O que é sustentabilidade?


É com imensa satisfação que essa matéria inaugura a mais nova seção do Jornal Gazeta de Beirute, a coluna de SUSTENTABILIDADE. Agradeço a confiança, e espero que juntos, desbravemos conceitos, derrubemos mitos e colaboremos para que sigamos em direção de uma sociedade mais consciente e sustentável… 

Confesso que travei com o tamanho da responsabilidade, mas como tudo tem um motivo, e acreditando cada vez mais na lei da sincronicidade, eis que me deparo com um artigo, publicado no jornal Folha de São Paulo, em maio deste ano, de um cidadão de quem sou admiradora de longa data, o Sr. Oded Grajew, um dos fundadores do Instituto Ethos. 

Espero que o artigo ajude a entender melhor, o que afinal é SUSTENTABILIDADE?  

Por Oded Grajew*
Embora em voga nos mais variados meios, o conceito de “sustentabilidade” ainda é pouco compreendido, tanto por quem fala sobre ele, quanto por quem ouve. Nos últimos anos, intensificou-se a discussão a respeito do aquecimento global, e do esgotamento dos recursos naturais. Preocupações legítimas e inquestionáveis, mas que geraram distorção no significado de sustentabilidade, já que esta passou a ser associada, tão somente às questões ambientais.

Não é só isso. A sustentabilidade está diretamente associada aos processos que podem manter-se, e melhorar, ao longo do tempo. A insustentabilidade comanda processos que se esgotam, não se mantêm, e tendem a morrer. E isto depende, não apenas das questões ambientais. São igualmente fundamentais os aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais. Entretanto, mais do que definir o conceito, sustentabilidade e insustentabilidade, se tornam claras quando traduzidas em situações práticas.

Esgotar recursos naturais não é sustentável. Reciclar e evitar desperdícios são sustentáveis. Corrupção é insustentável. Ética é sustentável. Violência é insustentável. Paz é sustentável. Desigualdade é insustentável. Justiça social é sustentável. Baixos indicadores educacionais são insustentáveis. Educação de qualidade para todos é sustentável. Ditadura e autoritarismo são insustentáveis. Democracia é sustentável. Trabalho escravo e desemprego são insustentáveis. Trabalho decente para todos é sustentável. 

Poluição é insustentável. Ar e águas limpos são sustentáveis. Encher as cidades de carros é insustentável. Transporte coletivo e de bicicletas é sustentável. Solidariedade é sustentável. Individualismo é insustentável. Cidade comandada pela especulação imobiliária é insustentável. Cidade planejada para que cada habitante tenha moradia digna, trabalho, serviços e equipamentos públicos por perto é sustentável.
Sociedade que maltrata crianças, idosos e deficientes não é sustentável. Sociedade que cuida de todos é sustentável...

Evidências, e dados científicos, mostram que o atual modelo de desenvolvimento é insustentável, ameaçando inclusive, a própria sobrevivência da espécie humana.

Provas não faltam:
- Destruímos quase a metade das grandes florestas do planeta, que são os pulmões do mundo;

- Liberamos imensa quantidade de dióxido de carbono, e outros gases causadores de efeito estufa, num ciclo de aquecimento global, e instabilidades climáticas;

- Temos solapado a fertilidade do solo, e sua capacidade de sustentar a vida: 65% das terras cultivadas foram perdidas, e 15% estão em processo de desertificação;

- Cerca de 50 mil espécies, de plantas e animais desaparecem todos os anos, em sua maior parte, em decorrência de atividades humanas;

- Produzimos uma sociedade planetária escandalosa, e crescentemente, desigual: 1.195 bilionários valem juntos, US$ 4,4 trilhões, ou seja, quase o dobro da renda anual dos 50% mais pobres. O 1% de mais ricos da humanidade, recebe o mesmo que os 57% mais pobres;

- Os gastos militares somam US $ 1,464 trilhões por ano, e crescem anualmente, o equivalente a 66% da renda anual dos 50% mais pobres.

Este cenário, pouco animador, mostra a necessidade de um modelo de desenvolvimento sustentável. Cabe a nós torná-lo possível e viável.


* Oded Grajew é Presidente emérito do Instituto Ethos, e Coordenador-Geral da Secretaria Executiva da Rede “Nossa São Paulo”.


Jeane Satie Abou Nimry
Gazeta de Beirute
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