Hemorroida - Gazeta de Beirute
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Hemorroida


O assunto é delicado, mas é preciso enfrentá-lo antes que o problema piore! Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), este problema acomete mais de 50% da população mundial, acima dos 50 anos. O índice de prevalência da doença é em torno de 4,4% na população geral, sendo que, indivíduos brancos parecem ser mais afetados do que os negros, e a ocorrência cresce na medida em que o nível socioeconômico da população aumenta.

No geral, o problema atinge homens e mulheres na mesma proporção, mas as mulheres costumam procurar um especialista com mais frequência. Desde criança, o homem tem facilidade em evacuar em qualquer lugar, sem pudor, mas as mulheres preferem evacuar em casa. Segurar a evacuação contribui para o aparecimento de hemorroidas!

A região terminal do intestino é composta pelo reto, canal anal, e ânus. Trata-se de uma área muito vascularizada por artérias e veias, que à medida que o tempo passa, vai sofrendo pressão, ainda mais porque somos bípedes, quer dizer, andamos em pé.

O que é: A hemorroida é uma veia dilatada na região anal, ou no final do intestino, e que inflama, causando dor e sangramento, e geralmente, volta ao estado normal. Quando isso não acontece, é necessária a intervenção médica. Ela pode ser comparada, com uma espécie de varizes, no ânus. Existem dois tipos de hemorroidas: as externas e as internas. As externas geralmente são agudas, e as internas são crônicas, e desenvolvidas ao longo dos anos.

A maioria das nossas veias contém válvulas, que ajudam o sangue a seguir sempre em uma mesma direção, impedindo seu retorno, mesmo quando contra a gravidade. Por exemplo, o sangue nas veias da perna, corre sempre contra a gravidade.  Graças às válvulas, ele consegue subir, sem ficar represado nas pernas. Quando as veias ficam doentes, e as suas válvulas param de funcionar, surgem varizes, veias tortuosas, onde o sangue fica congestionado. Ao contrário das veias do resto do corpo, as veias hemorroidárias, não possuem válvulas para impedir o represamento de sangue. Portanto, qualquer aumento da pressão nessas veias, propicia o seu ingurgitamento. As hemorroidas são como varizes das veias hemorroidárias. Assim como em qualquer variz, o sangue represado aumenta o risco de trombose e inflamações das veias.

Diferença entre hemorroidas internas e externas: Hemorroidas externas são dilatações das veias que estão fora do ânus. Embora visíveis na borda anal, em geral, não constituem uma doença, e não provocam sintomas. As hemorroidas internas surgem de 1,5 a 2 cm, debaixo da mucosa que reveste internamente o canal anal e o reto, logo acima do ânus.

Vale lembrar que existe a tendência perigosa de rotular como hemorroidas as centenas de patologias que podem ocorrer na região anal, o que pode levar a consequências catastróficas. Classificar como problema hemorroidário, qualquer saliência, verruga ou bolinha de sangue que apareçam no ânus, pode deixar sem diagnóstico e tratamento, um tumor maligno, por exemplo.

Cair no erro da automedicação é outro perigo. O diagnóstico de hemorroidas é pré-requisito básico, e deve ser feito por médicos, de preferência por especialistas na área, já que doenças muito mais graves podem instalar-se no ânus, e colocar em risco a vida do paciente.

Causas: Há uma série de fatores que podem causar hemorroidas, mas o principal é a alimentação pobre em fibras, e consequentemente, o mau funcionamento do intestino. A hemorroida acontece em pessoas com intestino preso, mas há outras coisas que favorecem o aparecimento desta, como a diarreia crônica, o uso inadequado de papel higiênico, a gravidez (porque aumenta a pressão intra-abdominal), e até mesmo a posição ortostática do homem, já que se fossemos quadrúpedes seríamos menos predispostos a desenvolver o problema.

Fatores de Risco:
• Constipação intestinal (prisão de ventre);
• Esforço para evacuar;
• Obesidade;
• Diarreia crônica;
• Prender as fezes com frequência, evitando defecar sempre que há vontade;
• Dieta pobre em fibras;
• Gravidez;
• Sexo anal;
• Histórico familiar de hemorroidas;
• Tabagismo;
• Cirrose e hipertensão portal;
• Ficar longos períodos sentados no vaso sanitário (há quem ache que o próprio design dos vasos propicie a formação de hemorroidas).

Já o hábito de evacuar agachado, muito comum no Oriente Médio e Ásia, está associado a uma menor incidência de hemorroidas. Por outro lado, evacuar sentado, como a maioria de nós habitualmente fazemos, parece aumentar a sua incidência. Independente dos fatores de risco, as hemorroidas se formam quando há aumento da pressão nas veias hemorroidárias, ou fraqueza nos tecidos da parede do ânus, responsáveis pela sustentação das mesmas.

Sintomas: As hemorroidas podem ser sintomáticas ou não. As hemorroidas internas tendem a ser menos sintomáticas. O único sinal indicativo da sua existência pode ser a presença de sangue, ao redor das fezes ao evacuar. O sangramento das hemorroidas se apresenta, tipicamente, como uma pequena quantidade de sangue vivo, que fica ao redor das fezes. Às vezes, o paciente pode notar pingos de sangue no vaso, após o término da evacuação. É comum também haver sangue no papel higiênico, após a limpeza.

As hemorroidas internas podem causar dor, se surgir uma trombose, ou quando o esforço crônico para evacuar, causa o prolapso (externar) da hemorroida para fora no canal anal. As hemorroidas internas, grau III e IV, podem estar associadas à incontinência fecal, e à presença de um corrimento mucoso, que provoca irritação e comichão anal. As hemorroidas externas são sintomáticas. Estão associadas a sangramentos, e dor ao evacuar, e ao sentar. Em casos de trombose da hemorroida, a dor pode ser intensa. O prurido (coceira) é outro sintoma comum. As hemorroidas externas são sempre visíveis e palpáveis.

Apesar de ser uma causa comum de hemorragia anal, é importante nunca assumir que o sangramento é devido às hemorroidas, sem antes consultar um
médico. Várias doenças, como a fissura anal, câncer do reto, doença diverticular, e infecções, também podem se manifestar com sangue nas fezes. Além disso, nada impede que o paciente tenha hemorroidas e outra 
doença, que também curse com 
sangramento anal, como um câncer, 
por exemplo. 


Portanto, todo sangramento anal deve ser avaliado por um médico, de preferência, o proctologista. O sangramento das hemorroidas costuma ser de pequena quantidade, mas, ser for frequente, pode até levar à anemia. Sangramentos de grandes volumes, não são comuns, nas hemorroidas, mas podem ocorrer em alguns casos. 

Um diagnóstico diferencial, importante das hemorroidas, é a fissura anal. Ambas causam dor e sangramento, porém, o sangramento da fissura, costuma ser menor, e a dor ao evacuar, mais intensa.

Diagnóstico: Nas hemorroidas externas o exame físico é suficiente para o diagnóstico. Nas hemorroidas internas é preciso realizar o toque retal, e caso ainda haja dúvida, a anuscopia (uma Mini-Endoscopia onde se visualiza o reto por vídeo). Em doentes idosos com sangramento pelo reto, mesmo que se identifiquem hemorroidas, é conveniente realizar a colonoscopia para se descartar outras causas. Como as hemorroidas são muito comuns nesta faixa etária, nada impede que o paciente tenha uma segunda causa para o sangramento, como um câncer do intestino, ou um divertículo.

Tratamento: Para as hemorroidas de primeiro grau, o tratamento é clínico. Atualmente, existe um método que se chama ligadura elástica, que pode ser utilizado nas hemorroidas de primeiro e segundo grau. É um método geralmente indolor, ou com pouca dor, que não demanda internação hospitalar, nem anestesia, e feita por meio de um dispositivo semelhante a um pequeno revólver, que dispara um anelzinho de borracha, para estrangular a hemorroida, que em 24 ou 48 horas, necrosa e cai. 

Em geral, o paciente não sente dor, ou sente pouca dor. Nunca podemos afiançar, porém, que o procedimento será completamente indolor, porque em alguns casos a dor é intensa, às vezes comparável com a do método cirúrgico, necessitando de medicamentos para controlá-la. Em Medicina não existe “nunca”, e nem, “sempre”. Entretanto, se a intervenção for feita de maneira correta, a tendência é não haver dor.

Para as hemorroidas de terceiro e quarto grau, o tratamento é fundamentalmente cirúrgico. Vale lembrar que, no Brasil, há aproximadamente três anos, foi adotado o método do grampeamento, uma técnica cirúrgica introduzida na Itália, em 1998. Faz parte de um grupo que realiza um estudo a respeito dessa experiência em toda a América Latina, e os resultados têm-se mostrando realmente bons. Na média, o grampeamento provoca menos dor, do que a cirurgia convencional. 

O grampeamento é um método cirúrgico, onde um aparelho é introduzido no ânus do paciente, e retira-se uma faixa da mucosa. Na verdade, não se mexe nas hemorroidas. Elas são puxadas para cima, recolocadas no seu devido lugar, e com o tempo, elas acabam regredindo. Para fazer o grampeamento, o paciente precisa ser internado, e tomar anestesia. Trata-se de uma técnica interessante, porque não há incisão na pele, o que geralmente, costuma provocar dor.

Dieta e Higiene Local: A dieta básica deve ser rica em fibras, em resíduos que promovam o bom funcionamento do intestino. Em geral, ingerir, cereais, frutas e verduras, são suficientes para os casos leves e iniciais, pois as hemorroidas de primeiro grau estão associadas à constipação intestinal, e fazer força para evacuar fezes endurecidas, acaba traumatizando as veias do ânus. Evitar substâncias irritantes, como pimenta e álcool, em excesso, também é recomendável.

Não existe uma correlação de causa, entre o papel higiênico e as hemorroidas. Se forem internas, seu uso não é contra indicado. Se forem externas, as de quarto grau principalmente, ele não deve ser usado, para não traumatizar, mais ainda, a área. Nesse caso, deve ser substituído pelos banhos de assento. Entretanto, o cuidado fundamental, diante de algum sintoma que possa ser atribuído a essa doença, é procurar um médico, para fazer o diagnóstico correto, e não se automedicar.

Hemorroidas podem virar câncer? NÃO! HEMORROIDAS NÃO VIRAM CÂNCER! Entretanto, os sintomas podem ser parecidos com os tumores intestinais, principalmente nos cânceres do reto e ânus. Por isso, é importante estabelecer o diagnóstico diferencial, especialmente em pacientes maiores de 50 anos. Reforçando a recomendação: todo sangramento anal deve ser avaliado por um médico.

Mitos e Verdades Sobre Hemorroidas

• Quem come muita pimenta pode desenvolver a disfunção.
Mito! A ingestão do condimento não causa hemorroida. Porém, em pessoas que já desenvolveram a doença, ele não deve ser consumido, por ser irritante em tecidos inflamados, piorando os sintomas. A orientação para os pacientes é evitar itens cáusticos, que vão agredir as veias na saída das fezes. E, como já foi dito, priorizar uma dieta rica em fibras, e abundante, em líquidos.

• Não existe cura apenas com medicações.
Verdade! Estamos falando de uma alteração anatômica, impossível de reverter com tais recursos. Pomadas, cremes, supositórios e remédios em comprimidos, auxiliam no controle de sintomas, porém, a única forma de tratar definitivamente os vasos que estão dilatados, é por meio de cirurgia, ou de técnicas, como laser e ligadura elástica. Como para cada caso há uma indicação específica, e precisa, é imprescindível a correta avaliação médica. 
Outra coisa: a mudança de hábitos é capaz de fazer toda a diferença. Isso significa dieta adequada, ingestão regular de líquidos, exercícios físicos e diminuição do estresse.

• As pomadas aliviam os sintomas. 
Verdade! Elas podem ser empregadas nos casos leves da doença, para minimizar o desconforto, bem como no pós-operatório, mas é importante deixar claro, que não curam o problema. Caso a dilatação e inflamação das veias piorem, outros tratamentos devem ser implantados. Elas têm somente papel de anti-inflamatório e analgésico.

• Se a hemorroida não for tratada, pode desencadear uma trombose. 
Verdade!  Ao contrário das veias do resto do corpo, as hemorroidárias não têm válvulas para impedir o represamento de sangue. Portanto, qualquer aumento da pressão propicia sua ingurgitação. A trombose acontece, quando há um conglomerado de veias inflamadas, com sangue coagulado. 
A área, então, fica bastante dolorida. Assim como em quaisquer varizes, o sangue retido aumenta o risco de trombose e inflamação. Dependendo do tamanho da trombose externa, o médico pode optar pelo tratamento com ressecção local. As internas melhoram com anti-inflamatórios, mas quase sempre necessitarão de cirurgia como medida definitiva.

• O uso de plantas medicinais, como hamamélis e camomila, é útil no 
tratamento. 
Parcialmente Verdade! A veia hemorroidária, uma vez dilatada, não volta ao seu estado natural só com medicações tópicas. Entretanto, algumas pomadas têm como substância básica o hamamélis, que oferece poder anti-inflamatório, a camomila, calmante, e a babosa e o confrei, que são cicatrizantes. O banho de assento é uma alternativa, para alívio dos sintomas. Basta colocar 1,5 litros de água morna numa bacia, e adicionar folhas de hamamélis ou cipreste, permanecendo sentado por 20 minutos, ou até a água esfriar. Pode-se repetir a operação, de três a quatro vezes, ao dia.

• Uma das melhores formas de prevenção é beber muita água. 
Verdade! É obrigatório manter o processo digestivo em movimento. Para isso, vale beber pelo menos oito copos de água, ou de qualquer bebida descafeinada, por dia. Frutas, vegetais e grãos integrais, importantes fontes de fibras, contêm água e ajudam na hidratação. Estes alimentos passam pelo trato digestivo, sem serem atacados pelas enzimas. Conforme se locomovem, absorvem várias vezes o seu peso em água, produzindo fezes compactas, pesadas e macias, facilitando a evacuação sem necessidade de esforço, acrescentando que, em metade dos casos, o consumo de alimentos com essas características, é o único tratamento necessário.

• Quem tem hemorroida não pode fazer musculação. 
Parcialmente Verdade! A restrição vale apenas para indivíduos que apresentam a doença em grau avançado, com inflamação e dor frequentes, pois exercícios intensos que envolvem levantamento de peso podem, sim, agravar a hemorroida, já que promovem um aumento da pressão nas veias da região.

• Exercícios e esportes colaboram para combater o distúrbio. 
Verdade! A ginástica favorece o bom funcionamento intestinal, e fortalece a musculatura do ânus e do reto. A caminhada e a natação são superindicadas, e auxiliam, inclusive, a aliviar os sintomas do problema. O exercício melhora a circulação sanguínea, que por sua vez, minimiza a inflamação associada à hemorroida. Também ajuda a manter o peso corporal saudável, reduzindo a pressão sobre as pequenas veias do ânus, no entanto, algumas atividades, como ciclismo e equitação, devem ser evitadas, porque exercem pressão sobre a região anal.

• Quase todas as mulheres apresentam o transtorno na gravidez. 
Verdade! A maioria tem hemorroida, mas os sintomas geralmente são discretos e não necessitam de tratamento medicamentoso, apenas orientações de dieta. Os casos mais intensos requerem remédios, e a cirurgia nesse período, deve ser evitada, sempre que possível. Muitas nunca sofreram com o problema, que só aparece na gestação, em razão do aumento de peso, e da pressão exercida na região pélvica. É possível também, que a dilatação da veia surja durante o segundo estágio do trabalho de parto. Vale ressaltar que a disfunção é mais comum, em quem já apresentava prisão de ventre, antes de engravidar. Recomenda se procurar um coloproctologista, para orientação de cuidados específicos. 

Atenção: No período de amamentação, a mamãe perde muita água para fabricar o leite. Então, é preciso se hidratar bastante, para não ficar com as fezes ressecadas, e ter propensão à hemorroida. 
E mais: A presença da mesma, não determina o tipo de parto, que pode ser normal ou cesariana.


Dra. Léa Mansur
Gazeta de Beirute
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