Caminhando a favor do vento, cala a boca Bárbara!!


Nas últimas semanas, entrevistas, artigos, mensagens nas redes sociais e até eventos no exterior, têm abordado a polêmica da publicação de biografias não autorizadas no Brasil. Alguns dos maiores nomes da MPB defendem a autorização prévia, para a publicação de biografias, alegando direito à privacidade. Por outro lado, escritores e jornalistas, defendem a liberdade de expressão, e falam em censura.

A liberdade de expressão versus o direito de zelar pela intimidade. E a possibilidade de remuneração, fazendo os biografados, penderem de um lado ao outro, da moeda. De repente, esta virou uma questão central nas discussões, sobre publicação de biografias neste país. Se o personagem, ou sua família, sentirem que um trabalho traz dano à honra do biografado, pode recorrer à justiça e tirá-la de circulação.

Anterior a esta polêmica, em 2007, o cantor e compositor Roberto Carlos, entrou com uma ação na justiça proibindo a publicação de sua biografia. O cantor foi muito recriminado, porém, agora essa discussão tomou uma proporção gigantesca, quando alguns dos artistas mais importantes do Brasil, como Caetano Veloso, Chico Buarque,  Gilberto Gil, Erasmo Carlos, dentre tantos outros, se uniram para criar a associação “Procure Saber”, e protestar contra a publicação de biografias não autorizadas, uma prática adotada em vários países da Europa, e também nos Estados Unidos.

A associação é presidida pela empresária Paula Lavigne (ex-mulher de Caetano), que se dedica, junto com um grupo de autores, artistas e pessoas ligadas à música, a estudar e informar aos interessados e a população em geral, sobre regras, leis, e funcionamento da indústria no Brasil.

Também se manifestou o Deputado Newton Lima, com uma forte argumentação: “Uma das coisas que mais me incomoda, é que as personalidades públicas fazem história e, ao impedir a biografia, cortam um pedaço da história do país. A historiografia do nosso país está sendo prejudicada, porque o Código Civil acaba atrapalhando a publicação livre do pensamento e da criação, contrariando a Constituição”. 

Segundo José Murilo de Carvalho, Historiador e Autor do livro ‘Dom Pedro II – Ser ou não ser’, a história é feita por homens e mulheres, cujas ações são diretamente afetadas por suas biografias. Sem ampla liberdade de pesquisar e publicar biografias, o trabalho historiográfico e a própria história do país ficam mutilados.

A importância, da biografia de personalidades, consiste no quanto ela pode ser útil para o registro histórico e cultural de um país, de um artista, ou pessoa de destaque e notoriedade, perante a sociedade, e perante a construção da história de um país. “A liberdade de expressão é a maior expressão de liberdade”, os ídolos dos anos 60, que lutaram pela democracia, já não são mais os mesmos, e causam uma decepção coletiva, ao se posicionarem favoráveis à censura!


Silvia Tohmé
Gazeta de Beirute
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