Bem vindos à Sidon!

Foto: Markus Hill

Sídon (ou Saida), terceira maior cidade do Líbano, com cerca de 200 mil habitantes, situa-se na costa do mar mediterrâneo, há 48 km da Capital Beirute, e uma das mais importantes cidades fenícias. A população de Sídon é de maioria sunita, mas existe uma minoria xiita, cristãos maronitas, melquitas, católicos sírios, católicos romanos, ortodoxos sírios e armênios. 

Em Sídon foi fundado o grande império comercial mediterrânico, conhecido por sua especialização na fabricação de vidro e tecidos de cor púrpura. Sídon teve conquistadores filisteus, assírios, babilônicos, egípcios, gregos e romanos, antes da era cristã.

O grande Herodes visitou Sídon, e Jesus Cristo, Paulo de Tarso, Pedro e outros apóstolos, também estiveram em Sídon. Em 1110, Sídon foi saqueada na primeira cruzada, e destruída pelos sarracenos em 1249, e atacada pelos mongóis em 1260. Sídon esteve sob o domínio Otomano no século XVII, e durante a primeira guerra mundial, foi dominada pela Inglaterra e após a guerra, tornou-se protetorado dos franceses, no mediterrâneo oriental.

Sídon é uma das cidades mais antigas do mundo, citada diversas vezes no Novo e no Velho Testamento, e seu surgimento remonta entre 4000 e 3000 anos A.C. De acordo com os relatos bíblicos do evangelho de Marcos, Sídon, supostamente, foi o lugar onde Jesus teria expulsado o demônio do corpo de uma mulher. De acordo ainda com a Bíblia (Gênesis 10:15,19), a cidade recebeu este nome, em homenagem ao primeiro filho de Canaã, neto de Noé. 

Logo na entrada da cidade, nos deparamos com um estádio de futebol à direita, construído no ano 2000, e à esquerda, a grande mesquita Bahaa El-Dine, financiada por Rafic Hariri. À beira mar, o calçadão que nos conduz ao Castelo do Mar (Kalaat El Baher), foi construído pelos Cruzados, em 1228. Ao lado do Castelo Fortaleza do mar, há uma bela casa, no estilo oriental, que hoje foi transformada num belo restaurante, um local bem situado, e com uma visão panorâmica do mar e de toda a cidade.

 O mercado tradicional (souk) está localizado à beira mar e de frente para o Castelo. Dentro dele, várias lojinhas de artesanatos, de tapetes, tecidos, objetos de decoração, temperos aromáticos, e muito ouro e prata a preços convidativos, além do museu do sabão, com uma historia interessantíssima! O museu, datado do século XVII, oferece ao turista, um lindo bazar de sabão artesanal, e também uma área de descanso, com café aromatizado.

Ainda dentro do mercado, uma surpresa muito importante da história cristã: A Catedral Ortodoxa de São Nicolau, que no ano 58 D.C., segundo a Bíblia (Atos, 27,3) Pedro e Paulo tiveram um encontro numa sala, à direita da entrada desta igreja. A igreja atual, data do século VIII, e é dedicada a São Nicolau, o patrono dos marinheiros, justamente, por sua localização próxima do porto.

Ainda na parte antiga de Sídon, encontra-se a Mesquita Al Omari, construída no século XIII, e que serviu de fortaleza, antes de ser transformada em mesquita, no século XV. Há ainda, em Sídon, o Castelo de São Luís, nos arredores do mercado, e construído entre 1110 e 1187, em homenagem ao rei da França IX, líder da sétima e oitava cruzada, que foi santificado e canonizado em 1297.

Bem próximo ao Castelo, encontramos a Colina de murex, com registros dos trabalhos feitos pelos fenícios, que extraiam das conchas um liquido que misturado ao sal, e fervido, se transformava na primeira tinta usada pelo homem, para o tingimento de tecidos. Depois de usadas, as conchas eram lançadas neste terreno, que acabou virando uma colina que passou a ser chamada de Colina de Muréx.

O rio que passa por Sídon é o Rio Awali, às margens dele, encontram-se ruínas do misterioso templo de Eshmun, deus fenício da cura e da renovação da vida, filho de uma sacerdotisa de Astarte (a deusa dos sidônios) construído pelos fenícios, no século VI A.C., e com muita história pra contar.

 Mas não só de história antiga vive Sídon, o turista também tem a nova e moderna cidade, com belos restaurantes, cafés, hotéis e um moderníssimo centro comercial, com shopping, docerias árabes tradicionais, e bem próximos à natureza. 

Nos locais históricos de Sídon é cobrada uma taxa de entrada, e as atrações estão abertas diariamente, exceto às segundas-feiras; o mercado antigo, e a maioria dos outros comércios, fecham às sextas-feiras.


O que visitar em Sídon:
- O Castelo do Mar

- O Museu do sabão

- O Khan El Franj (uma antiga hospedaria destinada aos viajantes)

- O Debbane Palace (residência de 1721, que será o Museu de História de Sídon)

- O Old Souk e suas lojinhas de artesanato, e de doces árabes

- O Castelo de St. Louis

- As ruínas do templo de Eshmun

- O Ziri Island (uma ilha há 1,5 km da costa, ótimo para piqueniques e natação)

- A Corniche ao longo da costa

- A Mesquita Bahaa El-Dine 

- A Mesquita Omari

- A Catedral Ortodoxa de São Nicolau

- O Rio Awali

- A Colina de Murex

- O Estádio Internacional de Sídon (se possível)





Zilda Naves - Guia de turismo 
Gazeta de Beirute
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About beirut lebanon

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1 comments:

  1. Só existe uma coisa melhor que visitar o Líbano: Viver no Líbano. É uma terra mágica e este artigo mostra bem a diversidade e riqueza histórica desse País. Parabéns à Zilda Naves. Belo artigo.

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