22 DE AGOSTO - DIA DO FOLCLORE

Anualmente no dia 22 de agosto, comemora-se o Dia do Folclore. Você sabe o que é folclore? 
Folclore vem do inglês “Folk” que é povo, e “lore“, que é conhecimento ou sabedoria. 

Este termo apareceu pela primeira vez, numa carta enviada em 22 de agosto de 1846, à revista periódica Athenaeum, de Londres, pelo escritor, antiquário e folclorista britânico, Willian Thoms (1803 -1885), para designar o que até então se chamava, genericamente, de "antiguidades populares”. 

Em comemoração ao surgimento da palavra, instituiu-se o Dia do Folclore, comemorado em todo o mundo. No Brasil, a data é comemorada desde agosto de 1965.

 Para uma definição mais detalhada, o folclore é um conjunto de tradições e manifestações populares, constituído por lendas, mitos, provérbios, danças e costumes, que são passados de geração em geração. O folclore simboliza a cultura popular, e apresenta grande importância na identidade de um povo, e de uma nação. Para não se perder a tradição folclórica, é importante que as manifestações culturais sejam transmitidas através das gerações.

FOLCLORE BRASILEIRO

O folclore brasileiro é muito rico, e há uma grande variedade de manifestações culturais em todo o Brasil. Para a maioria dos estudiosos, podemos agrupar essas manifestações folclóricas em oito categorias: Danças, música, festas populares, usos e costumes, crendices e religiosidades, artesanato, brinquedos e brincadeiras infantis, linguagem e literatura oral. 

Alguns exemplos abaixo:

• Festas populares: Carnaval, Festas Juninas, Cavalhadas, Festa do Divino; 

• Lendas e Mitos: Saci-Pererê, Negrinho do pastoreio, Mula sem cabeça, Lobisomem, Curupira, Bicho-papão; 

• Música e Danças: Samba, Frevo, Fandango, xote e xaxado, Maracatu, Pau-de-fita, Quadrilha, Congadas, Bumba Meu Boi, Guerreiros, Capoeira, Maxixe, Rancheira.

• Cantigas de roda: Atirei o Pau no Gato, Escravos de Jó, Ciranda-cirandinha, O Cravo e a Rosa, Sapo Cururu;

• Instrumentos Musicais: Berimbau, tamborim, cuíca e também o repentismo. 

Congadas
A congada é uma dança popular, adaptada da “Canção de Rolando”, uma epopeia francesa, que chegou ao Brasil, trazida pelos padres jesuítas, que a utilizavam para catequizar os índios. Na época do Brasil colônia, era dançada
em todo o país, das capitanias localizadas ao norte, até as do sul. Hoje ainda é uma dança tradicional, sobretudo em algumas cidades do interior de Minas Gerais, e em alguns estados da região Nordeste.

Quadrilha
A quadrilha é uma dança de salão, de origem francesa, que no Brasil passou a ser dançada também ao ar livre, durante as festas juninas. Ela chegou ao país, no início do século 19, com a vinda da corte real portuguesa e com as várias missões culturais francesas que aqui estiveram. 
Sua aceitação foi instantânea. Logo se tornou obrigatória em todos os saraus elegantes do Rio de Janeiro, e nas demais províncias. Por ter um forte apelo popular, a quadrilha acabou conquistando a grande parcela da população, que apreciava as festas juninas. Foi assim que se incorporou aos festejos de Santo Antônio, São Pedro e São João.

Fandango
Antes de se tornar popular, e de provocar uma grande discriminação por parte das elites, que chamavam seus praticantes, de “vadios fandangueiros”, o fandango frequentou palácios, e movimentou as festas da aristocracia brasileira. Também conhecido por marujada, atualmente, o fandango é um bailado tradicional das regiões Nordeste, Sudeste e Sul, onde é dançado individualmente, ou aos pares, com acompanhamento de instrumentos musicais, como as violas. 

No litoral paulista, de acordo com os passos, é dividido em dois grupos: fandango rufado, ou batido, e fandango bailado, ou valsado. Suas danças recebem diversos nomes: andorinha, anu-rachado, anu-velho, chamarrita, chimarrete, gracinha, marrafa, manjericão, tontinha, tirana, tiraninha, pagará, monada, vilão de lenço, vilão de agulha e mandado.

Bumba meu boi
O bumba meu boi nasceu, provavelmente, no Maranhão. É um pequeno drama em que o dono do boi, um homem branco, vê um negro roubar o animal, porque sua mulher, grávida, está com vontade de comer língua. O boi é morto, mas, em seguida, é preciso ressuscitá-lo. Essa é a tarefa do pajé. O drama é dividido em três categorias: o boi de matraca, o boi de ilha, e o boi de orquestra. O mais expressivo é o de matraca, do qual todos os acompanhantes participam, batendo pares de matracas. 

De longe, ouve-se o barulho das matracas, dos grandes pandeiros, dos chocalhos e da cantoria. Já o boi de ilha (Zabumba), é mais lento, de acentuado sabor africano, sendo acompanhado por atabaques e tantãs. O boi de orquestra não é tão puro, e apresenta influências modernas. O bumba meu boi do Maranhão, é o mais rico de todo o Brasil. Os participantes passam todo o ano preparando as vestes para os festejos, que acontecem no mês de junho. No traje típico do vaqueiro do boi maranhense, nota-se a influência dos três grupos que deram origem aos brasileiros: índios, negros e brancos.

Cavalhadas
Surgida na Idade Média, as cavalhadas são tradicionais em Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, e Alagoas. No passado, reuniam grandes fazendeiros, que vestiam ricamente seus animais para o desfile de cavaleiros, corridas e jogos (argolinha), sempre acompanhados por um conjunto musical. Hoje são festas mais populares.

Modinha
A modinha era o “veículo do amor”, no fim do século 19, e ainda hoje, sobrevive entre os românticos. Apesar de possuir raízes eruditas, passou por um processo de folclorização. Como raramente os cantores sabem quem é o autor de uma modinha, que é transmitida oralmente, ela vai sofrendo modificações na letra, música e ritmo, tornando-se propriedade do povo, que a toma por sua.

Repentismo
O repentismo tem sua origem nas quadras (espécie de versos) portugueses simples: tira-se o refrão, e a seguir, cada pessoa “joga” uma quadra, que pode ser decorada, ou de improviso. 

Exemplo:
“Ó minha caninha verde, ô minha verde caninha, eu não vou à sua casa, pra você não ir na minha”

Com o decorrer do tempo surgiram outros estilos de refrão:
“Eu vi o sol, vi a lua clariá, eu vi meu bem, dentro do canaviá”

Aboio
O aboio é o canto mágico improvisado do vaqueiro-guia, que tem o poder de guiar toda a boiada, usando só as vogais. O vaqueiro parece hipnotizar o gado, que vai seguindo, acompanhando, em silêncio, e respondendo apenas com o mugido. É um canto vagaroso, no ritmo do movimento dos animais, que termina incitando a boiada de forma não cantada: ei boi! boi surubim!, ei lá, boizinho!. O aboio em versos é uma modalidade de aboio, que consiste em versos de temas agropastoris, de origem moura, trazidos pelos escravos portugueses da Ilha da Madeira. 

Algumas lendas, mitos e contos folclóricos do Brasil

Boitatá
Representada por uma cobra de fogo, que protege as matas e os animais, e tem a capacidade de perseguir, e matar, aqueles que desrespeitam a natureza. Acredita-se que este mito é de origem indígena, e que seja um dos primeiros do folclore brasileiro. Foram encontrados relatos do boitatá em cartas do Padre jesuíta, José de Anchieta, em 1560. Na região nordeste, o boitatá é conhecido como "fogo que corre".

Boto
Acredita-se que a lenda do boto, tenha surgido na região amazônica. Ele é representado por um homem jovem, bonito e charmoso, que encanta mulheres em bailes e festas. Após a conquista, leva as jovens para a beira de um rio, e as engravida. Antes de a madrugada chegar, ele mergulha nas águas do rio para transformar-se em um boto.

Curupira
Assim como o boitatá, o curupira também é um protetor das matas, e dos animais silvestres. Representado por um anão de cabelos compridos, e com os pés virados para trás, que persegue e mata, todos que desrespeitam a natureza. Quando alguém desaparece nas matas, muitos habitantes do interior acreditam que é obra do curupira.

Lobisomem
Este mito aparece em várias regiões do mundo. Diz o mito, que um homem foi atacado por um lobo numa noite de lua cheia, e não morreu, porém, desenvolveu a capacidade de transforma-se em lobo, nas noites de lua cheia. Nestas noites, o lobisomem ataca todos aqueles que encontra pela frente. Somente um tiro de bala de prata em seu coração, seria capaz de matá-lo.

Mãe-D'água
Encontramos na mitologia universal, um personagem muito parecido com a mãe-d'água: A sereia. Este personagem tem o corpo metade de mulher, e metade de peixe. Com seu canto atraente, ela consegue encantar os homens, e levá-los para o fundo das águas.

Corpo-seco
É uma espécie de assombração, que fica assustando as pessoas nas estradas. Em vida, era um homem que foi muito malvado, e só pensava em fazer coisas ruins, chegando a prejudicar e maltratar a própria mãe. Após sua morte, foi rejeitado pela terra, e teve que viver como uma alma penada.

Pisadeira
É uma velha de chinelos, que aparece nas madrugadas, para pisar na barriga das pessoas, provocando a falta de ar. Dizem, que costuma aparecer quando as pessoas vão dormir de estômago muito cheio.

Mula-sem-cabeça
Surgido na região interior, conta que uma mulher teve um romance com um padre. Como castigo, em todas as noites de quinta para sexta-feira, ela é transformada num animal quadrúpede, que galopa e salta sem parar, enquanto solta fogo pelas narinas.

Mãe-de-ouro
Representada por uma bola de fogo, que indica os locais onde se encontra jazidas de ouro. Também aparece em alguns mitos, como sendo uma mulher luminosa, que voa pelos ares. Em alguns locais do Brasil, toma a forma de uma mulher bonita, que habita cavernas, e após atrair homens casados, os faz largar suas famílias.

Saci-Pererê
O saci-pererê é representado por um menino negro, que tem apenas uma perna. Sempre com seu cachimbo e com um gorro vermelho, que lhe dá poderes mágicos. Vive aprontando travessuras e se diverte muito com isso. Adora espantar cavalos, queimar comida, e acordar pessoas com gargalhadas.

Comadre Florzinha
É uma fada pequena, que vive nas florestas do Brasil. Vaidosa e maliciosa, ela possui cabelos compridos e enfeitados, com flores coloridas. Vive para proteger a fauna e a flora. Junto com suas irmãs, vivem aplicando sustos, e travessuras nos caçadores, e naspessoas que tentam desmatar a floresta.

O Artista-Plástico, Professor de Pintura e História da Arte, Francisco D´Oliveira, do Estúdio Borboleta Violeta em  São Paulo, nos conta como o Folclore o influencia na sua profissão, do que mais gosta e a participacão da Festa do Divino.

GB: Na sua profissão, existe influência do floclore brasileiro? 

Francisco D’Oliveira:  Diretamente não. Indiretamente sim, pois o folclore está presente em toda cultura, e dando aulas de História da Arte, é claro que passamos por essas manifestações, afinal elas acabam sendo a base das manifestações artísticas.

GB: O floclore brasileiro é muito rico, na sua opiniao, o que vocêmais gosta? Musica, danca, contos, personagens... ? 

Francisco D’Oliveira:  Gosto de tudo um pouco, as danças e as músicas, as cores características de cada região, e as variações de personagens que aparecem em várias partes do país, com características regionais.

GB: Você já participou de alguma manifestação  folclórica?

Francisco D’Oliveira:  Todos os anos eu participo da Festa do Divino, no Espirito Santo, que é uma tradição com mais de 600 anos, trazida pelos portugueses, e que aqui no Brasil se manifesta em algumas regiões, de formas diferentes, mas a base é a mesma. Mas meu objetivo não é especificamente o folclore, e sim a história, e os símbolos que se apresentam nessa festa. E é claro, que falando de história e pesquisando símbolos, estamos falando um pouco do folclore, como os hábitos, a música, a comida, dentro de um contexto histórico. 


Carla Mussallam Al Masri 
Gazeta de Beirute

Fonte: Folclore Brasil, Brasil – Cultura Nacional.
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2 comments:

  1. Bela matéria! Realmente, com tantas influências culturais, nosso folclore só poderia ser riquíssimo. No entanto, o Francisco se refere aqui à "Festa do Divino Espírito Santo" em PARATY, no estado do Rio.

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  2. Parabéns pela matéria! Mas realmente a "Festa do Divino Espirito Santo" mencionada é em Paraty RJ. Obrigado, Francisco D'Oliveira.

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