A Rota da Seda


O percurso de Istambul, na Turquia, até Xi-an, na China, é conhecido como Rota da Seda. A viagem passava por um total de seis países: Turquia, Irã, Turcomenistão, Uzbequistão, Quirguistão e China. O objetivo dessa longa, e cansativa viagem, era buscar uma riqueza do oriente: A seda. 
Esse trajeto corresponde a um conjunto de rotas comerciais, que se interligavam através da Europa, Oriente e Ásia. A maior e mais importante rede comercial do mundo antigo.

No século XIX, um Arqueólogo alemão, chamado Ferdinand Von Richthofen (seria um antepassado de Suzane Von Richthofen?), estabeleceu o nome de uma das mais famosas rotas comerciais e religiosas de todos os tempos, a chamada Rota da Seda. Antes que tal nome fosse escolhido, esse trajeto, com mais de 7 mil km, já era há mais de dez mil anos utilizado por aventureiros, peregrinos, comerciantes, clérigos, monarcas, e soldados, que cortavam esse extenso conjunto de estrada, a pé, ou no lombo de animais.

A mais antiga importância desse caminho se encontra no processo de espalhamento, ainda na pré-história, das comunidades humanas do continente africano, para diversas regiões da Ásia e da Oceania, em busca de melhores condições de vida. Séculos mais tarde, seria essa mesma via de acesso, que determinaria a penetração dos povos indo-europeus no Oriente Médio. Tal ocupação daria origem aos povos semitas que, por sua vez, estabeleceriam a gênese dos árabes e judeus.

Por volta do século VI A.C., a unificação territorial, empreendida pelo Império Persa, foi o primeiro passo para que atividades comerciais diversas, fossem organizadas pelos povos englobados por essas civilizações. 

Os comerciantes que saíam do Oeste levavam marfim africano, ouro, peles de animais, vinho e animais de montaria. Em contrapartida, os distantes territórios chineses, ofereciam ervas aromáticas, perfumes, e os tão falados tecidos de seda, que nomeavam o caminho.

Os chineses aprenderam, e dominaram a técnica de fabricação da seda, durante milênios. A seda chinesa era feita a partir da fibra branca dos casulos dos bichos-da-seda, dessa forma, a seda foi durante muito tempo, um produto exclusivo da sociedade chinesa. 

Na verdade, as caravanas não percorriam toda a extensão da Rota da Seda. Com o passar do tempo, certas cidades ficaram responsáveis por agregar comerciantes, que se concentravam em apenas um trecho do percurso. Deste modo, vemos que o comércio se transformou em uma atividade, que organizou o cenário social, econômico e político, de diferentes pontos desse grande território. Entre os séculos III e IV, a invasão dos hunos, marcou o período menos seguro para que as comitivas de comerciantes se movimentassem.
No século VIII, a parte oeste da rota começou a ser dominada pelos árabes, que realizaram a conquistas das terras da Pérsia. Séculos mais tarde, exatamente no século XII, os cavaleiros e soldados de Gengis Khan, tomaram a Ásia Central, o Norte da China, e os territórios tibetanos. Ao contrário do que possa parecer, o domínio militar mongol, foi de grande ajuda para que a economia comercial da Rota da Seda se mantivesse viva, ao longo das décadas. Com o simples pagamento de taxas, os mercadores tinham direito de tráfego e comércio.

Os produtos eram levados de camelos, cavalos e bois, e grandes caravanas cruzavam a rota da seda do ocidente ao oriente, e vice versa. Ainda no período medieval, o renascimento comercial fomentou a cisão daquela visão de mundo limitada dos tempos feudais. Nessa época, as famosas viagens de Marco Polo davam conta de paisagens, costumes e cidades, que ampliavam as perspectivas da época. 

Porém, vários fatores fizeram com que a rota da seda chegasse ao fim, como a peste negra, o colapso da china mongol, onde os mongóis perderam o poder da rota para os chineses, e outro caminho para o oriente ter sido descoberto, por Vasco da Gama, assim o comércio se espalhou pelo mundo, graças a descobertas marítimas, e o homem europeu começou a constituir novas rotas de comércio pelos mares e continentes.

A Rota da Seda tradicional é que aquela que ligava Changan (atual Xi-an) a Antioquia (atual Antakya, na Turquia), na Ásia Menor, bem como a outros pontos de Istambul. Na cidade chinesa de Kashgar, a rota era dividida em duas vias principais, que eram a Caracórum (que levava a Karashar e Turfan), e a do Rio Tarim (a via do sul). Essas duas vias se encontravam depois, e seguiam rumo a Xi-an. 

Já no ocidente, a Rota da Seda era subdividida em rotas do sul e do norte. A rota nomeada do norte atravessava o leste da Europa, a península da Crimeia (Ucrânia), o mar Negro, o mar da Mármara, os Bálcãs, e culminava em Veneza.

Já a rota do sul, percorria o Turcomenistão, a Mesopotâmia e a Anatólia. Nessa parte do trajeto, a rota se subdividia em dois trajetos, um que levava ao norte do Egito, e norte da África, e outro que levava para Antioquia (na Anatólia meridional que é banhada pelo Mediterrâneo).

As rotas costeiras de comércio se desenvolveram mais do que as rotas de terra, porque a navegação era o meio de transporte mais fácil, para percorrer longas distâncias. Porém, os terrenos longe das costas se mostraram terrenos férteis para pastos, e com bastante água disponível, para as caravanas de animais.

As rotas terrestres se tornaram um verdadeiro achado, para mercadores que podiam realizar o transporte das suas mercadorias, em animais de carga. Os mercadores que viajavam pela Rota da Seda ajudaram a difundir, muito mais do que apenas o tecido brilhante e macio da China, mas também ideias religiosas e cultura. É bem provável que a rota da seda tenha sido percorrida apenas por terra, pois passava pela África, Europa, Cáucaso e China. Essa rota é uma parte inestimável da história do mundo.


Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute
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