Visita de Mahmoud Abbas ao Líbano, esclarece posição dos palestinos no país

Foto- Daily Star/Hasan Shaaban

O Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, visitou o Líbano por três dias, e participou de vários encontros e reuniões para discutir, sobre a situação dos palestinos em território libanês, a causa palestina na arena internacional, entre outras questões.

Abbas, chegou no Líbano quarta-feira (3), e reiterou que cabia ao governo libanês tomar decisões sobre grupos armados palestinos dentro e fora dos campos de refugiados no Líbano.

"Somos hóspedes temporários no Líbano e chegará o dia em que voltaremos  a nossa pátria e nosso país", disse Abbas.

"Não podemos estar acima da lei. Nós estamos debaixo das leis do Líbano e de suas autoridades", acrescentou.

No entanto, Abbas disse que ele não tem controle sobre as facções palestinas que não são membros da OLP (Organização da Libertação da Palestina).

"Nós só podemos impor ordens aos palestinos que são membros da Organização da Libertação da Palestina, aqueles que pertencem ao Estado da Palestina, que sublinha que não devemos se intrometer nos assuntos internos libaneses ou assuntos de qualquer outro país ", disse Abbas.

Em sua visita, Abbas, se encontrou com Najib Mikati, Nabih Berri, porta-voz do parlamento, e jantou com o presidente, Michel Sleiman, no dia de sua chegada.

Abbas, acompanhado do Ministro do Trabalho Interino, Salim Jreissati, visitou a Praça dos Mártires em Beirute, onde ele colocou uma coroa de flores no memorial dos Mártires.

Abbas voltou também, a se reunir com o presidente Michel Sleiman em Baabda, onde diversos assuntos foram discutidos, desde a guerra na Síria, até a questão dos refugiados no Líbano.

Nos últimos conflitos em Sidon, entre o clérigo salafista e o Exército, houve interferência de alguns palestinos que vivem no campo de refugiados do Ain al-Helue, onde atiradores palestinos, abriram fogo contra postos do Exército, causando assim um receio de que os palestinos, possam entrar de vez nessas disputas dentro do país.

Mas Abbas, disse que foram dadas instruções claras aos palestinos no Líbano e na Síria, para tomarem uma posição neutra nos conflitos em ambos países.

"A nossa posição sobre o que está acontecendo na Síria, no Egito e em outros países é clara. Não se intrometer nos assuntos internos desses estados e estas são as nossas instruções para o nosso povo ", disse Abbas.

Por sua vez, o presidente libanês, elogiou os esforços da Autoridade Palestina para evitar que grupos armados se envolvam em confrontos. 

"Enfatizamos a importância de evitar que os palestinos sejam arrastados para problemas internos libaneses ou para a crise na Síria", disse Sleiman. 

Ele acrescentou que alguns palestinos estavam tomando parte em confrontos dentro do Líbano, mas observou que esta atitude foi em nível individual,  e não algo"oficial ou organizado".

Líderes libaneses concordaram em 2006 em desarmar as facções palestinas mas essa ação ainda não foi implementada, por esta razão o presidente afirmou que" precisa continuar a trabalhar para implementar as decisões sobre a questão dos palestinos, e não apenas sobre armas, mas também trabalhar para uma melhoria nas condições humanitárias dos refugiados palestinos ".

Outra questão discutida, foi a situação dos palestinos, que até então moravam na Síria, e que também vieram como refugiados para o Líbano, lotando ainda mais os campos de refugiados.

"Nós também abordamos o problema dos refugiados palestinos que vieram da Síria para o Líbano e os meios para fornecê-los a ajuda humanitária necessária até que possam regressar para a Síria ou Palestina", disse Sleiman.

Segundo Abbas, os presidentes árabes, continuarão se apoiando na causa palestina, no cenário internacional, juntamente com a situação dos refugiados.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas terminou a sua visita oficial de três dias ao Líbano, no sábado (6), depois de se reunir com outros ministros e finalizou suas palavras, salientando que os “palestinos não fazem parte dos conflitos internos libaneses”.

Antes de partir, ele também visitou um campo de refugiados, e o cemitério de Shatila (local onde há vítimas de um dos piores genocídios cometidos contra o povo palestino).

Os palestinos o receberam com entusiasmo, alegria e esperança, de que algo seja feito por eles, e por suas famílias.

Desde 1970, os campos de refugiados palestinos no Líbano estiveram sob o controle de facções palestinas locais. Há cerca de 400 mil refugiados palestinos no Líbano, a maioria deles vivendo em condições precárias,  em vários campos de refugiados espalhados pelo país. 


Chadia Kobeissi
Gazeta de Beirute
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