou gás das reservas libanesas, mas que teoricamente, ele poderia fazer isso.  


Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute

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