Mais de 15 mil sírios deixam o país nos últimos três dias


Milhares de refugiados sírios estão deixando o país e cruzando a fronteira em direção ao Curdistão do sul (ou Curdistão Iraquiano - uma região autônoma do Iraque), de acordo com a agência de refugiados da ONU. Pelo menos 10 mil sírios teriam cruzado a região fronteiriça de Peshkhabour no último sábado (17), e outras 7 mil pessoas cruzaram o mesmo local, dois dias antes, no dia 15 de agosto.

A ONU afirma que as razões para tamanho êxodo de sírios, em tão pouco tempo, ainda é incerta, mas há relatos do aumento de confrontos violentos entre sírios curdos, e militantes islâmicos, que são contra o governo. O Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR, sigla em inglês UNHCR), diz que este é um dos maiores afluxos de refugiados que a entidade está ajudando, desde o início do levante contra o Presidente Bashar Al-Assad, em março de 2011. 

O correspondente da BBC no Líbano, Jim Muir, diz que o grupo recente de refugiados, são em sua maioria, famílias que partiram de diversas regiões da borda do norte da Síria. O ACNUR, o governo regional do Curdistão, e entidades de assistência filantrópica, estão trabalhando contra o tempo para atender o grande número de pessoas, organizando comboios de ônibus, e outros tipos de veículos, para deslocarem as pessoas para as cidades vizinhas. Uma questão que permanece, é o porquê deste afluxo repentino de pessoas cruzando a fronteira com o Iraque, e indo para uma região de fronteira inóspita.

Em várias áreas, a fronteira com a Turquia é muito mais perto da Síria, mas as autoridades turcas parecem ser menos receptivas aos refugiados, do que eram no passado. Com a ausência do governo turco na ajuda aos refugiados, as lideranças do Curdistão iraquiano parecem ter decidido ter ação mais pró-ativa de liderança, na região frente à crise Síria. Os refugiados estão tirando vantagem de uma nova ponte flutuante, construída na região, sobre o Rio Tigre. A ONU confirmou que os grupos mais recentes de refugiados chegaram de Aleppo, Hassakeh, Qamishli, e outras áreas da Síria, que ainda estão em conflito.

Na sexta-feira, o Porta-Voz da ACNUR, Adrian Edwards, disse aos repórteres de Geneva, na Suíça, que o que vem causando esse movimento tão repentino de pessoas, ainda não está claro, porque os curdos representam 10% da população Síria, e eles estão largamente concentrados no nordeste do país. Eles protestaram contra o regime de Bashar Al-Assad após o inicio dos conflitos, e as áreas curdas são controladas por governos curdos locais, e outras milícias, desde que o governo parou de controlar a região no ano passado. As milícias curdas já lutaram contra os rebeldes da Al-Nusra e deixaram dezenas de mortos.

 No último domingo (18), Inspetores de Armas Químicas da ONU, chegaram a Damasco e seguiram para um hotel, sem dar qualquer declaração aos jornalistas. O regime de Bashar al-Assad e a oposição, trocam acusações sobre a utilização de armas químicas no conflito, que já dura dois 2 anos e meio. O governo sírio autorizou a visita de especialistas da ONU, depois de ter aceitado as modalidades propostas por ela, para garantir a segurança e a eficácia da missão. A ONU anunciou no fim de julho, que havia recebido a autorização de Damasco, para uma investigação em três lugares, sob a suspeita do uso de armas químicas.


Therese Mourad
Gazeta de Beirute
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