Nahid Persson

Nahid Persson Sarvestani, nascida em Shiraz, Irã em 1960, é uma cineasta sueca-iraniana, e premiada diretora e roteirista.

Seus documentários mais famosos: “Prostitution Behind the Veil”, “My Mother – a Persian Princess”, “The End of Exile” e “The Last days of life”

Em 2007, depois de ter sido presa e encarcerada pelas autoridades no Irã, por supostamente ter envergonhado seu país natal, com o seu documentário sobre duas prostitutas em Teerã, ela completou o documentário “Four wives – One Man”, em condições difíceis e perigosas. 

O filme, que retrata uma família poligâmica do sul de Shiraz, foi contrabandeado para fora do Irã, e finalmente, editado na Suécia. 

Em novembro de 2008, Persson Sarvestani terminou a produção de “The Queen and I”, um documentário de 90 minutos, em um relacionamento envolvente, emocionante e complexo.  A Cineasta Nahid Persson Sarvestani, e a Imperatriz iraniana, Farah Diba Pahlevi, sempre ocuparam lados opostos do espectro político do Irã. Nahid cresceu ouvindo relatos das prisões ilegais, e torturas realizadas pelo governo do Xá Mohammed Reza Pahlevi. 

Tornou-se militante comunista, e estimulou seu irmão a seguir o mesmo caminho, participando os dois da derrubada do governo do Xá, que abriu espaço à revolução de 1979, e que implantou no país um regime islâmico. Décadas depois, as duas mulheres se encontram e, embora continuem pensando de modo diferente, compartilham experiências de exílio e perdas. O filme teve sua estréia norte-americana, no Sundance Film Festival, em 2009, e lançamento mundial, em conjunto com o 30 º Aniversário da Revolução Islâmica, em 2009.

Persson Sarvestani recebeu vários prêmios por seus filmes. “The Last days of life” recebeu o Prêmio Jornalista, da Fundação Sueca do Câncer (Cancerfondens), em 2002. O filme “Prostitution Behind the Veil”, que causou controvérsia e conta situações dolorosamente reveladoras, da vida de duas prostitutas em Teerã, recebeu uma indicação ao Emmy Internacional, bem como o Dragão de Ouro no Festival de Cinema de Cracóvia; e também prêmio de Melhor Documentário Internacional Notícias da TV - Festival 2005, em Monte Carlo, bem como o Crystal Award (Kristallen) pela SVT (Sueco Estado Television), e o escaravelho de ouro (Guldbaggen), pelo Instituto de Cinema da Suécia, em 2005. 

Persson Sarvestani também compartilha o “Tjänstemännens 
Centralorganisation 2005”, Prêmio Cultural da TCO, com o autor Marjaneh Bakhtiari.



Ex-militante comunista no Irã, a diretora viu a luta contra o regime do Xá Rehza Pahlevi, resultar em uma situação ainda mais desfavorável, após a revolução islâmica de 1979, já que o governo dos aiatolás, além de manter uma política de forte repressão a grupos opositores, também utilizava a religião como forma de rebaixar o papel da mulher na sociedade iraniana. 

Várias das companheiras comunistas de Nahid foram presas, e permaneceram durante anos em cárcere. O irmão da diretora, Rostan, foi detido e executado pelo regime islâmico, mas ela conseguiu fugir do país, e nunca mais voltou para o Irã. Trinta anos depois, a cineasta tomou a decisão de partir em busca do paradeiro das amigas militantes, que ela nunca mais havia visto.

A princípio, o que move o documentário, que é narrado em primeira pessoa pela cineasta, é uma tentativa de lidar melhor com a morte do irmão, pela qual ela se sente culpada. Todavia, na medida em que a diretora reencontra suas amigas, que agora moram em lugares diferentes da Europa e EUA, o foco do filme passa a ser a difícil tarefa de se resistir a um governo autoritário.

Como atesta um chaveiro que carrega a foto de Karl Marx, Nahid mantém intactos seus ideais de juventude, e assim, fica decepcionada quando descobre que uma ex-líder comunista, que agora vive nos EUA, se converteu ao islamismo. A religião, na visão da diretora, é um meio para dominar, política e socialmente, a mulher iraniana, tese que ganha sustentação, através dos relatos de que todos os presos eram obrigados a orar na prisão. Dessa forma, as imagens de ex-presidiárias retirando e atirando a burca, ganham um sentido libertador.

Sem oferecer nenhuma reflexão sobre o cenário atual do Irã, já que, nas entrelinhas, vende-se a ideia de que tudo continua como antes, o documentário é interessante, não só por trazer uma nova abordagem a um tema já conhecido (Revolução Iraniana), mas também por retratar de maneira humana, a vida de mulheres que mesmo com tantas lembranças desagradáveis, encontraram meios para seguir vivendo alegremente.

Assim, quando uma ex-militante afirma que, fica contente por poder esticar o braço lateralmente, já que não conseguia realizar esse movimento, dentro da cela superlotada em que permaneceu por vários anos, o que resta ao espectador, é o estranho desejo, de que ninguém mais venha a ter este tipo de alegria.

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Jeane Satie Abou Nimry
Gazeta de Beirute
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