A história de Beirute

Foto: Ghaleb Al-Jazmi

Beirute... Um local onde jorrava água a partir de centenas de fontes naturais e que, pela abundância de suas águas, numa área rodeada de desertos, foi chamada pelos fenícios de “Beroth”, ou “Béryte”, que quer dizer exatamente isto: “Cidade das fontes”. Foi assim, que os fenícios viram Beirute pela primeira vez, e foi assim, que eles apaixonaram-se por ela.

Localizada entre os extremos norte e sul do litoral libanês, Beirute foi fundada no século XIII A.C., contudo seu nome já aparecia em inscrições cuneiformes do século XIV A.C. Os homens – que naquela época ainda viviam em grutas - foram atraídos à região por causa do sílex. As foram os fenícios que fizeram de Beirute, uma importante cidade, ao lado de Biblos, Sídon e Tiro, e transformaram-na num próspero centro comercial a partir do segundo milênio. 

Por volta do século XV A.C. Beirute vivia sob a tutela dos afros do Egito. Depois, sob o reino de Alexandre o Grande, Beirute abriu-se à cultura helênica; neste período seus poetas e escritores falavam, fluentemente, o grego e o aramaico, além, dos dialetos fenícios. A partir do século I A.C., Herodes o Grande construiu em Beirute, templos fóruns, teatros e termas, tendo organizado também atrações, como corridas e lutas de gladiadores, para entreter seus habitantes.

Ocupada pelos romanos, ela passou por uma época gloriosa: César Augusto denominou-a colônia “Júlia Augusta Felix Berythus”, nome de sua filha única. Beirute passou a ter privilégios de colônia romana e seus habitantes, foram dispensados de pagar taxas. No século III D.C., Septímio Severo fundou uma Escola de Leis, a conhecida “Escola de Direito de Béryte”, que se tornou célebre e sobrepujou as Escolas de Constantinopla, de Alexandria e de Atenas, igualando-se à de Roma. 

Durante os séculos V e VI, Beirute teve uma constituição imperial, que servia para todo o Oriente e constituía a base de toda a justiça. Em 533 foi redigido o Código Justiniano, que constitui, ainda hoje, a base de diferentes sistemas legislativos no mundo.

Durante o período bizantino (330-634 D.C.), Beirute foi uma das cidades mais importantes da chamada Fenícia: o Cristianismo estava presente através de uma sede episcopal em Beirute. No ano 551, Beirute, assim como as cidades do litoral, foi destruída por uma tríplice catástrofe: um terremoto, um maremoto e um incêndio gigantesco, que levaram à morte, mais de 250 mil pessoas. Em seguida, a cidade foi conquistada pelos muçulmanos entre 634 a 1098 e assumiu fundamental importância durante o período da dinastia omíada. 

No tempo dos cruzados (do século XII ao XIII), francos e árabes disputaram Beirute e a cidade seria reconquistada pelos cruzados em 1110. Sob o domínio cruzado, ela obteve estatuto de grande metrópole e iniciou a construção de grandes palácios e igrejas, entre as quais, a Catedral de São João Batista, construída em 1110 e transformada em mesquita (atual Mesquita Al-Omary), depois da expulsão dos cruzados. 

Os mamelucos (1291-1516) dominaram, posteriormente, todas as cidades do litoral libanês e foi durante seu domínio que a cidade entrou em decadência, que por sua vez, abriu caminho à ocupação turco-otomana (1517-1918).

Foram 400 anos sob o jugo turco-otomano, que só terminaria com a queda deste império na Primeira Guerra Mundial. Mas ainda levaria algum tempo, para que o Líbano conquistasse sua independência, pois que depois dos otomanos o país passaria às mãos dos franceses (Mandato Francês: 1918-1943), que trouxeram à cidade, novo ímpeto. Foi durante o Mandato Francês, que ela se tornou a capital do Estado do Grande Líbano e sede do Alto Comissariado Francês. 

Beirute, como várias cidades antigas, era cercada por uma muralha com oito portas. Depois de 1860, sua população triplicou e três quartos da muralha foram demolidos para dar lugar a novas habitações, muitas delas, construídas com pedras da própria muralha. Cada porta tinha o nome da família que a fechava e a abria. As oito portas (babs em árabe) eram: Bab Dabbagha, Bab Serail, Bab Abou Al-Nasser, Bab Derkeh, Bab Yacub, Bab Santiyé, Bab Idriss e Bab Selsselat.

A Guerra Civil (1975-1990) destruiu, completamente, Beirute, uma vez que boa parte dos combates travou-se no centro da cidade. Ao seu fim, um plano ambicioso de reconstrução foi concebido e investimentos maciços transformaram a cara da cidade de forma inimaginável e hoje, com mais de 1,5 milhão de habitantes, voltou a ser o centro cultural e comercial do Líbano, constituindo-se, numa cidade moderna com arranha céus e hotéis de classe internacional, sem ter perdido sua característica oriental. Tal como a fênix, Beirute renasce sempre de suas próprias cinzas.

Arqueologia:
Com o término da guerra civil, em 1990, a capital começou a ser revirada; e arqueólogos libaneses e estrangeiros, começaram também seus trabalhos de escavações. Foram encontrados vestígios de 17 civilizações diferentes - da pré-história até os nossos dias - que se sucedeu em Beirute, uma sobreposta à outra.

Os vestígios passam pelos períodos cananeu, fenício, persa, romano, bizantino, omíada, abássida, cruzado, mameluco, otomano e etc. Beirute se tornou o maior canteiro arqueológico, do mundo. O sítio arqueológico de Beirute é de 40 mil m², mas apenas 4 mil metros foram escavados e estudados, seriamente, até agora. Destes 40 mil m², 8 mil metros situam-se no centro de Beirute, que foi ocupado continuamente, desde a Idade do Bronze. Assim, pode-se dizer que Beirute guarda ainda, muitos segredos, muitos dos quais, com mais de 5 mil anos.

Lenda da Fênix:
A ave mitológica, símbolo da imortalidade, e que pode viver mil anos, de acordo com a lenda, costumava vir da Índia até o Líbano, a cada 100 anos, onde se queimava em âmbar e incenso, pare renascer de suas cinzas, ao cabo de três dias, e logo regressar à sua terra natal. Para renascer, ela se deslocava até o Líbano, onde encontrava âmbar, incenso e um clima propício para realizar essa metamorfose. Assim, a lenda da Fênix é como uma alegoria da história do Líbano, que no decorrer dos séculos, nasce e renasce depois de suas várias destruições. 


Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute


Texto extraído do Livro: “Líbano – Um oásis no Oriente Médio. Guia turístico, histórico, arqueológico, religioso e cultural” (paginas 37 a 40), de Roberto Khatlab.


Atenção: A autoria do texto é de total propriedade de Roberto Khatlab, a reprodução do texto sem creditar-lhe a autoria, e sem creditar a origem de onde ele foi extraído, além de crime de plágio,  é antiético.
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