Vítimas da explosão

 
Foto-almanar.com

Após a explosão em Ruaiss, no subúrbio de Beirute, gritos de dor e choque ecoavam em todo o bairro, e o cheiro da tragédia, se espalhava pelo ar. Uma correria, para todos os lados, e a fumaça subindo aos céus. Bombeiros tentavam evacuar os moradores presos em prédios atingidos, em carros, ou debaixo dos escombros.

As pessoas acenavam em suas janelas, pedindo socorro, pois após a explosão os edifícios ao redor, pegaram fogo.

Centenas de pessoas assistiam o resgate, com tristeza e esperança. Todos estavam presentes: a Defesa Civil, a Cruz Vermelha, os Bombeiros, e o Hezbollah, juntos tentando resgatar os moradores, e os donos das lojas.

Ambulâncias foram conduzidas pelos caminhos que foram rapidamente liberados.
Cada um contou sua história aos jornais, houve pessoas que saíram momentos antes da explosão, outras que trabalham na região, mas que nesse dia não foram ao trabalho, entre outras histórias.

Mas nem todos, tiveram a mesma sorte, entre as vítimas fatais, estavam um policial e suas duas filhas, um funcionário do jornal An-Nahar, Mohammad Safa, que deixou sua esposa Rania Ahmad Serri, e duas filhas.

 
Foto de Mohammad Safa

O considerado heroi, Hamad Moqdad, de 40 anos (que estava apenas ajudando a resgatar os feridos) também morreu. Hamad, foi enterrado após uma cerimônia com honrarias, contando com a presença de centenas de pessoas.

Alguns homens dispararam tiros para o ar durante a procissão e as mulheres jogaram arroz e pétalas de rosa sobre o corpo do falecido enquanto carregavam seu retrato. Os rapazes vestiam camisetas estampadas com o rosto da vítima.

"Ele estava ajudando os feridos quando cabos elétricos caíram sobre ele ", disse seu primo.

"Perdemos um bom homem. Ele foi martirizado fazendo uma boa ação", disse a irmã da vítima.

Mas não apenas libaneses, uma criança síria, refugiada no Líbano, chamada Samah de apenas 9 anos de idade, perdeu a vida também na explosão em Ruaiss. A família da garota sofreu queimaduras e fraturas no incidente.

No dia seguinte, enquanto muitos choravam pelas suas vítimas, outros conferiam seus danos materiais, em suas lojas, casas e carros.

Um dos homens disse: "Esse e o preço que pagamos por apoiar a resistência libanesa (Hezbollah)". O Senhor ainda defendeu o grupo xiita, dizendo que "o Hezbollah, mais do que nunca deve intervir na guerra da Síria, para acabar com esses grupos extremistas".

Ainda não ficou claro se o Hezbollah, irá pagar uma indenização, no entanto, vários donos das lojas do subúrbio sofreram grandes prejuízos, e admitem que estão assustados, mas não podem deixar a região, a casa, e o trabalho.

Uma faixa com dizeres "Made in EUA" foi pendurada em um dos edifícios devastados, expressando o sentimento local sobre a responsabilidade pelo ataque.

Bandeiras do Hezbollah foram penduradas em algumas varandas, enquanto tocava o hino do partido em alto-falantes no bairro.

O atentado que matou mais de 20 pessoas e feriu mais de 300, foi condenado por toda a população sejam eles, rivais ou simpatizantes do Hezbollah. 

Muitos acreditam que grupos extremistas cometeram a ação, outros porém, afirmam que pode ter sido uma armadilha israelense, para causar um conflito sunita-xiita, já que a explosão ocorreu na véspera da celebração anual do fim da guerra de 2006, entre Hezbollah e Israel.

O Hezbollah anunciou seu envolvimento na guerra da Síria em maio, dizendo que estava defendendo a resistência e o Líbano de grupos extremistas, que  atualmente dominam as forças da oposição síria.

Chadia Kobeissi
Gazeta de Beirute
Share on Google Plus

About beirut lebanon

This is a short description in the author block about the author. You edit it by entering text in the "Biographical Info" field in the user admin panel.

0 comments:

Postar um comentário