Viúva de Jemo é a mandante do crime

 
Foto: AFP

Na última semana, o Ministério público emitiu o mandado de prisão contra Siham Younes, seu irmão Badih, e seu sobrinho Ali, já estavam em custódia, pelo planejamento e execução do crime que matou seu marido, Mohammad Jemo, no último dia 17 de Julho, em Sarafand, costa sul do Líbano. O pai da viúva, sua filha, e sua irmã, foram libertados pelo Juiz, por falta de provas dos três, no envolvimento do assassinato de Jemo.

O Ministro Samih Hajji, encaminhou o caso para o Juiz Munif Barakat, solicitando mandados de prisão contra os três acusados, com base nas acusações do artigo 549 do Código Penal, cuja punição é a pena de morte. Durante as investigações, a viúva confessou ter pedido ao seu irmão Badih e seu sobrinho Ali, para matarem seu marido, alegando que ele costumava repreendê-la, deixá-la por longos períodos, sozinha, para lidar com funções políticas, e se reunir com os membros dos órgãos de segurança sírios e libaneses.

Além disso, Siham já suspeitava que Jemo, vinha tendo casos extraconjugais, com diversas libanesas e sírias, e segundo ela, o motivo que mais contribuiu para que ela decidisse mata-lo, foi pelo falo de Jemo tê-la ameaçado de divórcio, onde ele tomaria sua filha dela, para viver com ele na Síria. Ali e Badih disseram que quatro dias antes da partida de Jemo do Líbano, Siham reuniu-se com os dois, e pediu-lhes sua ajuda para matar Jemo. Os dois concordaram com a trama, e os três começaram a arquitetar o crime, a ser executado na madrugada de 17 de Julho.

Após o iftar na casa de seus pais, Ali, Siham, e Badih se dirigiram para a casa de Jemo, que fica a 500 metros, e Siham colocou a AK-47 do marido na sala de estar para Ali, que permaneceu na casa. Quando Jemo retornou de um evento social em Tiro, e entrou em sua casa, Ali o alvejou, matando-o instantaneamente.

Após se certificar que Jemo estava morto, Siham deu a chave do carro à Ali, que foi para a casa de seu avô, em Sarafand, e escondeu a AK-47 em um tanque de água atrás, da casa. Enquanto isso, Siham e Badih disseram a seus parentes, que homens armados mataram Jemo por razões políticas.

Siham foi para a Síria, para o funeral de Jemo, em Latakia. Na volta, ela foi presa pelas Forças de Segurança. A viúva disse, que seu sogro ao ouvir sobre o seu envolvimento no assassinato de Jemo, ameaçou matá-la se ela não renunciasse a herança do marido. Durante sua estadia em Latakia, o Presidente, Bashar Assad, enviou-lhe uma grande quantia em dinheiro, em dois sacos, para ajudá-la a viver financeiramente, após a morte de seu marido. Mas ela disse que seu sogro, também lhe tomou este dinheiro.  

Na quinta feira (01), foi realizada a reconstituição do assassinato de Mohammad Jemo, em Sarafand. Algemado, com o rosto coberto, e usando colete à prova de balas, Younes foi levado à cena do crime, com 01h30min de atraso, num veículo das Forças de Segurança Interna. Segurando uma AK-47 nas mãos, Ali Younes, sobrinho da viúva, encenou calmamente, como ele matou o marido de sua tia, no ultimo dia 17 de Julho.

Diante de uma multidão de juízes, jornalistas, e autoridades convidadas, como o Ministro Samih Hajj, Ali Shahrour, Chefe da Inteligência do Exército, e outros, Younes mostrou o local onde ele alvejou Jemo, dizendo que mesmo quando ele já havia caído no chão, ele continuou disparando contra ele, até esvaziar a arma. Sem se intimidar com os milhares de moradores curiosos, que também assistiram a reconstituição do crime, de suas varandas e telhados, ele ainda disse ter conferido a AK-47 antes de usá-la, e que estava faltando apenas 4 ou 5 balas, o que significa que ele descarregou mais de 2 dúzias  de balas de fuzil sobre Jemo.

Younes, sem demonstrar qualquer arrependimento pelo crime, confessou ter matado Mohammad Jemo, a mando e planejamento de seus tios Badih e Siham Younes, esposa e cunhado de Jemo. Quando lhe foi perguntando por que ele matou Jemo, o rapaz respondeu: "Por quê? Se você não sabe, eu sei. Estou com minha cabeça erguida e eu não tenho medo, ninguém sabe da realidade."  A reconstituição durou 10 minutos, e ao término, Younes foi levado novamente para a prisão.

Já é sabido que a motivação do crime foi pessoal e não política, conforme alguns jornais libaneses anteciparam em publicar. "A investigação foi publicada pela mídia, em violação das regras, porque a investigação vem sendo conduzida em sigilo, e só anunciará os resultados após o juiz tomar sua decisão. A mídia às vezes publica notícias falsas, a imprensa libanesa deveria ser mais responsável", disse Barakat.  


Qualquer semelhança com o caso Richthofen e irmãos Cravinhos, é mera coincidência.


Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute
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