Você conhece o Líbano?

Você conhece o Líbano? 

Eu, sinceramente acredito que você não conheça, nem mesmo você cidadão libanês, que nasceu, cresceu, e está aí... Vivendo no país até hoje! O Líbano que eu conheço é outro! Vocês conhecem o Líbano, que tem motorista, quatro ou cinco carros (um para cada membro da família), e raramente observa o que acontece a sua volta. Há dois anos, numa das minhas idas ao Líbano no verão, tive experiências únicas. Consegui alugar um chalé em Jbeil, por um preço excelente, e lá fiquei sozinha, contrariando toda a tradição de família libanesa! Imaginem uma mulher, casada, sozinha, num chalé! Se fosse num hotel 5 estrelas, não haveria problema algum! Mas num chalé... Assim funciona a sociedade libanesa. 

Mas o que eu gostaria que vocês conhecessem, é aquele país que eu vi, e que eu vivi. Fiz questão de não alugar um automóvel, nem usar táxi. Eu só utilizei transporte coletivo. Descobri que os ônibus têm ar condicionado, e quase ninguém sabe disso! 

Descobri que existem automóveis e vans, que também transportam pessoas de ponta a ponta do país, são os chamados “services”. Nele encontra-se o povo trabalhador do Líbano, quase nenhum libanês, salvo militares, que também utilizam este tipo de transporte. 

Sempre que entrei, tanto nos ônibus, quanto nos “services”, eu era medida de cima embaixo, como se fosse um E.T (extraterrestre)! Uma verdadeira estranha no ninho! Mas é aí que você realmente conhece um país, e seu povo. Andando pelas ruas, atravessando pontes a pé, observando cenas incríveis, maravilhosas, e também constatando, quanto desmando e quanta sujeira, quanta falta de preocupação em fazer calçadas, acessos, cestos de lixo nas ruas, e tantas outras coisas úteis aos pedestres. 

Imagino que isso talvez seja por conta da população de pedestres naquele país: Quem anda nas ruas são as filipinas, os indianos, os sírios, que trabalham em construções, os etíopes, e os cingaleses (vindos do Sri Lanka), e etc., ou seja, toda classe trabalhadora do Líbano. 

O libanês não faz trabalho braçal, e não sobrevive sem um carro! Caminhei muito a pé, e observei o país que é meu por opção, onde um dia eu estarei vivendo, e por isso posso escrever isto tudo! Agora, que a poluição já pode ser cortada em fatias, que o lixo já alcança quase a altura das montanhas, não tem como esconder. Existe um princípio de movimento para reverter essa situação, mas ainda há muito que se fazer, enfim, antes tarde do que nunca! 

Libaneses, amem seu país! Não só lutando por ele, nem dizendo ao mundo o quanto é maravilhoso e paradisíaco! Lutem para que este país volte a ser o que sempre foi, e que a raça humana está destruindo. Utopia? Talvez, mas se todos amarem verdadeiramente o seu país, e tiverem cuidados para com ele, com certeza o sentimento de união dos povos que havia no Líbano, e que segurava a estrutura que o mantinha inabalável, podem retomar o curso, e o povo libanês possa voltar a conviver unido, respeitando uns aos outros, e mantendo este equilíbrio, não só político-religioso, mas principalmente ecológico, no país dos cedros.


Silvia Tohmé
Gazeta de Beirute

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