Quem está por trás das explosões em Trípoli?

Foto-Reuters

A polícia prendeu dois suspeitos, de estarem envolvidos com as explosões que ocorreram na cidade de Trípoli, que matou pelo menos 47 pessoas e feriu mais de 400, após a oração de sexta-feira.

Xeque Ahmad Gharib, 40, foi preso pela polícia em sua residência em Minyeh, ao Norte de Trípoli. Armas, explosivos e mapas da cidade foram apreendidos em sua casa.

O outro suspeito do atentado, é o Xeque Abdel Razzak Hammoud, que também foi preso.

Mas as investigações, não provam ainda, se eles realmente estão envolvidos ou não. E investigações detalhadas continuam sobre as explosões nas  duas mesquitas sunitas (Mesquita Al-Salam e Mesquita A-Taqwa). Mas as autoridades já afirmaram que o explosivo utilizado pesava cerca de 175 kg.

Durante o sábado, diversos funerais foram realizados na região, entre as vítimas estava um soldado do exército libanês de apenas 25 anos de idade.

As pessoas evitam sair de suas casas, e muitos locais comerciais fecharam, pois a cena chocante das chamas, os corpos dos mortos e feridos, os gritos, os vidros e destroços prejudicando os esforços de resgate, não serão esquecidos, além do medo, de um possível novo ataque.

A explosão de sexta-feira ocorreu dias depois de um ataque similar porém em uma área xiita, que matou pelo menos 27 pessoas e feriu mais de 300, no subúrbio de Beirute.

Reações políticas Internas

As autoridades libanesas e líderes religiosos, condenaram o atentado. O primeiro-ministro interino Najib Mikati, realizou uma reunião em sua residência em Trípoli, onde pediu para que os moradores da região cooperassem com as forças de segurança.

Baroudi e Rafei, os líderes religiosos que estavam presentes nas mesquitas, ficaram ilesos aos ataques.


Figuras religiosas, incluindo representantes do movimento salafista, se reuniram para discutir as explosões e criticaram abertamente o Hezbollah e o regime sírio.

"Esta é uma mensagem para as pessoas de Trípoli por causa do que ocorreu no bairro xiita", disse ele, referindo-se o carro-bomba que explodiu na semana passada em Ruaiss, no subúrbio a sul de Beirute. "Esta é a sua reação, e sua vingança. "

Por outro lado, a maior parte dos políticos, acusou Israel, e seu plano sionista, de querer ascender uma guerra entre sunitas e xiitas, advertindo que os bombardeios visam incitar a luta.

O Presidente libanês, Michel Sleiman, descreveu as explosões como um "massacre" e disse que elas eram parte de uma cadeia de violência visando todo o país.

O primeiro-ministro interino Najib Mikati disse que os ataques tinham como objetivo provocar os moradores de Trípoli a responderem a tal brutalidade.

"Mãos criminosas sobre a cidade de Tripoli, que foi alvo mais uma vez, em uma clara mensagem, com o objetivo de incitar a luta e a unidade de Trípoli e seus moradores, mas o povo não vai cair nessa conspiração", disse Mikati.

Nabih Berri, o porta-voz do parlamento, disse que os autores por trás dos bombardeios de Trípoli também foram os que fizeram a recente explosão, no reduto do Hezbollah, as chamando de explosões gêmeas.

E com a mesma opinião, o ministro da Defesa, Ghosn, disse que os culpados eram os mesmos que estavam por trás da explosão Ruaiss, que matou vários xiitas.

Segundo o Hezbollah: "Estas explosões terroristas gêmeas são parte de um plano criminoso com o objetivo de plantar as sementes da discórdia entre os libaneses e arrastá-los para lutar sob a bandeira do confessionalismo e sectarismo".

"É uma continuação de um projeto que visa arrastar o Líbano ao caos e cumprir as metas do inimigo sionista."

Al-Jamaa al-Islamiya: "Há uma mão criminosa tentando inflamar conflitos no Líbano ... tentando copiar o modelo iraquiano completamente no Líbano. Isso é o que sempre alertou, em particular no que diz respeito à facção envolvida na Síria. "

Talal Arslan, chefe do Partido Democrático Libanês: "Eles não tiveram sucesso em causar conflitos entre sunitas e xiitas no Líbano anteriormente, então eles tentaram espalhar o caos da segurança em todo o país ... Devemos saber que quem comete esses atos não tem religião ou seita. "


O líder do Partido Socialista, Walid Jumblatt disse que"Israel é o principal beneficiário dos bombardeios no Líbano".

O Grande líder religioso e a maior autoridade sunita, Xeque Mohammad Rashid Qabbani afirmou:

 "Tenha certeza, ó muçulmanos, que a explosão nos subúrbios ao sul na semana passada não foi realizada por sunitas e a explosão hoje em Trípoli não foi realizada por xiitas, aqueles que realizaram as explosões em Tripoli e nos subúrbios querem empurrar o Líbano para conflitos sectários intermináveis".

O líder espiritual xiita Sayyed Ali Fadlallah também se pronunciou: 

"Um ataque bárbaro ao nosso povo ... e contra os valores islâmicos e humanitários".


Foto-Reuters

Mas as autoridades de todos os partidos políticos pediram calma, e disseram para a população ficar atenta e vigilante, para impedir que os inimigos dentro do país, da paz e da estabilidade no Líbano, não explorem esse incidente.

Reações Internacionais

Os membros da comunidade internacional também denunciaram o atentado. 

O Secretário-Geral Ban Ki-moon, e o Conselho de Segurança condenaram as duas explosões e pediu que os responsáveis sejam levados à justiça.

"Ele estende as suas condolências às famílias das vítimas e ao governo do Líbano, e sua simpatia a todos os que ficaram feridos", acrescentou.

O chefe da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, também denunciou o duplo atentado bombista e apelou a todos os libaneses a recorrerem a "linguagem da razão e da fraternidade, a fim de afastar a conspiração que inflama a luta”.

O presidente francês, François Hollande, também condenou as explosões, e as chamou de "odiosos, ataques covardes".

A Embaixada dos EUA no Líbano, condenou energicamente os atentados de hoje, e pediu a todas as partes exercer calma e moderação.

Alistair Burt, o Ministro britânico do Exterior: 

"Faço um apelo para que todos os libaneses se unam, resistindo as tentativas de divisão e garantindo um futuro próspero e livre de ameaças e violência."

Reações da população

A população libanesa está muito dividida, enquanto há sunitas e xiitas, se acusando, muitos acreditam que essa seja uma armadilha israelense e americana, e outros apontam para o Irã e a Síria. Mas a maioria da população, prefere a união do que a divisão, que causam mortes. Após a explosão em Trípoli, que matou vários sunitas, xiitas em solidariedade, saíram as ruas com flores e cartazes, que afirmavam:

“Suas vítimas são nossas vítimas, mártires do Líbano”.

Com tantas questões e poucas respostas, a população está com medo, não se sabe onde e quando pode ocorrer uma outra explosão. Por esta razão os libaneses, evitam sair de casa, a não ser por razões necessárias. O exército está nas ruas revistando carros, conferindo documentos, assim como outras forças de segurança no país, no entanto não podem garantir total segurança.


Chadia Kobeissi
Gazeta de Beirute
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