Temendo o Hezbollah Israel aumenta segurança na fronteira

Foto: AP

Israel vem aumentando suas forças na fronteira com a Síria, nas montanhas de Golan, por acreditar que o Hezbollah esteja se preparando para um possível ataque. Após décadas de calmaria numa região que foi tomada por Israel na guerra de 67, a fronteira tem sido palco de constantes combates entre rebeldes que lutam contra o regime sírio de Bashar nas aldeias sírias, aumentando a atenção do exército israelense para a movimentação, em virtude da participação do inimigo Hezbollah, que também é apoiado pelo Irã.

Segundo estimativas ocidentais e israelenses, o Hezbollah teria enviado milhares de caças para combater os rebeldes sírios, além de manter dezenas de milhares de mísseis em seu reduto no sul do Líbano, o que vem preocupando os israelenses que agora precisam monitorar as duas fronteiras, para ficarem preparados para um possível ataque do grupo xiita, que segundo Israel, vem se preparando para isso, com o apoio da Síria, além de estar ganhando mais experiência de batalhas em campo, no confronto sírio. 

Israel acredita que o Hezbollah esteja reunindo informações sobre a implantação do exercito israelense nas montanhas de Golan, e está apenas se preparando para um confronto futuro, conforme ameaça feita por Nasrallah em Maio, a intenção do Hezbollah, que possui células de inteligência instaladas no Golan, é a de transformar a região, em uma nova frente contra Israel. Este fato mobilizou Israel a fortalecer sua fronteira com a Síria numa faixa de 2 km ao longo da fronteira com a Síria, para que possam monitorar os passos do Hezbollah, também nas montanhas de Golan, e ficarem atentos quanto ao dia que serão atacados pelo Hezbollah.  

 A região tem permanecido calma durante o dia, porém, a noite, há combates em todas as aldeias sírias ao longo da fronteira, com tiros e explosões a noite toda, e qualquer bala que ultrapasse a fronteira, não é intencional, mas até quando isso permanecerá assim, não se sabe. Tropas da ONU observam a região, e monitoram a área de separação entre as forças sírias e israelenses, num raio de 70 km, que vai do Monte Hermon, até o Rio Yarmouk, na fronteira com a Jordânia. 

Por diversas vezes os soldados da UNIFIL foram vitimas dos combates entre os rebeldes sírios e as tropas de Bashar, em virtude de balas e mísseis perdidos, além de já terem sido capturados por rebeldes e depois libertados. O lado israelense das montanhas de Golan, também já recebeu balas e mísseis perdidos vindos dos confrontos no país vizinho, porém, o exército israelense sempre dispara contra a Síria em resposta.

 A violência constante na fronteira, já fez com que contingentes japoneses, croatas e austríacos da UNIFIL tenham se retirado da região, e atualmente, quem observa o posto da ONU na fronteira, é um contingente de Fiji. Os rebeldes que vem lutando contra o regime sírio, são constituídos por jihadistas e grupos radicais extremistas, como a Frente Al Nusra e o Al Qaeda, que também representam ameaça a Israel.

Israel sabe que o atual alvo é o governo sírio, mas quando isso terminar, eles partirão contra eles também, assim como ocorreu com o Egito, onde militantes islâmicos lançaram ataques contra o exército egípcio, e no outro lado da fronteira, Israel esteve envolvido no meio da turbulência. 

O exercito israelense diz não esperar um ataque da Síria, sua cerca ao longo da fronteira, bem como o reforço militar com tanques, regimentos e forças de inteligência de campo, além de observadores, visam os movimentos do Hezbollah, e qualquer ataque com armas avançadas e químicas, tomadas na Síria, dos rebeldes abatidos.

Nos últimos meses, o exército israelense rebateu dentro da Síria, umas três vezes, por terem recebido mísseis terrestres antiaéreos avançados em seu território, usados pelos rebeldes, para destruir os mísseis antinavios russos da Síria. Na última semana, inclusive, surgiu um rumor de que os rebeldes estavam apontados para um ataque israelense, porém, o exército judeu não confirmou ou negou o rumor.

Foi implantado ao longo da fronteira entre a Síria e Israel, pelo exército israelense, um sistema de vigilância de alta tecnologia, que detecta qualquer movimento suspeito próximo ao território israelense, para confirmar quem possa atingir Israel, um jihadista islâmico, ou um rebelde tentando defender sua família, disse uma fonte do exercito israelense. 

Desde a tomada de Qusayr na Síria, pelo Hezbollah, o exército israelense, vem observando os passos do grupo xiita, e realizando treinamentos anti-invasão em Safed, cidade israelense ao norte da fronteira, para se prevenir contra um possível ataque ou conflito contra o grupo, que também não afrouxou seu controle na fronteira do sul do Líbano, embora tenha removido algumas bandeiras do Hezbollah e também do Irã, que outrora flamejavam nas aldeias fronteiriças do sul do Líbano.

O Hezbollah vem combatendo os rebeldes ao lado do governo da Síria, enquanto sofre severa pressão dentro do próprio Líbano por seu envolvimento, e também, por parte de outros países árabes vizinhos, porém, o grupo não tem demonstrado intenção de recuar em suas decisões, ou abandonar Bashar no conflito contra os rebeldes, e nem ceder às ameaças de grupos radicais extremistas, sobre ataques contra seu território, dentro do Líbano. 


Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute

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