Chacina de família Pesseghini choca Brasil e o mundo


Um crime cheio de mistérios, e dúvidas, envolve a chacina da família Pesseghini, ocorrida na última segunda-feira (05), onde todos os membros foram encontrados mortos, na zona norte de São Paulo. Na manhã seguinte ao crime, as investigações já apontavam como responsável pela autoria dos crimes, um garoto de 13 anos, o filho único do casal.

Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, segundo o delegado da Polícia Civil, teria matado os pais, a avó, a tia-avó, passado a noite dentro do carro da família, próximo à escola onde estudava, frequentando as aulas normalmente, e ao voltar para casa, teria se suicidado. O crime bárbaro mexeu com a opinião pública e tem levantado dezenas de questões, ainda sem respostas. 

Poderia um adolescente de 13 anos, matar toda a família, e ir normalmente à escola? Se não havia resíduo de pólvora em suas mãos, nem sangue e restos de massa encefálica, em suas roupas e corpo, como ele poderia ter se suicidado? Essas são algumas, entre tantas outras, questões levantadas por todos que vêm acompanhando esse caso, e o confuso e obscuro, desenrolar das investigações. 

Mais de 23 mil pessoas defendem a inocência de Marcelo, numa pagina criada no Facebook, desde o início do caso, e a imprensa internacional noticiou que a polícia corrupta de São Paulo, poderia ter realizado a chacina, e armado de incriminar o filho único do casal, fazendo parecer assassinato seguido de suicídio. 

Na noite do último dia 5 de agosto, ao entrar na residência da família Pesseghini, na Vila Brasilândia, zona norte de São Paulo, a polícia encontrou o corpo de Andreia Pesseghini (36 anos), Cabo da PM, ajoelhada sobre as pernas do marido, Luiz Marcelo Pesseghini (40 anos), Sargento da Rota, e ao lado dela, o filho Marcelo Eduardo (13 anos), todos sobre um colchão disposto no chão da sala. 

Na casa ao lado, dentro do mesmo terreno, os corpos da avó materna Benedita de Oliveira Bovo (65 anos) e da tia avó Bernadete de Oliveira Silva (55 anos), estavam sobre as camas, e cobertos com um cobertor. Os 4 adultos da família foram mortos com um único tiro na cabeça, na madrugada de domingo (4) para segunda-feira (5). 

Marcelo foi encontrado deitado sobre a arma que pertencia à mãe, ainda com o dedo no gatilho; arma de calibre 40 que foi usada para matar os demais membros da família. Ele, tinha um tiro na têmpora esquerda da cabeça, o que segundo a Polícia Civil, indica que após matar a família, ele tenha cometido suicídio.

Perto da porta de entrada, havia uma mochila, com material escolar, dinheiro, faca, lençol, rolos de papel higiênico, roupas, e uma arma calibre 32, que pertencia à mãe. O pai, a avó e a tia avó, aparentemente, foram mortos enquanto dormiam, com um único tiro certeiro na cabeça, de acordo com o Comandante Geral da PM, Benedito Roberto Meira, não havia sinais de troca de tiros, luta corporal, o local não estava revirado, e não havia sinais de arrombamento. Quando a polícia chegou a casa, a porta de entrada estava entreaberta, e foi descartada, inicialmente, a possibilidade de ter sido um crime de retaliação por parte de qualquer facção criminosa. 

Um bilhete da escola, para os pais de Marcelo, comprova que ele foi ao colégio na segunda-feira (5), e professores e alunos, também confirmaram que o garoto esteve na escola. A família foi morta antes de Marcelo retornar da escola, e levanta a questão, sobre quem teria ligado para a residência, no momento que a polícia chegou com o tio de Marcelo, perguntando sobre o garoto, alegando ser da escola, e falando que ele não havia ido à escola naquele dia.
  
Parentes, professores, vizinhos, colegas de trabalho do casal, e a médica do garoto, num total de 24 pessoas, já foram ouvidos pela polícia, e todos afirmaram que ele não apresentava nenhum problema de comportamento. Marcelo sofria de fibrose cística (uma doença que ataca o sistema respiratório), mas segundo sua médica que o tratava há anos, a doença não desencadeia nenhum distúrbio de ordem psíquica, que possa levar a um surto psicopata, que o levasse a matar a família. 

O Sargento, que tinha 16 anos na corporação da Rota, e a Cabo, que há 19 anos trabalhava no 18º Batalhão da PM, não tinham histórico de problemas, e foram descritos como excelentes policiais, como também afirmou o Comandante da Tropa de Choque, César Morelli. O Tenente-Coronel, Wagner Dimas, Comandante do 18º Batalhão da Polícia Militar, em entrevista à Rádio Bandeirante, disse que a Cabo Andréia, estava investigando o envolvimento de colegas da PM, em roubos de caixas eletrônicos. 

Os colegas de farda acusados por ela, foram transferidos e outros rebaixados a cargos administrativos, porém, quando ele foi chamado para depor, voltou atrás nas suas declarações, e negou o que disse, mudando sua opinião, e afirmando que diante de tantas evidencias, ele também acreditava que os crimes tivessem sido cometidos por Marcelo. Após causar desconforto na cúpula da PM, e ter de desmentir o que disse, Dimas foi afastado do cargo, para tratamento de saúde.

No portão da residência da família (antes de ter sido pichado por vândalos), via-se escrito: “Abuso 137”, que no jargão militar, significa abuso de autoridade; o que aumenta a suspeita, de que o crime tenha sido uma queima de arquivo, em virtude das investigações que Andrea vinha realizando, nos últimos meses, no batalhão da PM. O Deputado Estadual, Major Olímpio, afirmou que Andréia foi convidada por policiais a participar de roubo a caixas eletrônicos, e que a PM, conhecida por ser linha dura, além de ter se recusado a participar, denunciou o fato ao seu capitão (que ainda não era Dimas, e sim o Capitão, Fábio Paganoto). Sem conseguir provas, o então Chefe de Andréia, foi transferido de batalhão por esse motivo, entretanto, a SSP afirmou que a transferência do Capitão Fábio Paganoto, em dezembro de 2011, e a motivação não têm qualquer relação com a suposta denúncia de Andrea, e se deu por motivo de transferências normais, devido a promoções de oficiais. 

O depoimento de um suposto melhor amigo de Marcelo, que até o momento não foi identificado, contribuiu para que a polícia movesse todas as suspeitas para o filho do casal. O garoto declarou a policia, que Marcelo teria lhe dito algumas vezes, que queria matar os pais, fugir para um local abandonado, e se tornar um matador de aluguel. O “amigo” de Marcelo é o mesmo, com quem ele teria retornado de carona do colégio, na última segunda-feira; e segundo relatos, o pai deste garoto, também é um policial. Até o momento ninguém sabe quem são essas pessoas, ou se de fato, elas existem, porque a polícia não divulgou seus nomes, o que vem causando desconfiança sobre a credibilidade das declarações. Controversas afirmações de familiares e vizinhos, sobre Marcelo saber ou não dirigir, não comprovaram se de fato, foi ele quem conduziu o veiculo até a escola, na noite após o crime. 

Uma vizinha das vítimas, disse ter visto 2 homens, entre eles, um policial fardado, pulando o muro da casa por volta das 12h, de segunda-feira (5), e comentar com o outro, que estavam todos mortos, ela acreditou que a polícia viria logo na sequência, porém, não apareceu ninguém. Somente às 19hs, as viaturas chegaram à residência, e encontraram os corpos da família; a corporação alega ter sido notificada da ocorrência, pelo tio do Sargento Pesseghini, apenas às 18hs. Andrea foi encontrada em posição subjugada (de joelhos), posição conhecida pelo caráter de execução, todos os demais, encontravam-se deitados.
O Sargento da Rota estava deitado de bruços, e dormindo (possivelmente dopado), quando foi alvejado na cabeça; Andrea estava ajoelhada sobre uma de suas pernas, e Marcelo, deitado alguns centímetros ao lado da mãe. Vizinhos acreditam que Andrea estava investigando algo muito grande, e disseram que, um Palio preto, e um Meriva prata, vinha rondando a casa há meses, e chegaram a dar informações sobre a cor da casa, do carro, e de quem entrava e saia da residência. 

A Polícia Civil insiste na versão de que Marcelo matou a família, pegou o carro da mãe, à 1h da madrugada, dirigiu 5 km até a rua de sua escola, permaneceu dentro do veículo até as 06h20min da manhã; quando ele, então, é visto pela câmera de segurança de uma residência da rua, saindo do carro e caminhando com uma mochila nas costas, em direção à escola. Na volta do colégio, entrou em casa, e se suicidou. Também há controvérsias, não esclarecidas, sobre se Marcelo era destro ou canhoto. A polícia afirma que ele era canhoto e familiares afirmam que ele era destro. 

Foi relatado também, por vizinhos, que houve um churrasco na noite de domingo, e a sociedade suspeita que talvez o assassino tivesse participado dessa festinha, e colocado em prática, o plano arquitetado para executar toda a família e fazer com que a culpa recaísse sobre o filho do casal. Familiares, vizinhos, e pessoas que conheciam a família Pesseghini, não se conformam com a linha de investigação que vem sendo traçada pelo Delegado, Itagiba Vieira Franco, e são categóricos em dizer que, Marcelo era uma criança amorosa e carinhosa com a família, e que não tem o perfil de um psicopata como a polícia vem tentando montar, talvez para esclarecer logo o caso, e encobrir os verdadeiros assassinos.

A cena do crime não foi preservada desde o inicio, como deveria ter sido, mais de 150 policiais invadiram a residência da família na noite da descoberta dos corpos, contaminando completamente as provas, podendo facilmente até alterar a cena original do crime, e plantar provas que incriminassem Marcelo.
George Sanguinetti, o Médico Legista que desvendou que Paulo César Farias foi assassinado, em 1996; e que também participou do caso Isabela Nardoni, e do caso do goleiro Bruno, afirmou que analisou as fotos do crime, e que pela posição do corpo de Marcelo, a posição da arma abaixo dele, provam que ele não se suicidou, mas foi executado. A Presidente da Associação dos Peritos Criminais do Estado de São Paulo, Maria do Rosário Mathias Serafim, afirmou que a aparência de Marcelo Pesseghini, quando morreu, era de quem estava chorando, porque ele apresentava a expressão cerrada e a boca fazia beicinho de choro. Porém, ela acredita que isso não entrará para o laudo, porque não é uma informação técnica e sim subjetiva.

O tio paterno de Marcelo, falou que a família era tudo para Marcelinho, que amava muito o pai e a mãe, e que para ele, o pai para era o seu super-herói. A avó materna, a pessoa que criou e cuidou dele desde pequeno, porque os pais trabalhavam, era adorada pelo menino; vizinhos confirmaram essas declarações, dizendo que sempre viam os dois brincando e rindo no quintal. Sobre a declaração da polícia, de que Marcelo havia aprendido a atirar com o pai, e a dirigir com a mãe, o tio diz que é mentira, que seu irmão era uma pessoa muito coerente, e que Marcelo nunca demonstrou interesse em dirigir e muito menos mexer com armas.   

Segundo o Instrutor de Tiro do Clube de tiro de Botucatu, Marcelo Danfenback, a pistola calibre 40, é de fácil manuseio, quando travada, fica em posição de segurança, quando destravada, apertou o gatilho ela dispara, mas ela requer habilidade para o uso; e se for disparado um tiro de cada vez, ele acredita que seja possível uma criança manejá-la, mas tiros em sequência rápida, não.

Uma chave, que foi encontrada jogada no chão da garagem e levada para o DHPP, passou por perícia, mas não serviu em nenhuma porta dos dois imóveis do terreno. Um laudo preliminar, do Instituto de Criminalística, apontou que o pai, a avó, e a tia avó foram dopados, e apenas Andrea estava acordada, quando foi morta. Uma análise feita pelo instituto, no computador da casa das vítimas, também indica que, dias antes do crime, alguém pesquisou como dopar pessoas, e como conseguir um sono profundo. Todos os indícios apontam para Marcelo, onde tudo parece ter sido planejado para culpá-lo, porém, o laudo sobre a hora da morte do Sargento Pesseghini, diz que ele foi morto 10horas antes dos demais membros da casa, levantando ainda mais questões sem respostas.  


Therese Mourad
Gazeta de Beirute
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