Prisão de ventre


Prisão de ventre e intestino preso são os nomes populares pelos quais é conhecida a constipação (ou obstipação) intestinal, um distúrbio comum caracterizado pela dificuldade persistente para evacuar.
É preciso considerar, entretanto, que não existe um padrão rígido para classificar a frequência normal de funcionamento dos intestinos, que pode variar de 3 a 12 vezes por semana.

Só se considera um quadro típico de constipação, quando ocorrem duas, ou menos, evacuações por semana e/ou, o esforço para evacuar é grande demais, e pouco produtivo.

Algumas pessoas se queixam de que o intestino não funciona regularmente em ambientes estranhos, ou quando quebram a rotina, como ocorre durante as viagens, por exemplo. Essa alteração, porém, costuma desaparecer tão logo a pessoa retoma suas atividades habituais.

Ir ao banheiro fora de casa deveria ser encarado de forma natural, até porque não dá para escolher a hora em que o corpo vai sentir vontade, mas para algumas pessoas, isso vira motivo de sofrimento. Junto com a vergonha de frequentar ambientes públicos, a alimentação pobre em fibras, e o pouco consumo de água, e o sedentarismo, também contribuem para um quadro que atinge, principalmente, as mulheres: a prisão de ventre.

A constipação é um transtorno mais comum nas mulheres, especialmente durante a gravidez, nas crianças e nos idosos. Em alguns casos, por uma característica familiar, há pessoas que têm o intestino muito longo, e isso faz com que a comida demore, para chegar ao ânus. Mas no geral, as mulheres não vão, em qualquer banheiro, não bebem água o suficiente, para não fazer xixi fora de casa, e crescem se acostumando a segurar o cocô. O alimento fica parado, e o intestino se acomoda, causando o ressecamento das fezes.

A vergonha tem motivo. Tanto que não é incomum passar a infância ouvindo que, “fazer cocô é feio, sujo e nojento”, e ainda repassar isso para os filhos depois de adulto. O problema é que essa ideia pode gerar consequências prejudiciais ao organismo. Além de desconforto e dores, a prisão de ventre causa gases, inchaço abdominal, e mau humor.

Causas: As causas mais comuns da prisão de ventre costumam ser a dieta pobre em fibras, a pequena ingestão de líquidos, o sedentarismo, assim como o consumo excessivo de proteína animal, e de alimentos industrializados. Não atender à urgência para evacuar, quando ela se manifesta, também pode comprometer o funcionamento regular dos intestinos. A prisão de ventre pode ainda, estar associada a doenças do cólon, e do reto; como diverticulose, hemorroidas, fissuras anais, e câncer colorretal.

Pode, igualmente, ser provocada pelo uso de certos medicamentos e por alterações neurológicas e do metabolismo. Estresse, depressão e ansiedade, são outras ocorrências capazes de interferir nos hábitos intestinais. A complicação mais comum da constipação é o fecaloma, massa compacta de fezes endurecidas, que se deposita no reto, ou no cólon-sigmoide, e interrompe o trânsito intestinal.
A tendência é o fecaloma aparecer mais nas pessoas com dificuldade de locomoção, como os idosos acamados e os cadeirantes.

Sintomas: Os sintomas da prisão de ventre podem variar de uma pessoa para outra, ou na mesma pessoa, nas diferentes crises. Os mais característicos são:
1- Número reduzido de evacuações;
2- Dificuldades para eliminar as fezes, que se apresentam ressecadas, muito duras, e pouco volumosas;
3- Sensação de esvaziamento incompleto dos intestinos. No entanto, esses não são os únicos sintomas.
Desconforto, distensão, inchaço abdominal, mal-estar, gases e distúrbios digestivos são manifestações que também podem estar correlacionadas com a prisão de ventre.

Diagnóstico: O levantamento da história do paciente, seguido de um exame clínico minucioso, é o passo fundamental para o diagnóstico da constipação. Exames de laboratório, como hemograma e sangue oculto nas fezes, e de imagem, como enema opaco, colonoscopia e tempo de trânsito das fezes, são importantes para determinar as causas do distúrbio, estabelecer o diagnóstico diferencial, e conduzir o tratamento.

Tratamento: Posto que a prisão de ventre seja apenas um sintoma, e não uma doença em si, o objetivo do tratamento é corrigir as causas do distúrbio. A maioria dos pacientes se beneficia, com mudanças na dieta, e no estilo de vida.  

Basicamente, a primeira delas, consiste na maior ingestão de fibras (legumes, verduras, frutas, cereais integrais, etc.), de alimentos com propriedades laxativas, como o mamão e a ameixa, de farelos em pó misturados aos alimentos, ou diluídos em água, ou em sucos, e de suplementos com fibra, na forma de biscoitos ou comprimidos.

A segunda é beber bastante líquido, aproximadamente dois litros por dia, (se não houver contra indicação médica, pois pessoas com insuficiência cardíaca ou renal, por exemplo, podem não tolerar esse volume de líquido).

Praticar atividade física é outra medida essencial, para o bom funcionamento dos intestinos. Em alguns casos, porém, pode ser necessário prescrever o uso de supositórios e de enemas (lavagens intestinais), para facilitar a eliminação das fezes.

Em virtude de possíveis efeitos adversos, o uso de laxativos deve ser, criteriosamente, orientado por um médico. Finalmente, só em situações muito especiais e raras, é preciso recorrer à cirurgia, a para retirada do fecaloma endurecido.

Recomendações:
•Vá ao banheiro sempre que tiver vontade;

•Beba muito líquido, mas álcool com moderação, porque ele ajuda a desidratar as fezes;

•Saiba que a ingestão de farelo em pó, pode aumentar a produção de gases;

•Coma frutas, se possível com casca, nos intervalos entre as refeições;

•Tente administrar as situações de estresse, e as crises de ansiedade. Se precisar de ajuda, não se acanhe. As emoções podem ter influência sobre o funcionamento dos intestinos. Lembre-se de que esse órgão já foi chamado de segundo cérebro.

•Procure assistência médica, se notar mudanças significativas, nos hábitos intestinais. Não deixe também de ir ao médico, se as fezes estiverem muito ressecadas, ou muito finas, se houver sinais de sangramento, ou se você estiver emagrecendo, sem nenhuma explicação aparente.

Os dez alimentos que podem ajudar... Confira!

Mamão: Ele sempre esteve na lista de indicações da vovó, como um dos principais alimentos para combater a prisão de ventre. Ele é rico em fibras, sais minerais, e tem alto teor de betacaroteno, um antioxidante, responsável pela obtenção indireta da vitamina A.

Além de dar aquela força para a saúde do intestino, o mamão tem propriedades calmantes, e atua como ótimo amigo, daqueles que têm um estômago sensível. É aconselhável ingerir mamão, diariamente, pela manhã.

Ameixa: A ameixa seca tem efeito laxativo natural, e por conter um alto teor de fibras insolúveis, é capaz de absorver mais água do organismo, e acelerar o trânsito intestinal. O resultado só será positivo, se houver uma grande ingestão diária de água. Para quem sofre de prisão de ventre, é necessária a ingestão de cinco unidades de ameixas secas, por dia.

Linhaça: Nos últimos anos, ela se tornou um alimento indispensável no cardápio de quem deseja perder peso. Principalmente porque auxilia no funcionamento do intestino. Rica em fibras solúveis e insolúveis, a linhaça aumenta o volume do bolo fecal, aumentando o trânsito intestinal, e ainda contribuindo para a limpeza eficaz da região.

A linhaça ajuda a combater a prisão de ventre, e diminui o risco de hemorroidas, e diverticulite, que é a inflamação da parede do intestino. Sugestão: Consumir uma colher de sementes de linhaça trituradas, acompanhadas com leite, ou iogurte, uma vez ao dia, de preferência no café da manhã, ou na ceia.

Abóbora: Além de ser um bom alimento para diminuir a vontade por guloseimas, já que tem sabor levemente adocicado, a abóbora pode ser uma aliada, na hora de colocar o intestino para funcionar. A fruta, que tem alto teor de fibras, zinco, potássio e ferro, ajuda no equilíbrio da flora intestinal, se consumida, no mínimo, três vezes na semana. Dica: Consuma a abóbora na salada, com arroz, ou como acompanhamento, na hora de preparar a carne de sua preferência.

Café: Se engana quem acha que ele só serve como aditivo milagroso, para manter o corpo acordado e disposto, por mais tempo. As propriedades químicas da bebida, também são capazes de estimular a movimentação do bolo fecal. Entretanto, há ressalvas:

Não conte com o café, constantemente, como laxante, pois em algumas pessoas, ele vicia. Com isso, os nervos do cólon, podem ficar cada vez mais tolerantes, ao efeito estimulante da bebida, o que deixa o intestino mais preguiçoso. A dose certa, e saudável, de café é uma xícara logo pela manhã, diariamente.

Legumes e verduras: A ordem, para esta categoria de alimentos, é consumi-los sempre crus, nas principais refeições do dia. Desta forma, é possível manter as propriedades benéficas, como as vitaminas, e o alto teor de fibras. Alface, rúcula, agrião, couve e abobrinha, têm o poder de aumentar o trânsito intestinal, sendo facilitadores da evacuação.

Lembre-se: A ingestão de água é determinante no processo de reabilitação do intestino, pois o líquido une-se ao bolo fecal, e é eliminado com mais facilidade.

Aveia: A aveia é rica em proteínas, vitaminas e sais minerais. Mas seu destaque está no seu alto teor de um tipo de fibra solúvel, que em contato com a água, transforma-se em uma goma, capaz de facilitar o trânsito intestinal, e impedir absorção de gorduras pelo organismo. A atuação da aveia também é ótima, para quem tem problemas de colesterol.

Soja: Ela está entre os alimentos funcionais mais consumidos pelos brasileiros na última década. Tudo por causa dos benefícios, mais do que comprovados, à saúde. Rica em proteínas, vitaminas e minerais, a soja, é determinante no combate da prisão de ventre, por ser fonte de glutamina, um aminoácido reparador do epitélio intestinal. O alimento também reduz o nível de glicose no sangue, se transformando num aliado, para quem tem diabetes.

Lentilha: A lentilha, muito consumida pelos libaneses, contém fibras, proteína, zinco, fósforo, vitaminas do complexo B, magnésio, potássio e enxofre. A ingestão do grão facilita a redução de absorção de gorduras, e aumenta o bolo fecal. Substitua pelo feijão na hora do almoço, ou do jantar, preferencialmente, três vezes na semana.

Iogurte: O iogurte, o famoso “laban” (coalhada) dos libaneses, serve como agente de manutenção da saúde da flora intestinal. O produto é eficiente por conter em sua composição, os famosos lactobacilos, responsáveis por estimular a proliferação de bactérias benignas ao intestino, mantendo seus ritmos e funções em ordem.

Por ser prático, o alimento pode ser consumido nos intervalos das refeições, como um lanche rápido e saudável. Cabe, neste caso, potencializar o efeito do iogurte, adicionando uma colher de semente de linhaça.

Os campeões em fibras:

•    Lentilha cozida (1/2 concha): 5,8 g de fibras
•    Maçã com casca (1 unidade média): 3,5 g de fibras
•    Uva-passa (2 col. de sopa): 3 g de fibras
•    Amêndoa torrada (1/2 xíc. de chá): 2,8 g de fibras
•    Laranja (1 unidade média): 2,6 g de fibras
•    Grão-de-bico (1/2 xíc. de chá): 2,6 g de fibras
•    Pera (1 unidade média): 2,5 g de fibras
•    Figo seco (4 unidades): 2,4 g de fibras
•    Abóbora cozida (1 pires de chá): 2,2 g de fibras
•    Mandioca cozida (1/2 xíc. de chá): 2,2 g de fibras
•    Macarrão integral (1 prato raso): 2,2 g de fibras
•    Acelga cozida (1 pires de chá): 2 g de fibras
•    Ervilha seca (1/2 xíc. de chá): 2 g de fibras
•    Farinha de aveia crua (2 col. de sopa): 2 g de fibras
•    Milho verde enlatado (1/2 xíc. de chá): 2 g de fibras
•    Pipoca (1 xíc. de chá): 2 g de fibras
•    Aveia em flocos (2 col. de sopa): 1,9 g de fibras
•    Pão integral de centeio (1 fatia): 1,8 g de fibras
•    Arroz integral cozido (1/2 xíc. de chá): 1,7 g de fibras
•    Farinha de soja (2 col. de sopa): 1,6 g de fibras
•    Brócolis cozido (3 ramos): 1,5 g de fibras
•    Farelo de aveia (2 col. de sopa): 1,4 g de fibras
•    Cenoura cozida (1 unidade): 1,2 g de fibras
•    Inhame cozido (1 unidade): 1,2 g de fibras
•    Chicória/escarola cozida (1 xíc. de chá): 1 g de fibras
•    Couve cozida (1/2 xíc. de chá): 1 g de fibras
•    Couve-flor cozida (3 col. sopa): 1 g de fibras
•    Tomate cru (1 unidade média): 1 g de fibras


Dra Lea Mansur
Gazeta de Beirute
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