Tribo isolada da civilização é encontrada na Amazônia


A FUNAI divulgou recentemente, um vídeo que comprova, pela primeira vez no Brasil, a existência de índios da tribo Kawahiva, uma das últimas tribos nômades do mundo, que sempre viveram completamente isoladas da civilização. 

A tribo Kawahiva vive no meio da floresta amazônica, na região do Mato Grosso, sem qualquer tipo de contato com o homem branco, e constantemente fogem de um lugar para outro, para evitar qualquer tipo de contato com a civilização. Os homens da tribo são guerreiros, e as mulheres colhem o que for encontrado na floresta, além de cuidar das crianças.

O vídeo de 2 minutos, produzido em 2011, e divulgado apenas agora, mostra imagens de um pequeno grupo de 9 índios (homens, mulheres e crianças), andando completamente nus, como os antepassados, e carregando longos arcos e flechas. Num determinado momento do vídeo, uma das índias percebendo a presença de um dos sertanistas da FUNAI na mata, avisa o restante da tribo, e sai correndo. Um dos guerreiros volta, fica escondido entre as folhagens observando, e ao perceber que não há qualquer perigo, volta para o deslocamento da tribo.

A Professora da Universidade de Brasília, Ana Sueli Arruda Cabral, uma das maiores especialistas do mundo em línguas indígenas, analisou o vídeo, e traduziu o que os Kawahivas falam no vídeo. Segundo ela, a língua Tupi Kawahiva é comum em várias tribos, mas como essa tribo sempre viveu isolada, eles falam num dialeto próprio. 

De acordo com a especialista, uma mulher teria dito ao homem da tribo: “Aré I-Djupi” (Nós outros para eles), e o homem fala “Mbutá” (tipo de andaime). Na conversa entre eles, dá-se a entender, que a tribo estava procurando um lugar para pernoitar, e falaram sobre construir o Mbutá, que é um andaime construído nas árvores, onde eles permanecem para esperar a caça vir à noite.  Quando a pequena índia, que está pendurada nas costas da mãe, percebe a presença dos sertanistas da FUNAI no meio da mata, ela grita “Tapuim” (Tem inimigo!), a mãe olha para trás, vê os sertanistas, e grita “Atzé” (Vamos!), e sai correndo.

A especialista afirmou ainda, que esse pequeno grupo, provavelmente, deve ser o último grupo remanescente da tribo, entre tantas outras tribos originadas dos Kawahivas, que migraram para outras regiões, e que acabaram tendo contato com o homem branco, e se extinguindo.

Quem registrou as imagens inéditas, foi o sertanista, Jair Candor, funcionário da FUNAI há mais de 20 anos, e que tem a missão de monitorar e proteger os Kawahivas, sem forçar o contato com a tribo. "A gente não estava ali para encontrar com eles. A gente estava ali, para verificar algumas invasões no limite da terra, e tivemos a surpresa de vê-los, pela primeira vez". 

A área onde os índios estão isolados é 2 vezes e meia, maior do que a cidade de São Paulo, no coração da floresta, e na divisa dos estados do Mato Grosso e do Amazonas, próximo ao Córrego do Rio Pardo, cuja cidade mais próxima, fica a 150 km de distância. 

Os sertanistas afirmaram que esse território já foi interditado pela Justiça, sendo permitida a entrada, somente mediante autorização da FUNAI. Até conseguir filmar os Kawahivas, só havia indícios de sua existência; durante duas décadas, os sertanistas da FUNAI realizaram dezenas de expedições na região, e encontraram vários acampamentos provisórios na mata, além de muitos objetos produzidos pelos índios. 

Os Kawahivas não praticam a agricultura, são nômades, e quando a caça some, eles mudam de acampamento, por isso a necessidade de um território grande. Eles vivem no que eles chamam de “tapiri”, uma habitação improvisada, coberta com folhas, eles fazem redes com casca de árvore, e possuem uma roca primitiva, para fazer o barbante usado na fabricação de flechas. 

O futuro dos Kawahivas está ameaçado pela proximidade da civilização. Os sertanistas encontraram garrafas pet em um acampamento provisório, na beira de um rio, e na outra margem do rio, já começa a extensão territorial de uma fazenda; os sertanistas acreditam que quando os índios se confrontaram com os brancos, no território da fazenda, a coisa vai se complicar. 

A divulgação do vídeo visa provar a existência da tribo, para confrontar latifundiários que desejam a posse destas terras remotas do Mato Grosso, e que não acreditam na afirmação da FUNAI, de que na região existe a referida tribo, bem como pode existir ainda outras tribos indígenas isoladas.

A FUNAI calcula que cerca de 10 mil índios, de 32 etnias, ainda vivem isolados na floresta amazônica, e de acordo com o Professor Arion Rodrigues, o primeiro a classificar as línguas indígenas do Brasil, existe 220 línguas e dialetos indígenas diferentes falados no Brasil. Ele ainda estima, que na época do descobrimento, havia cerca de 1200 línguas entre as tribos que existiram, e que o homem branco em 5 séculos, conseguiu extinguir cerca de 1000 tribos e suas línguas e dialetos. 

Veja o vídeo com as imagens dos índios Kawahivas aqui: 




Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute
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