Governo turco pede aos cidadãos para saírem do Líbano

Foto: Turkish Ihlas news agency posing

O Governo da Turquia pediu aos seus cidadãos para deixar o Líbano, bem como, emitiu um comunicado alertando para que nenhum cidadão turco viaje ao Líbano, por medidas de segurança. A decisão veio após o sequestro de dois pilotos da Turkish Airlines, no Aeroporto Internacional de Beirute.

O voo TK828, da Turkish Airlines, deixou o aeroporto de Istambul por volta de 04h30min da manhã da última sexta-feira (9), e os oito membros da tripulação do Airbus 321, juntamente com os 2 pilotos, desembarcaram no terminal 16 do aeroporto de Beirute, três horas depois, e estavam se dirigindo ao Beirute hotel, quando um grupo de 6 homens armados, sequestrou o Piloto, Murat Akpinar, e seu Copiloto, Murat Agca, nas primeiras horas da manhã, a menos de 1km do aeroporto. 

Após interceptarem o ônibus, que faz o traslado da Radisson Blu Martinez Hotel, em Ain Al-Mreisseh, sobre a Ponte Cocodi, o grupo armado obrigou os pilotos a saírem do ônibus, e na sequência, eles foram levados numa BMW X3 prata, e num KIA Picanto preto. Maher Mohammad Zeaiter, o motorista de 72 anos de idade, disse não ter podido impedir o sequestro, porque seu filho de 12 anos estava a bordo do ônibus, e ele temeu por sua segurança; e complementou dizendo que ele não tem qualquer envolvimento no caso, ele trabalha para o hotel há 13 anos, e sempre foi um funcionário de confiança. 

O grupo de sequestradores, autodenominado “Zuwwar Al-Imam Ali Al-Reda”, assumiu a autoria do sequestro, e exige a libertação dos 9 peregrinos libaneses que ainda restam, do grupo de 11 que foram sequestrados pelos rebeldes sírios de Azaz, em Aleppo, em maio de 2012. "Os cidadãos turcos serão nossos convidados, até que os reféns libaneses em Azaz, sejam libertados”, declarou o grupo que responsabiliza Ankara pelo sequestro dos peregrinos xiitas, por eles apoiarem os rebeldes que visam derrotar o presidente sírio.

Os familiares dos peregrinos sequestrados, que já realizaram diversos protestos no escritório da Turkish Airlines e na porta da Embaixada da Turquia, surpreenderam-se com a notícia e negaram envolvimento no sequestro dos pilotos turcos, alegando que suas manifestações são pacificas e públicas, e que eles rejeitam esse tipo de decisão. 

O Encarregado do Conselho Superior Xiita, envolvido no caso dos reféns libaneses na Síria, Sheikh Abbas Zogheib, afirmou que de fato os familiares dos peregrinos não tem nada a ver com isso, mas todos os libaneses que possuem dignidade e amor pelo seu país, devem fazer de tudo para acabar com o caso do sequestro dos peregrinos libaneses, e que a Turquia deve ser a única a ser condenada nessa situação, por ela ter deixado a situação chegar a este ponto, e prejudicar as relações entre os dois países, esquivando-se de tomar providencias em relação aos rebeldes sírios. 

O Chanceler Turco Ahmet Davutoglu, contatou o Primeiro-Ministro Interino, Najib Mikati, e o Porta-Voz do Parlamento Nabih Berri, afirmando que isso era inaceitável; que o caso dos peregrinos libaneses não poderia ser resolvido, à custa do prestígio do Estado, do Estado de Lei, ou da dignidade humana. Mikati e Berri, lamentando o incidente, que não afetará as relações entre Beirute e Ankara, garantiram à Davutoglu que as forças de segurança estão num encalço nacional dos pilotos, e que assim que eles forem localizados, serão imediatamente libertados. 

A mesma providência foi confirmada pelo Presidente Michel Sleiman, durante uma conversa telefônica com o Embaixador turco no Líbano, Inan Ozyildiz. Abdullah Gul, Presidente da Turquia, disse que Ankara vem realizando todos os esforços necessários na questão dos reféns libaneses em poder dos rebeldes turcos, e que ele tem esperanças de que os peregrinos sejam devolvidos ao Líbano em segurança. 

 As câmeras de segurança do aeroporto estão sendo investigadas, e um pedido de divulgação de dados de telecomunicações de celulares estrangeiros e locais, deverá ser enviado ao Ministério das Telecomunicações, para que os investigadores possam rastrear o histórico de ligações de funcionários do aeroporto, do motorista do ônibus, e dos controladores de voo nos últimos dias, bem como, todos ainda serão interrogados.

O partido 14 de março alertou para o perigo desse tipo de incidente no país, alegando que a reputação do aeroporto poderá ser danificada, caso ele seja adicionado na listagem de aeroportos inseguros e perigosos, prejudicando assim, a imagem do Líbano, de forma negativa. E disse ainda, que este tipo de incidente, serve de duro golpe contra a credibilidade do Estado em preservar a segurança no país, e de manter suas relações com os países árabes e estrangeiros, o que definitivamente, irá repercutir sobre os libaneses no país e no exterior. 


Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute
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1 comments:

  1. Oufff, cada dia eles fazem com que o Líbano só apareça para o mundo como um país que não é! Que inferno isso, cada vez vão se desunindo mais interiormente criando partidos de partidos, alas diferentes de um mesmo e essa pluralidade chega onde? Apenas à desunião e à um Líbano todalmente recortado que, creio eu, será difícil se transforma-lo ao menos numa colha de retalhos! Triste, triste demais, este país não merece!

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