Salafistas indiciados e mensagem de Assir


Trinta e sete pessoas, entre elas o Sheikh salafista, Ahmad Assir, e seus dois filhos, foram indiciados na última semana, por envolvimento nos confrontos do último mês do Sídon, no subúrbio de Abra, contra o exército libanês. Dez, das 37 pessoas indiciadas, continuam foragidas, incluindo Assir, o ex-cantor Fadel Shaker, e seu irmão, Abdel-Rahman Shaker. Três sírios e palestinos também foram indiciados no confronto que matou 18 soldados do exército e 28 pistoleiros salafistas. Além das acusações de homicídio e posse ilegal de armas, os suspeitos foram indiciados por "formação de quadrilha armada, com o objetivo de cometer crimes contra as pessoas e seus bens, minando a autoridade do Estado, e prejudicando o prestígio do Estado". 

Assir também foi acusado de "proferir discursos que atentam contra as instituições militares, e de segurança, alimentando a tensão, desestabilização da paz civil e por incitação a ódio sectário". Os suspeitos poderão pegar pena de morte caso sejam condenados. Na última quinta-feira, uma gravação de áudio, feita por Assir (sua irmã confirmou ao Jornal An-Nahar que a voz na gravação pertencia ao clérigo foragido), ele nega qualquer ataque por parte de seus homens ao Exército, e acusou o Hezbollah de orquestrar os confrontos para eliminá-lo. Ele afirma que o ataque ao seu complexo foi provocado pelo espancamento de um motorista de táxi por soldados do exército.

"Dias antes do massacre, o exército ergueu um posto de controle na frente da minha casa, e da mesquita. No mesmo dia, eles atacaram e baterem em um motorista de táxi que não fez nada, simplesmente por ele ter uma barba. Quando eu soube do ataque, enviei vários homens armados para pedir ao oficial para entrar em contato com o seu comandante de uma vez, e retirar o checkpoint. O policial começou a gritar com eles, e em seguida, ouvimos tiros e granadas", disse Assir.

Assir alega, que tudo foi preparado, visando eliminar ele e seus homens, com a aprovação de vários partidos locais, com incitação do Partido 14 de Março e também do Partido 8 de Março, e exigiu que todos os que ordenaram a participação e o envolvimento do exército no confronto, sob a administração e supervisão do Hezbollah, fossem levados a julgamento. O clérigo, em seu áudio, ainda pede aos seus partidários que continuem indo à mesquita para as orações de sexta, e pediu que eles participassem de protestos pacíficos e civilizados, exigindo a responsabilização dos criminosos, além de pedir que parem de desrespeitar a dignidade dele e de seus partidários.   

"Você vai saber, e todos devem conhecer o contexto normal do incidente, ou melhor, o massacre, o que aconteceu, o que não é um incidente isolado, já que eu já tinha levantado à voz ,várias vezes aos ataques do Partido de Satanás (o Hezbollah), do Movimento AMAL e da Shabiha (bandidos) do chamado Exército libanês, que estão a serviço do Hezbollah, e do Movimento AMAL, o regime criminoso da Síria, e do Irã. Esses ataques não só nos éramos o alvo, mas também toda a seita sunita, desde que a Síria começou a sua hegemonia sobre o Líbano... Como nos prender, prender nossos jovens, torturando-os, pisando em suas barbas e pescoços, e interrogá-los de uma forma sectária provocadora, e recentemente, um dos soldados, empurrou outro soldado, contra uma de nossas irmãs, que usa niqab, e ele caiu sobre ela", disse Assir na recente gravação de áudio. 

Assir afirmou ainda que estava plenamente consciente de que um confronto estava sendo planejado contra o seu grupo, porque Hassan Nasrallah sabia que ele iria perder, caso iniciasse um confronto direto contra eles, após a derrota em Qusayr. O Sheik salafista disse ainda, que o intuito do Hezbollah era criar um confronto entre eles e o exército; e por isso eles já vinham levantando suas vozes há sete meses contra a ocupação dos filiados do Hezbollah nos apartamentos de Abra, porque ele sabia que ago estava sendo arquitetado ali. O clérigo disse também, que tentaram assassinar seu filho em meio a provocações diárias, e que várias mediações os impediram de tomar quaisquer providências próximas aos apartamentos, numa iniciativa de tentarem ficar calmos.

Ele acusou o exército de se implantarem em Abra, para proteger os apartamentos ocupados pelo Hezbollah, pois ele havia reclamado que o Hezbollah estava armazenando armas e monitorando seus movimentos, mas o exército os insultava, e os perseguia, bem como suas mulheres. "Temos repetido várias vezes que queremos convivência de paz com todos, mas eu pedi que eles apagassem o fogo e desocupassem os apartamentos, mas meu pedido não foi atendido", disse Assir. Segundo o Sheik salafista, semanas antes do mortal confronto, em um posto de controle do exército em Abra, seu grupo detectou movimentos incomuns no Mar Elias Hill, Sharhabil Hill, e em Haret Saida, bem como outros locais. E foi pedido as Forças de Segurança Interna e ao Bureau de Inteligência uma investigação sobre o assunto, mas ninguém os respondeu, e afirmou, que homens armados leais ao Hezbollah expulsaram moradores de edifícios, para armazenaram um grande e pesado armamento. 

"Nós informamos as autoridades competentes, que uma grande batalha estava sendo preparada, e ninguém foi capaz de fazer qualquer coisa", afirmou o sheik foragido, que insistiu em declarar que o incidente ocorreu quando o exército montou um posto de controle do lado de fora da mesquita, com a única missão de assedia-los, porque eles montavam o posto de verificação durante os momentos de orações e o mudavam de lugar quando acabavam as orações, para que eles pudessem abordar e perseguir os jovens da comunidade, e mencionou novamente o caso do taxista espancado, bem como um passageiro, com um bastão.  

"Eu perguntei ao meu gerente de escritório, Sheikh Ahmed Hariri, se ele podia ir ao posto e pedir-lhes para removê-lo, pois não podíamos tolerar o que estava acontecendo mais, então Sheikh Hariri e um dos irmãos, que naturalmente andava armado, foram falar com o oficial, que começou a levantar a voz gradualmente, antes de começar o tiroteio para cima deles. Eu vi o incidente pela câmera de vigilância, e eu duvido, que eles vão transmitir o vídeo que eles confiscaram do Bank Audi, para não expor todos os mentirosos que condenaram o ataque contra o exército", disse Assir.  

O clérigo foi categórico em afirmar, que as tropas abriram fogo contra seus homens, levando-os a recuar e a se defender, porque uma chuva de tiros pesados caiu contra todos, contra o exército, e contra seus homens, muito provavelmente, vindos de um apartamento pertencente ao Hezbollah, próximo a uma construção do KFC, que matou um de seus homens e deixou vários outros feridos, mas que o tiroteio não cessou, nem quando os homens recuaram para dentro da mesquita.

Assir diz que o incidente começou num posto de controle, mas que os tiros e foguetes já estavam prontos e preparados para serem disparados de Haret Saida e Sharhabil, e os que iniciaram tudo isso, apenas esperaram o momento em que algum de seus homens fosse contestar os abusos do exercito no posto de controle, pra explodir um conflito maior a longa distância, fazendo com que eles fossem alvejados e suspeitos; de forma minuciosamente premeditada. Segundo o salafista, se eles tivessem intenção de abrir fogo contra o exército, o Sheik Hariri não teria ido até o posto de comando deles.  

Dentro do complexo da sede de Assir, que inclui uma mesquita, vários escritórios e prédios residenciais, foram encontrados muitas armas, explosivos, lançadores de foguetes, metralhadoras e snipers. "Parece mais uma fortaleza de segurança do que uma mesquita", afirmou o Ministro do Interior, Marwan Charbel, que acrescentou ainda, que vários homens de Assir que foram detidos pelas Forças de Segurança, não eram libaneses. 

O comunicado do exército declarou que os confrontos eclodiram, após apoiadores de Assir terem atacado um posto de controle do exército, a "sangue frio", e "sem motivo", resultando na morte de 18 soldados, deixando outros 20 feridos, além de 20 homens de Assir também terem sido mortos. 

O áudio em árabe, na íntegra, pode ser ouvido aqui: 



Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute
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