Oded Grajew

Na seção de Sustentabilidade, desta mesma edição, publiquei um artigo do Jornal Folha de São Paulo, definindo sustentabilidade por, Oded Grajew. Eu não podia perder a oportunidade, nesta coluna de Cultura, de falar um pouco mais sobre sua história e seu engajamento. 

Oded Grajew é um empresário de Tel-aviv, naturalizado brasileiro, com importante atuação no terceiro setor. Defende a responsabilidade social da empresa, e a maior interação entre as empresas, e os movimentos sociais.

Grajew nasceu em 1944, quando a região ainda era uma colônia britânica. Mudou-se para o Brasil com a família quando tinha 12 anos de idade, e aos 15, com a morte do pai, assumiu a responsabilidade de chefe da família. Formou-se em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, e em Administração, pela Fundação Getulio Vargas.

Em 1972, ele fundou a empresa “Grow”, dedicada no desenvolvimento dos chamados, "jogos e brinquedos inteligentes", para os públicos adulto e adolescente. De 1990 a 1992, presidiu a Federação Latino-Americana de Fabricantes de Brinquedos, e permaneceu na Grow até 1993, quando decidiu trilhar outros caminhos.

Em 1989, participou do grupo fundador, e foi o primeiro Coordenador-Geral do “Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE)”. Entre 1986 e 1992 ele foi ainda, Presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq). 

Nessa condição, em 1990, Grajew criou a Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente, sendo o Presidente desta, até 1998. Entre 1996 e 2000, ele foi membro do Comitê Internacional do Conselho Norte-Americano das Fundações (Council of Foundation).

Em 1998, ele participou da fundação do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, do qual é Presidente do Conselho Deliberativo. 


Missão: 
A missão do Instituto Ethos é mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus negócios, de forma socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de uma sociedade sustentável e justa.

O Instituto Ethos propõe-se a disseminar a prática da responsabilidade social empresarial, ajudando as instituições a:

1.Compreender e incorporar, de forma progressiva, o conceito do comportamento empresarial socialmente responsável;

2.Implantar políticas e práticas, que atendam a elevados critérios éticos, contribuindo para o alcance do sucesso econômico sustentável, em longo prazo;

3.Assumir suas responsabilidades com todos aqueles que são atingidos por suas atividades;

4.Demonstrar a seus acionistas, a relevância de um comportamento socialmente responsável, para o retorno em longo prazo, sobre seus investimentos;

5.Identificar formas inovadoras e eficazes de atuar em parceria com as comunidades, na construção do bem-estar comum;

6.Prosperar, contribuindo para um desenvolvimento social, econômico e ambientalmente sustentável.
Em 2001, Grajew idealizou o Fórum Social Mundial, e foi também, um dos criadores do Movimento “A Nossa São Paulo”, cujo objetivo, é mobilizar empresas, sociedade e governo, em torno da elaboração de um conjunto de metas que possam reverter os graves problemas sociais da capital.

É ainda, membro do Conselho Consultivo da “Global Compact”, um programa desenvolvido pelo Ex-Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan, que procura mobilizar a comunidade empresarial internacional, na promoção de valores fundamentais nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho e meio ambiente.

De janeiro a novembro de 2003, Grajew foi Assessor Especial do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. E ele é também, membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. 


No Fórum Social Mundial.
Segundo Oded Grajew, as oito edições do Fórum Social Mundial (FSM), "avisaram" o mundo sobre o colapso do modelo econômico que gerou a atual crise. Grajew rebateu as críticas de que o FSM é uma instância de reclamação, que não propõe soluções. Afirma que as alternativas foram apontadas ao longo dos anos, mas não tiveram repercussão entre os responsáveis pelas políticas públicas, e pelos investimentos mundiais. 

Atribuiu parte da falta de divulgação das propostas do Fórum, à cobertura da imprensa, que, segundo ele, tenta "folclorizar" o evento.

"Diziam que os recursos eram limitados. Agora na crise, de repente, apareceram trilhões de dólares para socorrer montadoras, bancos e empresas falidas, e que poderiam ter sido usadas para combater a pobreza, melhorar saúde, a educação"

De acordo com Grajew, o dinheiro repassado até agora, à empresas e instituições financeiras, para amortecer os impactos da crise, seria "mais que suficiente" para combater a fome, a pobreza e melhorar o acesso à saúde, e à educação, no planeta. 



Jeane Satie Abou Nimry
Gazeta de Beirute
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