Poluição está acima do nível global em Beirute

Uma pesquisa realizada pelo 
Departamento de Geografia da 
Universidade Saint Joseph, e 
publicada no final de julho, revelou que os níveis de poluição em Beirute, causados pela emissão dos veículos e usinas de energia, estão 2/3 acima do limite global.  

Nada Badaró-Saliba, professora do departamento, e autora do estudo, disse que existe uma necessidade urgente, de se reformar a política de tráfego para corrigir a qualidade de ar, que se isso não for invertido, os problemas respiratórios e riscos, em longo prazo, de desenvolver câncer de pulmão irão aumentar, porque a situação atual é alarmante. Cientistas mediram os níveis de dióxido de nitrogênio na atmosfera, e coletaram dados de emissões de 52 máquinas de qualidade de ar, por mais de 24 semanas, e os samplers demonstraram que os níveis de poluição não têm diminuído.

Os níveis deveriam atingir até 40 mg/m3, de acordo com o limite da Organização Mundial de Saúde, porém eles atingem entre 53 a 67 mg/m3. Ao longo da costa, as taxas são mais baixas, mas ainda estão acima do limite global, a taxa mais alta foi registrada bem no centro de Beirute. A poluição por NO2 (dióxido de nitrogênio) é a precursora do O3 (ozônio troposférico), que danifica os pulmões e a vegetação. O NO2 está diretamente ligado a doenças respiratórias, e em longo prazo pode desenvolver cancro de pulmão. Os danos causados pelo NO2 atingem mais idosos, crianças e pessoas com doenças respiratórias, pré-existentes, como asma.

O caótico desenvolvimento urbano de Beirute, com seus altos edifícios e ruas estreitas, e a falta de espaços verdes, contribuem para vulnerabilidade da cidade, visto que as colinas ao seu redor, e a brisa do mar, colaboram com a explosão dos poluentes em direção ao centro da cidade, onde eles se disseminam para as demais áreas, tornando avenidas e ruas, armadilhas perfeitas para atingir a população. Uma medida imediata seria melhorar a qualidade do ar próximo às escolas, limitando o tráfego, para evitar expor as crianças às emissões diárias.

No entanto, especialistas dizem que não há muito a ser feito, a cidade não possui transporte público e os congestionamentos crônicos diários não podem ser impedidos. A falta de conscientização ambiental e a paralisia política, que não prioriza esse setor, não leva a nenhuma solução, e tudo fica estagnado.
Badaró-Saliba disse ainda, que pretende investigar, se a ascensão nos casos de câncer, está diretamente ligada a este alto nível de poluição, ou se há outros fatores responsáveis, como o altíssimo índice de tabagistas, por exemplo.

Nadim Kanj, especialista em doenças do sistema respiratório do Medical Center da AUB, disse que tais doenças respiratórias, bem como câncer, estão definitivamente em ascensão no Líbano, e ele acredita que o primeiro maior vilão, certamente é o tabagismo, e em segundo lugar, está o elevado nível de poluição do ar. Segundo ele, os poluentes “ainda” não podem ser apontados como os causadores das doenças pulmonares, eles são responsáveis pelo agravamento de seus sintomas, e também das doenças atuais existentes.

Mas a falta de transportes públicos, a baixa qualidade do combustível utilizado em veículos, a falta de legislação nas questões ambientais, e a péssima qualidade do ar, certamente, contribuem para todas essas doenças, e a tendência crescente de cada uma dessas deficiências, não vem sendo observada pelos governantes, em nenhum setor.

Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute
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