Irã e EUA: Primeiro contato após 34 anos de silêncio


Pela primeira vez na história, desde a Revolução Islâmica de 79, líderes do Irã e dos EUA, estabeleceram na última sexta-feira, um contato telefônico de alto nível diplomático entre os dois países, após 34 anos de silêncio.  

Hassan Rouhani, Presidente do Irã, afirmou que a iniciativa do telefonema partiu do presidente americano, porém, fontes americanas dizem que o presidente iraniano teria expressado a sua intenção de falar com Obama antes de deixar o país. 

A conversa de 15 minutos, entre Hassan Rouhani e Barack Obama, aconteceu antes do presidente iraniano deixar os EUA, após uma semana participando do Encontro Anual da Assembleia Geral da ONU, cujo tema central se baseou nos esforços coletivos para se chegar a uma solução, referente ao programa nuclear do Irã.

"Embora seja certo que haverá obstáculos importantes para avançar e o sucesso não esteja nada garantido, acredito que possamos atingir uma solução abrangente", declarou Obama.

O Irã é acusado pelo ocidente de tentar construir uma bomba atômica, entretanto, Rouhani afirma que o objetivo do programa nuclear é pacífico, que não há a intenção de fabricação de bombas, ou armas nucleares, das quais ele se posiciona contra o seu uso e fabricação, propondo inclusive, que todas as armas nucleares do mundo fossem eliminadas. Porém, afirmou que o país deseja manter a tecnologia, sob a supervisão da AIEA (Agencia Internacional de Energia Atômica da ONU). 

Rouhani foi autorizado pelo aiatolá Ali Khamenei, para negociar o programa nuclear do Irã, e afirmou que visa um acordo na questão do programa nuclear, no prazo de até seis meses.  Ele defendeu a posição do Irã nos EUA, aceitou negociar a questão, porém, sem abrir mão dos direitos e objetivos nacionais. 

Em relação à sugestão levantada pelos países do P5+1, de interromper a produção e estoque do urânio enriquecido a 20%, e desativar a instalação subterrânea de enriquecimento do urânio de Fordo, Rouhani declarou que apresentará um plano para ser avaliado no próximo encontro, que ocorrerá em Genebra, em 15 de Outubro.  

De volta ao Irã, Rouhani foi recebido no país por uma centena de manifestantes, “pró e contra” seu contato com o presidente americano. Cerca de 60 radicais islâmicos que cercavam a comitiva presidencial na saída do aeroporto, gritavam “Morte a Israel” e “Morte aos EUA”, e um dos manifestantes chegou a atirar um sapato contra o veículo de Rouhani, porém, sem acertá-lo. 

Os partidários de Rouhani, que foi eleito em Junho, após 8 anos sob o conservadorismo de Mahmoud Ahmadinejad, e que visam uma reaproximação entre o Irã e o Ocidente, saudaram o retorno de seu líder, gritando “Obrigado Rouhani”.


Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute
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