Líbano critica UE por colocar Hezbollah na lista de Terroristas


Apesar dos esforços diplomáticos do Líbano, os países da Europa, após pressão israelense e americana, concordaram nesta segunda-feira (22) em colocar o partido Hezbollah, na lista de terroristas, no entanto, essa atitude teve uma grande repercussão, no país.

Apesar da decisão européia de colocar apenas o braço armado do Hezbollah na lista de terroristas, eles afirmaram que os membros do parlamento que atuam na política do país, mesmo sendo do Hezbollah, não serão considerados como terroristas.

O Presidente libanês e cristão, Michel Sleiman, disse que espera que a União Europeia reconsidere a sua decisão de incluir a ala militar do Hezbollah, como uma organização terrorista, por causa da estabilidade no Líbano.

No encontro de Sleiman com a embaixadora da União Européia, Angelina Eichhorst, o presidente também pediu esclarecimentos de tal ação.

Segundo Eichhorst, o sindicato poderá reconsiderar a decisão, para não tomar nenhuma atitude precipitada, tudo pela estabilidade do país, levando em consideração as opções que serão discutidas no Dialogo Nacional.

O primeiro-ministro interino, Najib Mikati disse que lamenta a decisão da União Européia.

"Vamos acompanhar a questão através de canais diplomáticos e queremos que os países da UE realizem uma revisão cuidadosa dos fatos e dos dados adicionais que possam acusar o Hezbollah", acrescentou.

O Ministro das Relações Exteriores, por sua vez,  Adnan Mansour afirmou que a União Européia se precipitou.

O porta-voz do parlamento, Nabih Berri, foi ainda mais direto, e chamou a ação européia de “grande estupidez”.

Segundo os países da UE, essa ação foi realizada em resposta a um atentado na Bulgária, em um ônibus que matou vários israelenses, no entanto, o Hezbollah negou.

Esta colocação do Hezbollah, como grupo terrorista, levanta diversos pontos a serem discutidos, como por exemplo, de como será as relações diplomáticas com o governo libanês, sendo que o Hezbollah, faz parte do parlamento, e da política do país, entre outras coisas, o Hezbollah presta diversos serviços à comunidade libanesa.

No entanto o Embaixador britânico Tom Fletcher disse em seu Twitter que isso não afetará as relações com a ala política do partido.

A ministra da Justiça de Israel, Tzipi Livni, ficou feliz, com a decisão da UE, mas disse que não é suficiente, uma parte do grupo ser considerada como terrorista e a outra parte não.

" Políticos e militares do Hezbollah são duas faces da mesma moeda, mas agora está claro para o mundo inteiro que o Hezbollah é uma organização terrorista", disse ela em um comunicado.

Sobre isso, no entanto, autoridades responderam que o mundo é grande demais, vários países não consideram o Hezbollah como terrorista, entre eles há a grande parte da Africa, Asia, e América Latina, inclusive grandes potências como China, e Rússia, também não o consideram como um partido terrorista. O Brasil, que possui grande número de libaneses e descendentes, também  não consideram o Hezbollah, como um grupo terrorista. Em contra-mão, com a Austrália, Canada, Estados Unidos, Israel, Argentina e agora os páises da Europa.

O Líder do grupo xiita, ainda não comentou nada, sobre a decisão da União Européia, mas segundo a um membro do Hezbollah, que conversou com a Gazeta de Beirute, isso não tem grande importância, o Hezbollah é um grupo que age dentro do Líbano em sua defesa, contra Israel, e seus membros não vão à Europa.

Segundo ao Professor de Relações Internacionais, Imad Bitar, a atitude da União Européia, nesse momento foi bem estudada, pois não há muitos países árabes que atualmente, apoiam o Hezbollah, pela interferência do grupo na guerra da Síria, e que os países árabes, que tanto são importantes para a Europa pelo petróleo e por outras razões econômicas, provavelmente agora não irão pressionar a União Européia.

Conversando com família xiitas, algumas pessoas declararam, que para grande parte da população libanesa,” isso foi uma ofensa, em quase toda casa de um muçulmano xiita, há um membro do Hezbollah”, além disso, “as tropas israelenses ficaram no Líbano por vinte anos, e só saíram com a resistência do Hezbollah”.

Outros ainda afirmaram, que ser terrorista ou não, não é a grande questão, e sim os interesses, estes estão acima de tudo, e me citaram um exemplo:
A América e Israel, concordam que al -Nusra, (grupo de oposição na Síria), é um partido terrorista, assim como Al-Qaeda, e outros, e mesmo assim, eles fornecem apoio à oposição."


Chadia Kobeissi
Gazeta de Beirute
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